Ibovespa se afasta das máximas, mas mantém ganhos; dólar sai a R$ 3,23 – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa chega ao começo da tarde longe das máximas do dia, mas ainda no terreno positivo. O ambiente internacional favorável e algumas boas notícias sobre a economia brasileira e corporativas explicam a trajetória positiva do índice. Às 13h51, o Ibovespa subia 0,37%, para 87.618 pontos. Na máxima, no entanto, alcançou o nível inédito de 88.318 pontos.

No noticiário brasileiro, o Boletim Focus confirmou uma combinação de fatores favorável para o mercado de ações. Enquanto a projeção para o a alta do IPCA em 2018 saiu de 3,81% para 3,73%, a estimativa para o crescimento da economia subiu de 2,80% para 2,89%. Inflação sob controle e crescimento econômico são elementos que encorajam os investidores a ampliar exposição ao mercado de renda variável.

Outro elemento que contribui para os ganhos do índice, segundo profissionais, é o movimento dos juros de longo prazo. Ainda sob efeito da decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de alterar a regra que impunha um prazo médio para as carteiras dos fundos de previdência, o DI janeiro/2027 cedia hoje de 10% para 9,90%.

Operadores dizem que há uma certa antecipação dos investidores, que veem uma oportunidade com tempo limitado para o movimento positivo nesse mercado. A visão é que, quando o quadro eleitoral estiver melhor definido, com os candidatos já escolhidos, então não se pode descartar uma postura mais defensiva por parte dos investidores. 

As siderúrgicas estavam entre os destaques positivos do dia, sob efeito da valorização das commodities metálicas. Às 13h41, Gerdau Metalúrgica avançava 3,92%, Usiminas PNA tinha elevação de 3,61% e CSN registrava valorização de 3,90%.

Magazine Luiza tinha alta de 3,87%. A empresa ainda responde ao resultado mais forte do que o esperado divulgado na semana passada. 

Na ponta negativa, estava CCR ON (-7,90%). A ação reage à notícia de que o empresário Adir Assad envolveu a concessionária e o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza em um esquema de corrupção. 

Câmbio

O dólar começa a semana com viés limitado de baixa, em meio a uma falta de notícias com força para influenciar a dinâmica do câmbio. Do lado externo, o grande ponto de atenção de investidores se volta para quarta-feira, quando o presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, falará diante do comitê de serviços financeiros da Câmara dos Representantes.

A expectativa pelas declarações de Powell se dá porque as recentes sinalizações do Federal Reserve (Fed, banco central americano) ainda carregavam impressões da antecessora imediata de Powell, Janet Yellen.

O mercado quer entender as avaliações de Powell sobre a evolução da inflação e seu impacto sobre a disposição do Fed em subir os juros mais do que o esperado.

Às 13h54, o dólar comercial caía 0,09%, a R$ 3,2373. O dólar para março cedia 0,11%, a R$ 3,2375.

Entre os dados sob análise, estão o comportamento das contas externas de janeiro, com déficit de US$ 4,31 bilhões, abaixo dos US$ 5,3 bilhões previstos pelo Banco Central (BC). Com saldo negativo de 0,44% do PIB no acumulado em 12 meses, as contas externas seguem despertando tranquilidade entre investidores, que recorrentemente citam os dados como argumento para estimativas de depreciação apenas limitada para o real.

Juros

As novas regras da CMN ainda repercutem no mercado de juros futuros. Nesta segunda-feira, os vértices mais longos retomam a trajetória de queda, aprofundando a baixa da sessão passada. No entanto, os agentes financeiros já admitem que, aos poucos, o movimento tende a perder fôlego.

A iniciativa do CMN busca corrigir distorções no mercado, principalmente na ponta longa dos juros, causadas pela necessidade de os fundos de Previdência manterem prazo médio mínimo de dois anos em suas carteiras de renda fixa. Agora, essa obrigação deve ser reduzida gradualmente para zero. A expectativa é de que essas instituições terão mais liberdade para alocar capital e não precisarão recorrer tanto ao mercado de DI para proteger em suas posições de títulos públicos.

Bem recebido pelos investidores, o anúncio do CMN também contou com o momento favorável para os ativos emergentes, incluído os brasileiros. Um exemplo dessa resiliência veio na semana passada com o novo rebaixamento do rating soberano do país num contexto de disputa eleitoral e adiamento da reforma da Previdência. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Leandro Secunho, afirmou que, mesmo sem o grau de investimento, existe demanda e atratividade pelos títulos brasileiros.

Para profissionais de mercado, o efeito da decisão do CMN deve ser observado ao longo da semana, embora de maneira cada vez menos intensa. O próprio Secunho reconhece que não deve haver um movimento mais forte do que o já verificado. “Está chegando próximo à estabilidade”, disse.

Conforme esse efeito vai se esvaindo, outros temas voltam a direcionar as taxas, como a apresentação do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Congresso do Estados Unidos.

Às 13h54, DI janeiro/2019 era negociado a 6,580% (6,570% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 projetava 7,610% (7,610% no ajuste anterior).

Já o DI janeiro/2021 caía a 8,490% (8,520% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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