Investidores voltam a tomar rumo dos mercados emergentes – Valor

GENEBRA  –  Investidores voltaram a tomar o rumo dos mercados emergentes na semana passada, revertendo a retirada líquida de recursos ocorrida nas duas semanas anteriores, constata o Instituto Internacional de Finanças (IIF).

Conforme a entidade que representa os maiores bancos do mundo, nas duas primeiras semanas do mês, em meio a maior volatilidade nos mercados, os emergentes registraram saída líquida de US$ 8,7 bilhões, sendo U$ 7,2 das bolsas de valores e US$ 1,5 bilhão de títulos de dívida.

Porem, na semana passada deu-se a reversão, com entrada líquida de US$ 1,4 bilhão, a maior parte em títulos (US$ $ 1,2 bilhão). A África do Sul, agora com novo governo, concentrou a captação de quase US $ 1,1 bilhão nos influxos.

Também o Brasil, Tailândia e Indonésia receberam volumes líquidos de recursos do exterior. Mas persistiu a tendência de saída de capital a partir da India, Hungria e Coreia do Sul.

Por sua vez, o IPFR Global calcula que na semana encerrada em 21 de fevereiro os fundos investidos em mercados emergentes ganharam US$ 5 bilhões de novos recursos, com o fluxo desde o começo do ano alcançando US$ 33 bilhões.

Para o IIF, embora seja muito cedo para extrapolar, a preferência por papeis de renda fixa dos emergentes reflete a persistente atratividade do ”carry trade”, apesar da crescente preocupação de que a desinflação nos emergentes esteja no fim e que as obrigações em moeda local possam ter rendimentos mais baixos para os investidores estrangeiros à medida que as taxas de juros locais aumentarem.

A entidade considera que o aumento de portfolio em emergentes ilustra a expectativa de investidores que o dolar continuará sem valorizar, mesmo quando ), mesmo quando as taxas de juros nos EUA continuarem a aumentar.

Conforme o EPFR Global, a preocupação com aumento de juro nos EUA provocou nova saída de capital de fundos dedicados a ações de empresas americanas, de US$ 2,4 bilhões na semana encerrada em 21 de fevereiro, comparado a saída de US%$ 6,2 bilhões na semana anterior. Um recorde de US$ 33 bilhões saiu de ações americanas desde o começo do mês.

Na outra direção, fundos de ações focados na Europa ocidental receberam fluxos líquidos de US$ 3 bilhões.

De seu lado, o IFF destaca também o interesse de investidores por títulos de mercados fronteiriços, como são chamados países como Vietnam. Exemplifica que, apesar de downgrade de rating na semana passada, o Quênia emitiu US$ 2 bilhões de títulos internacionais com vencimentos de 10 e 30 anos.

O conjunto de 25 países ditos fronteiriços (frontier markets) já emitiu US$ 16 bilhões em títulos de moeda forte este ano, após um recorde de US $ 44 bilhões em 2017. A expectativa do IIF é de que o aumento dos fluxos de portfólio para os mercados fronteiriços ocorrido nos últimos anos – de US $ 29 bilhões em 2013 para US $ 50 bilhões em 2017 – deve continuar em 2018, “ajudando a estabelecer mercados de fronteira como cada vez mais relevante parte das carteiras globais”.

Apesar da alta nos rendimentos de ações, o IIF constata que globalmente o estoque de títulos soberanos com rendimentos negativos atingem mais de US$ 6 trilhões. Embora menor em relação aos US$ 10 trilhões de meados de 2016, o volume atual ainda é uma fatia importante dos títulos soberanos de países desenvolvidos.

Fonte Oficial: Valor.

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