Casa Branca: Nenhum país ficará livre de sobretaxa de aço e alumínio – Valor

SÃO PAULO E BRASÍLIA  –  Um dos principais assessores comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não haverá isenção de tarifas sobre a importação de aço e alumínio a nenhum país fornecedor.

Peter Navarro, diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, afirmou que nações não serão excluídas das taxas porque essa seria uma inclinação escorregadia, mas disse que haverá isenções a empresas.

“Haverá um procedimento de isenção para casos específicos em que precisamos ter isenções, para que os negócios possam avançar”, afirmou Navarro no programa State of the Union, da CNN.

Navarro não deu detalhes sobre o mecanismo de isenção, e a Casa Branca não retornou a pedidos de comentário.

Na quinta-feira (1º), Trump disse que os Estados Unidos aplicariam uma sobretaxa de 25% ao aço e de 10% ao alumínio importados.

Segundo o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, Trump conversou com líderes mundiais e não considera isenções.

“A decisão, obviamente, é dele, mas, dado o momento e até onde eu sei, ele está falando sobre uma medida bastante ampla. Ainda não o ouvi descrever isenções específicas”, afirmou Ross no programa This Week, da ABC, neste domingo (4).

O plano de Trump, porém, parece não ser consenso nem dentro de seu próprio partido.

Kevin Brady, parlamentar republicano e presidente do comitê da Câmara dos Deputados responsável por tributação, disse neste domingo que aço e alumínio negociados de forma justa devem ser isentos das tarifas, especialmente os provenientes dos parceiros do tratado de comercial Nafta, como Canadá e México.

Ambos os países ameaçaram uma retaliação se Trump prosseguir com a imposição.

Questionado se os dois aliados deveriam ser isentos, Brady disse: “Sim, e indo mais longe, excluindo todo o aço e o alumínio negociados de forma justa, não apenas desses dois países”.

Cautela

O Brasil já trabalhava com esse cenário. Dois dias antes do anúncio, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, havia ouvido de Ross que haveria situações de exceção.

O Brasil está entre os países que mais podem ser afetados pela tarifa porque é o segundo maior exportador de aço para os EUA.

Jorge e representantes da indústria foram recebidos em Washington por Ross na última terça (27), em uma reunião de 40 minutos, longa para os padrões do americano.

Ouviram do secretário que uma eventual decisão de cobrança adicional de tarifas não seria horizontal, ou seja, que haveria possibilidade de recurso. Foram informados ainda de que estavam previstas situações de isenção.

O governo brasileiro vai aguardar o anúncio formal da cobrança adicional, esperado para esta semana, antes de ameaçar represálias ou recorrer a organismos como a OMC (Organização Mundial do Comércio).

A avaliação, segundo a reportagem apurou, é que a melhor postura é o monitoramento da situação, para evitar acirrar os ânimos com os EUA em um momento em que não está claro o alcance da medida.

O governo brasileiro vem acompanhando as reações de Trump a posicionamentos como o da União Europeia, que ameaçou represálias comerciais após o anúncio, e a avaliação é de que um tom belicoso pode ser prejudicial.

Guerra comercial

Em um telefonema ao presidente americano, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse ter profunda preocupação com a tarifas.

Segundo uma porta-voz do gabinete, May observou que uma ação multilateral era a única maneira de resolver o excesso de capacidade global.

Na sexta (2), a União Europeia respondeu a Trump citando uma possível tarifa a produtos americanos emblemáticos, como motos Harley Davidson, uísque bourbon e jeans Levi’s. No sábado (3), Trump ameaçou as montadoras europeias com um imposto sobre as importações.

Ross disse que os europeus estavam discutindo uma quantidade trivial de tarifas de retaliação, somando cerca de US$ 3 bilhões em mercadorias.

Fonte Oficial: Valor.

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