CEEE-D intensifica atuação para o controle de fraudes – Jornal do Comércio

A Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D) pretendia já no ano passado ter dado um salto nas inspeções de combate às perdas não técnicas de energia (os chamados “gatos”). Porém, a empresa terceirizada que venceu a licitação para ajudar nesse trabalho não conseguiu cumprir o compromisso. Com outra companhia contratada ao final de dezembro, a Power Service, a estatal espera passar de 26,8 mil verificações feitas no ano passado para 120 mil fiscalizações em 2018.

O técnico em eletrotécnica e responsável pelo projeto de automação da medição da CEEE-D, Cássio Franzon, informa que somente em janeiro foram em torno de 5 mil unidades consumidoras averiguadas. A média de acertos nas fiscalizações, encontrando algum indício de irregularidade, é da ordem de 40%. Primeiramente, é feita uma triagem verificando características do consumo dos clientes. Em cima dessa base de dados, são enviadas as equipes a campo. As investigações também são realizadas após denúncias que chegam ao 0800 ou pelo site da companhia.

As perdas não técnicas representam aproximadamente R$ 200 milhões em energia que deixa de ser faturada pela CEEE-D anualmente. Contudo, Franzon ressalta que a empresa tem conseguido reduzir os danos. No começo do ano passado, o percentual de perdas era de 18,2% e a estatal fechou 2017 com 17,4% de prejuízo sobre a energia faturada. A previsão para 2018 é diminuir mais 1,2 ponto percentual (p.p.), em 2019 abaixar 1,6 p.p. e em 2020 deve cair mais 1,5 p.p. A meta é chegar a 2021 dentro dos limites das perdas regulatórias.

O diretor de Distribuição do Grupo CEEE, Júlio Hofer, salienta que, assim como intensificará as inspeções, a empresa apostará no uso da tecnologia. Por isso, além da fiscalização, a distribuidora está focando na automação da medição. O alvo dessa ação são 11,7 mil unidades consumidoras (de grande consumo, como a classe industrial) que representam cerca de 50% do consumo faturado pela CEEE-D. Desse total, a companhia já tem atualmente 7,8 mil unidades sob a telemedição. Até meados de abril, todo esse universo de clientes deverá ser abrangido.

A distribuidora também vai utilizar 45 mil equipamentos de telemedição para acompanhar áreas de consumos mais baixos, fundamentalmente em regiões de vulnerabilidade social, localizadas em Porto Alegre. Os sistemas serão colocados nos postes de luz e não mais nas entradas das residências. O monitoramento é feito remotamente e cada aparelho fiscaliza 12 unidades. “Se algum desses consumidores subir no poste a abrir a caixa do equipamento, ele vai ficar sem energia e os outros 11 também até que vá uma equipe da CEEE-D para regularizar a situação”, detalha Franzon. Até agora, foram instalados 15 mil desses dispositivos e até julho todos deverão estar posicionados.

Hofer enfatiza que quando se lida com uma comunidade mais fragilizada o tema é tratado como inserção social, com a tentativa de regularização da área, mas para quem usufrui do gato para ganhos financeiros as consequências, normalmente, são mais graves. Ao constatar a fraude, a distribuidora faz uma estimativa do que deixou de receber e faz a cobrança (limitada aos últimos três anos). Além disso, o furto de energia é crime que pode resultar em quatro a oito anos de prisão.

Apesar disso, cerca de 30% dos fraudadores flagrados reincidem nas irregularidades e mais da metade das perdas de volume de energia dizem respeito às categorias comercial e industrial. Em torno de 40% dos furtos de energia são provenientes de adulterações nos medidores e o restante são desvios da eletricidade antes de chegar nesses aparelhos.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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