Fitch rebaixa rating soberano do Brasil após fracasso com Previdência – Valor

SÃO PAULO  –  A agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixou hoje o rating soberano do Brasil para “BB-“, de “BB”, e alterou a perspectiva de negativa para estável. 

Conforme a agência, o corte reflete a persistência do grande déficit fiscal, um alto e crescente endividamento do governo e o fracasso das reformas legislativas que poderiam melhorar o desempenho estrutural das finanças públicas.

A S&P Global Ratings já havia cortado a nota brasileira. No mês passado, a agência rebaixou o rating do Brasil para “BB-“, com perspectiva estável.

A Fitch ressaltou que “a decisão do governo de não colocar mais em votação a reforma da Previdência no Congresso representa um revés importante na agenda reformista, que prejudica a confiança para a trajetória de médio prazo das finanças públicas e do comprometimento político de abordar a questão”.

Segundo a agência, “a ocorrência de eleição presidencial e legislativa em outubro significa que a reforma da Previdência só vai ocorrer depois das eleições e deixa incertezas sobre se a próxima administração será capaz de conseguir a aprovação em tempo hábil”.

A Fitch ressaltou na análise que o déficit fiscal brasileiro “continua grande e com perspectiva de um declínio apenas gradual”. Para a agência, o déficit alcançou 8% do PIB em 2017, um resultado muito acima da mediana de 3% para os países na mesma faixa de nota soberana do Brasil, “BB”. A agência projeta ainda que a média do déficit público vai alcançar 7% do PIB entre 2018 e 2019.

O endividamento geral do governo alcançou 74% do PIB em 2017, ou seja, significantemente acima da medida de 45% do PIB dos países do bloco com nota “BB”. A Fitch prevê que a dívida pública alcance 80% do PIB em 2019 e mantenha rumo de crescimento nos próximos períodos.

Conforme os analistas da agência, “uma reforma da seguridade social e outras medidas de ajuste de gastos parecem ser componentes essenciais de qualquer estratégia para facilitar a consolidação fiscal, impulsionar a confiança na trajetória das finanças públicas no médio prazo e tornar o ‘teto de gastos’, importante âncora da política fiscal, viável e crível no médio prazo”.

A agência comentou ainda o repasse de R$ 130 bilhões ao governo pelo BNDES em uma operação de repagamento de recursos emprestados pelo Tesouro como um fator que pode “aliviar o crescimento da dívida neste ano”. Mas a agência considerou a medida como “insuficiente” para estabilizar a trajetória de endividamento do setor público, por ser um evento pontual.

Apesar de chamar atenção para as incertezas e desafios ligados à eleição neste ano, a Fitch afirmou “não antecipar uma virada em direção a um maior intervencionismo do Estado e populismo como resultado do pleito”.

Fonte Oficial: Valor.

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