Brasil aguarda detalhes sobre taxação do aço – Jornal do Comércio

O governo brasileiro aguarda a publicação da medida anunciada na quinta-feira pelo governo dos Estados Unidos, que imporá uma sobretaxa de 25% sobre suas importações de aço, para decidir o que fazer a respeito. A medida, uma promessa de campanha do presidente Donald Trump para a indústria siderúrgica local, prejudica fortemente as exportações do Brasil, que é o segundo maior fornecedor daquele mercado.

“Vamos esperar para ver e reagir com serenidade”, disse o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Ronaldo Costa. “Queremos ver o que vai ser publicado antes de tomar uma decisão.” A reação de vários países potencialmente prejudicados pela medida foi indicar a intenção de ingressar com ações na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil prefere o diálogo, mas não descarta essa possibilidade. Porém, como a medida foi apenas anunciada, sem mais detalhes, não é possível saber se e como esse questionamento se dará.

Para tentar driblar uma eventual condenação na OMC, que pune restrições ao comércio como essa sobretaxa, os Estados Unidos alegaram risco à segurança nacional. Isso coloca um desafio para o organismo multilateral. Até o momento, apenas a Rússia usou esse dispositivo para restringir o trânsito de mercadorias da Ucrânia. Houve questionamento, mas ainda não há decisão. Ou seja, não se sabe até que ponto um país pode usar o risco à segurança como argumento para barrar o comércio.

O anúncio da sobretaxa às importações de aço levantou resistências dentro do próprio mercado norte-americano. O Brasil aguarda para ver se o lobby contrário dos segmentos da indústria local que serão prejudicadas pela medida mudará a decisão.

A restrição às importações de aço é discutida pelos escalões técnicos do Departamento de Comércio desde o início do governo Trump. Integrantes do governo brasileiro e da indústria siderúrgica nacional vinham apresentando argumentos para tentar livrar o produto nacional da limitação.

O principal argumento é de que 80% do que o Brasil exporta para o mercado norte-americano são produtos semiacabados de aço. Ou seja, são insumos para a própria indústria siderúrgica local, que Trump quer proteger. Na terça-feira passada, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, reuniu-se com o secretário de Comércio norte-americano, Wilbur Ross, para um último esforço de preservar o Brasil de eventuais novas barreiras ao aço.

Ele alegou que, dada a complementaridade das cadeias produtivas, o produto brasileiro não representa risco à indústria local, nem à segurança dos Estados Unidos. Outro ponto levantado pelos brasileiros é que a indústria siderúrgica nacional utiliza carvão norte-americano na sua produção. Ou seja, a restrição prejudicaria os dois lados do comércio.

O consultor Welber Barral avaliou que a sobretaxa de 25% pode tornar inviáveis as vendas de aço brasileiro para aquele mercado. Ele comentou também que a restrição de compra por parte dos EUA, que são o segundo maior consumidor global de aço, vai agravar o problema de sobreoferta do produto que se verifica desde 2009. Assim, o aço brasileiro deverá enfrentar uma concorrência ainda mais forte em outros mercados para os quais é exportado. Há risco, ainda, de o próprio mercado brasileiro ser inundado com aço importado.

Se a decisão dos EUA provocar uma guerra comercial planetária, as consequências poderão ser ainda mais severas, alertou o consultor. Ele observou que a crise de 1930 começou justamente quando o governo norte-americano adotou tarifas elevadas no comércio exterior e sofreu retaliações de outros países, levando à quebra da Bolsa de Nova Iorque.

 

As siderúrgicas instaladas no Brasil estão preocupadas com a ameaça de taxação em 25% do aço importado pelos Estados Unidos. A medida, anunciada na quinta-feira pelo presidente Donald Trump, coloca as indústrias em alerta. “Um terço das exportações brasileiras de aço tem como destino os Estados Unidos”, disse Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr). As ações de CSN, Usiminas e Gerdau fecharam com forte queda na sexta-feira, entre os piores desempenhos da bolsa. Juntas, as três perderam R$ 1,7 bilhão em valor de mercado.

No ano passado, o País exportou 15,3 milhões de toneladas de aço, dos quais 4,7 milhões de toneladas (US$ 2,6 bilhões em receita) foram para o mercado norte-americano, segundo a IABr. Só a CSA, que pertence ao grupo ítalo-argentino Ternium, tem contrato anual de 2 milhões de toneladas de aço para a Calvert, no Alabama. A francesa Vallourec, com unidades em Minas, exporta 70% de sua produção, boa parte para os EUA.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que a decisão dos EUA de impor sobretaxas é “injustificada, ilegal e prejudica o Brasil”. Os papéis da CSN encerraram a sexta-feira com recuo de 5,05%, cotados a R$ 9,21. As ações da Usiminas caíram 3,9%, a R$ 11,34; enquanto as da Gerdau baixaram 1,46%, a R$ 16,90.

O Ibovespa subiu 0,45% no pregão da sexta-feira, para 85.761 pontos. O dólar terminou a sessão cotado em R$ 3,25.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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