Cena externa ajuda Ibovespa a seguir em alta; dólar ronda R$ 3,26 – Valor

SÃO PAULO  –  O dia continua bastante positivo no mercado de ações brasileiro, ainda sob efeito do ambiente internacional e pela leitura favorável dos fundamentos brasileiros – que se reflete em alguns balanços divulgados nos últimos dias. Com os ganhos recentes, o índice se aproxima cada vez mais da projeção de boa parte do mercado para o indicador no fim deste ano, que é de 90 mil pontos.

Perto das 14 horas, o Ibovespa subia 1,14% aos 87.034 pontos. O volume financeiro é, mais uma vez, elevado: até o momento, o giro soma R$ 4,42 bilhões.

O tom positivo do mercado brasileiro é sustentado pela leitura de que, mesmo com as perspectivas de alta de juros nos Estados Unidos, o ambiente segue favorável a ativos emergentes. Ontem, a ata do Fed confirmou que há um crescimento econômico forte nos Estados Unidos, que deve trazer a inflação de volta e, consequentemente, levará o Fed a subir o juro – provavelmente quatro vezes neste ano. Mas o cenário de crescimento robusto dos Estados Unidos é visto como muito positivo para emergentes, elemenot que autoriza, portanto, a continuidade do fluxo para ações.

Internamente, o cenário de crescimento da atividade com juros baixos e impacto favorável sobre o lucro das empresas segue como pano de fundo para os negócios. E a expectativa pela privatização da Eletrobras também segue influenciado os preços, não apenas da elétrica mas do mercado como um todo – que vê nessa medida um avanço importante do ponto de vista de gestão fiscal. Eletrobras PNB subia 0,84% e Eletrobras ON ganhava 2,74%.

O destaque positivo é Banco do Brasil ON, que tinha alta de 3,82% e havia movimentado R$ 466,7 milhões, praticamente todo o volume observado na sessão do dia anterior. Investidores reagem ao balanço do quarto trimestre, considerado positivo e melhor do que o esperado. O Banco do Brasil (BB) divulgou lucro líquido ajustado de R$ 3,188 bilhões no quarto trimestre de 2017, alta de 82,5% ante igual período do ano anterior.

Câmbio

O dólar ensaia nesta quinta-feira devolver a alta registrada um dia antes frente ao real, o que leva a moeda americana de volta à casa de R$ 3,25. O que chama atenção por mais um dia, porém, é o “atraso” da divisa brasileira ante vários de seus pares emergentes.

Na semana, a taxa de câmbio brasileira perde 1,13%, sexto pior desempenho numa lista de 33 pares do dólar. Em fevereiro, o real sofre com a quarta maior queda (-2,33%).

Estrategistas dizem que o real não deve “deixar de aproveitar” o viés global de baixa do dólar. Mas ponderam que a moeda pode ficar para trás em relação a alguns pares emergentes.

Às 14h04, o dólar comercial caía 0,09%, a R$ 3,2580. Ontem, a moeda havia subido 0,18%.

Juros

Os juros futuros operam em leve alta em meio à reavaliação do cenário econômico americano. O risco de um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos justifica os ajustes nas taxas. Por outro lado, a confiança na trajetória da inflação no país e na conjuntura econômica local ainda resguardam as apostas de que a Selic permanecerá baixa por algum tempo.

Por volta das 14h, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2019 subia para 6,575%, cerca de 2 pontos-base acima do ajuste anterior. O movimento é ainda mais contido em vencimentos mais curtos.

O cenário externo eleva os riscos no horizonte, mas os investidores ainda avaliam a possibilidade de novo corte da Selic. O IPCA-15 de fevereiro, que será divulgado amanhã, deve servir para calibrar apostas para a trajetória da Selic. Surpresas no âmbito inflacionário, como ocorreu no IPCA abaixo do esperado em janeiro, tendem a inclinar os investidores a operar com corte 0,25 ponto percentual da Selic em março, o que levaria a taxa para 6,5%.

De acordo com profissionais de mercado, as coletas de preços até o momento têm sido benéficas e uma desaceleração do índice poderia estar a caminho. Além do resultado geral, o que deve direcionar a leitura dos especialistas em relação à política monetária é o comportamento dos preços em serviços. Ainda assim, para alguns especialistas, seria necessário um conjunto de fatores para garantir a Selic mais baixa. 

A permanência da Selic baixa também levaria em conta o ambiente externo, que agora enfrenta o risco crescente de juros mais altos nos Estados Unidos. 

O DI janeiro/2020 subia a 7,630% (7,580% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 avança a 8,570% (8,530% no ajuste anterior).

Já o DI janeiro/2023 é negociado a 9,490% (9,460% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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