Veja os principais pontos do testemunho do presidente do Fed – Valor

SÃO PAULO  –  Jerome Powell, novo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), estreou de fato para os investidores e analistas em seu testemunho ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes. Foi um longo depoimento, de mais de três horas.

Veja abaixo os principais temas tratados na terça-feira:

Política fiscal x política monetária

Para Powell, “é muito difícil traçar os efeitos de mudanças na política tributária sobre a economia e o crescimento da renda salarial”, conforme declarações ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara.

Segundo ele, impostos corporativos mais baixos deveriam resultar em investimentos mais altos e em mais produtividade e renda salarial ao longo do tempo. “Mas é muito difícil colocar as mãos e determinar o quanto seria isso”, acrescentou.

O Congresso americano quis saber como Powell vai ajustar a política monetária ao cenário de aumento das despesas fiscais, com consequente elevação do déficit. O novo presidente do BC americano recusou-se a se explicar demais.

“As mudanças na política fiscal podem ter um efeito, mudanças desse tamanho podem ter um efeito, e isso pode ser visto na trajetória da política [monetária]”, disse ele. Mas “é muito difícil dizer antecipadamente o que seria.”

Powell argumentou que que o foco do Fed não está “na política fiscal, mas na política monetária. “Então esse é o nosso quadro de referência.”

Em uma pergunta subsequente, Powell foi mais explícito sobre a política fiscal, dizendo que o Congresso precisa elevar o teto da dívida em tempo hábil. Ele foi um ator ativo em estimular os congressistas, em 2011, a elevar o teto da dívida pública, tendo entrado no Fed apenas em 2012.

Perguntado se os Estados Unidos podem lidar com os níveis atuais de dívida, ele disse que “o teto deveria ser algo resolvido sempre a tempo”. “Realmente precisamos estar em uma trajetória fiscal sustentável, e o tempo para fazer isso é agora”, acrescentou. Indagado sobre se os EUA estão se dirigindo para uma situação de perda de confiança em sua capacidade de pagar suas dívidas, Powell brincou: “Eu não gostaria de fazer o teste”. Powell lembrou que os EUA nunca tiveram um default e, como regra, nunca deveriam passar por uma situação assim [de desconfiança].

Condições financeiras

Powell disse que agora é um momento para estar “alerta” quanto a sinais de desequilíbrios financeiros. Mas não vê nada que realmente o preocupe agora. Para o presidente do Fed, os preços dos ativos estão “altos”, mas os baixos níveis de alavancagem [depois da crise financeira] o tornam menos preocupado com um possível aumento dos riscos sistêmicos.

O novo dirigente da autoridade monetária americana também minimizou os desenvolvimentos recentes do mercado de títulos do Tesouro dos EUA e disse que o mercado está atuando como deveria, isto é, não está sinalizando uma expectativa de uma desaceleração econômica iminente ao investidor.

Estado da economia x reação da inflação

Powell disse que sua perspectiva [pessoal] quanto à economia se fortaleceu desde dezembro, com base nos dados que foram divulgados desde então. Segundo ele, os indicadores reforçam a confiança de que a inflação está se movendo em direção à meta de 2% ao ano. Mas, ao ser questionado quanto à possibilidade de, na próxima reunião, emergir uma mediana de quatro aumentos na taxa de juros de referência ao longo de 2018, em vez dos três aumentos projetados em dezembro, Powell disse que não gostaria de fazer um “prejulgamento”.

Para o presidente do Fed, a taxa de emprego de equilíbrio, abaixo da qual a inflação começa a aumentar, está em torno dos 4% [hoje é de 4,1%]. “Se eu tivesse que fazer uma estimativa, eu diria que está em algum lugar em torno de 4%, mas o que isso realmente significa é que poderia ser 5% e poderia ser 3,5%”, disse ele aos legisladores. As autoridades do Fed estimaram em dezembro que a taxa cairá para 3,9% em 2018 e 2019 antes de se estabelecer em torno de 4,6% no longo prazo.

Powell também defendeu, em tom pessoal, a adoção de uma meta “simétrica de inflação”, e não pontual, como é hoje. Sobre as consequências da reforma tributária sobre a atividade econômica, disse que “é difícil traçar os efeitos sobre a renda salarial de mudanças nos impostos”.

Novas ferramentas de taxa de juros do Fed

Powell disse à Câmara que o BC americano ainda não decidiu se continuará usando os juros sobre reservas em excesso (IOER, na sigla em inglês) como sua principal ferramenta para estabelecer as taxas de juros de longo prazo. “Nossa abordagem atual parece estar funcionando muito bem”, disse. “Ela nos dá controle sobre os juros e os mercados parecem entender isso”, afirmou.

A nova forma do governo de conduzir a política monetária, que depende em grande parte do pagamento de bancos para estacionar recursos no banco central permanece controversa entre alguns no Congresso, que consideram que o BC e está pagando aos bancos mais do que deveria.Powell respondeu que considera isso uma verdade, e que o Fed está usando a ferramenta efetivamente para influenciar uma ampla gama de taxas de curto prazo.

Redução do balanço patrimonial

A composição do balanço do BC americano nos próximos anos dependerá de fatores como o nível da taxa de juros e da taxa de refinanciamento das hipotecas residenciais, afirmou Powell.

Os integrantes do Partido Republicano criticaram a compra de ativos hipotecários para estimular a economia após a crise financeira. Powell disse que o público deve esperar uma “redução significativa” neste ano e no próximo, mas disse que “conforme as taxas sobem, a taxa refi [de referência] vai recuar e veremos uma redução mais lenta” {do balanço. O nível final do balanço deve ficar entre US$ 2,5 trilhões a US$ 3 trilhões, em linha com o que espera o mercado.

O ambiente regulatório

O novo presidente do Fed manifestou apoiar a “recalibração” do índice de alavancagem suplementar. Tal índice mede o capital como porcentagem dos ativos e restringe o montante dos bancos de empréstimo que podem fazer sem aumentar o capital.

“Precisamos de um índice de alavancagem “alto e rígido” como contenção do risco de perdas” para o capital baseado em risco”, disse ele. Mas, segundo ele, “o nível atual de calibragem, extra, não é apropriado”.

Powell também disse que apoiaria medidas legislativas que poderiam permitir ao Fed “melhor adaptar os regulamentos às instituições médias e pequenas”.

Fonte Oficial: Valor.

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