Unboxing avança na internet como instrumento de marketing – Jornal do Comércio

Para estimular a venda de caixas com itens colecionáveis de filmes de ficção e terror, a MixtureBox envia pacotes para influenciadores digitais, como Gustavo Cunha, autor de um popular canal de vídeos no YouTube. Ao postar o vídeo abrindo e exibindo o conteúdo do pacote, Cunha divulga os produtos para um público que pode ultrapassar dezenas de milhares de consumidores.

Essa estratégia tem sido adotada por diversas empresas que estão investindo em ações de marketing através do unboxing – como são chamados os vídeos que mostram o desempacotamento de embalagens de produtos. Neste ano, o movimento tende a se expandir do YouTube para outras plataformas, como o Instagram.

A TAG Livros, um clube de livros de Porto Alegre, adotou esse modelo como seu carro-chefe para a vendas de assinaturas. Em meio à crise no setor cultural brasileiro, a empresa investiu na ideia de enviar, todos os meses, pacotes para seus assinantes contendo livros surpresas. Além dos livros, o assinante recebe uma revista com curiosidades da curadoria e um mimo, um brinde que condiz com a leitura recebida mensalmente. “A surpresa do leitor ao abrir a caixa é intangível para nossa empresa. O que para o nosso setor é um desafio, pois o leitor gosta de ver a capa dos livros e ler a sinopse, acabou sendo o nosso maior aliado”, afirma Thaís Mahfuz, gerente de conteúdo da TAG Livros.

A empresa aposta em dois momentos distintos de unboxing. O primeiro acontece quando o assinante do clube abre o pacote e comenta, ou faz vídeos em suas redes sociais – o que desperta interesse nos seus amigos. A segunda parte da estratégia é fornecer o material para influenciadores digitais para que eles façam comentários sobre o conteúdo da leitura, mas sem dar “cola” da história que o livro conta.  

De acordo com Thaís, a descoberta do leitor ao abrir a caixa na sua casa é o segredo do empreendimento, que vem em uma crescente desde seu inicio, em 2013. “Entendemos que o ditado de que os brasileiros não gostam de ler é um mito e, dessa forma, apostamos e descobrimos que o ato de abrir um pacote fez com que as pessoas criassem um apego pelo clube”, diz. 

O youtuber gaúcho Gustavo Cunha é um dos produtores de conteúdo que recebem pacotes de empresas do setor de literatura e cinema. Ele descreve seu canal de vídeos no YouTube, chamado Jujuba Atômica, como um “espaço destinado para nerds e amantes de ficção e animes”. Em 2017, Gustavo começou a fazer vídeos de unboxing no canal e, a partir de então, o número de caixas que chegam ao seu apartamento só foi aumentando. 

Para 2018, Gustavo projeta uma precificação para as empresas utilizarem o seu canal como meio de divulgação – que atualmente possui 284 mil inscritos – para selecionar as distribuidoras e assim começar a transformar em um modelo de negócios rentável para o seu canal. Os videos de unboxing disponíveis no Jujuba Atômica são assistidos, em média, por 25 mil pessoas, o que, de acordo com o Gustavo, “ainda é um número baixo para o Youtube”. 

Para Gabriela Kurtz, professora de marketing digital da Pucrs, o “unboxing é um o método de Inbound Marketing – também conhecido como marketing de atração -, pois as empresas querem conquistar o interesse das pessoas através da criação de conteúdos, sendo um bom negócio tanto para pequenas empresas quanto para empresas de grande porte no mercado”.

A professora observa que está tendência está crescendo para fora do YouTube. De acordo com Gabriela, o unboxing está conquistando o Instagram através da adoção da hashtag #recebido, que é um novo modelo de desempacotamento através de fotos na ferramenta Stories, mas que ainda não tem a mesma força dos vídeos. Os conteúdos do Instagram têm duração menor e temporária, de forma que acabam gerando um engajamento menor.

Houve um tempo em que as empresas buscavam vincular seu produto com personalidades famosas, mas isto esta mudando. De acordo com a especialista, “buscar influenciadores digitais renomados pode não ser uma boa aposta, porque nem sempre eles são especialistas no setor”. “Quem assiste aos vídeos de game, por exemplo, procura um especialista no assunto para saber. Então é muito melhor enviar um pacote para um youtuber que tenha 4 ou 5 mil seguidores, mas que saiba explicar bem o seu produto, do que pagar muito para um profissional mais renomado e não ter resultado”, conclui.

O unboxing também tem seu lado obscuro. No ano passado, a Forbes apurou que um dos youtubers que mais fatura dinheiro na internet era um garoto canadense de apenas 6 anos, chamado Ryan, que faz vídeos testando brinquedos. Gabriela adverte para os perigosos do estímulo ao consumo infantil: “precisamos observar que no outro lado da tela tem outra criança, que pode não compreender o que é bom ou ruim para ela.”

A descoberta do leitor ao abrir a caixa na sua casa é o segredo da TAG. FOTO TAG LIVROS/DIVULGAÇÃO/JC

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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