Cenário modifica perfil de compra dos turistas brasileiros – Jornal do Comércio

Após amargar queda de demanda das viagens de lazer (2014 e 2016), as agências do ramo têm conseguido alavancar as vendas graças a um novo modelo de compra dos turistas. Além de buscar promoções no mercado, os brasileiros que não abrem mão de curtir as férias longe de casa estão também se programando antecipadamente, o que permite que se organizem com uma espécie de “poupança-viagem”.

“Está visível o aumento da demanda por compra de pacotes adquiridos com até 10 meses de antecedência do embarque”, sinaliza a sócia-diretora da 24h Escritório de Viagens, de Porto Alegre, Liciane Rossetto. Segundo ela, o objetivo da estratégia é garantir que as despesas de passagens, transfer e hotelaria já estejam quitadas por ocasião da saída para os destinos. “A vantagem é organizar as contas pessoais, a fim de que os gastos extras durante o passeio não extrapolem a programação de despesas da família.”

Com essa linha de pensamento, o publicitário Diego Dornelles da Costa, 36 anos, já está com tudo esquematizado para passar o Carnaval de 2019 em Salvador, ao lado da namorada, Marcelle Furtado Ávila, e do filho, Lucas Cabral da Costa. Para ele, viajar com tudo pago é uma questão de organização financeira. Acostumado a fazer cruzeiros, antecipou a compra de um passeio em alto mar pelo litoral baiano, e está pagando em parcelas os custos do trio, que giram em torno de R$ 14 mil por sete dias, com tudo incluso. Com isso, economizou R$ 7 mil e garantiu, de quebra, uma cabine com varanda, ainda que estejam pagando o preço de uma cabine externa. “Esses descontos são muito significativos”, comenta Costa, que já programa os gastos locais durante a viagem: R$ 3,5 mil que irá reservar para o período do passeio. “É uma forma de evitar de acabar a viagem e estar com as contas a pagar.” Segundo o publicitário, uma forma de aproveitar bons preços é solicitar ao agente de viagem que monitore as promoções.

De acordo com Liciane, o mínimo de tempo antecipado que os viajantes têm reservado é de seis meses. “Muitas vezes, as pessoas se desorganizam financeiramente e deixam de usufruir as férias em um lugar melhor”, observa a agente, afirmando que a estratégia de antecipar o pagamento é uma forma de evitar esta frustração. “Mas é importante calcular uma parcela do pagamento que caiba dentro do orçamento familiar.” Usualmente, os pacotes incluem transporte aéreo e terrestre, hospedagem e seguro viagens – sendo que, eventualmente, também podem oferecer algum passeio ou atração cultural. E, sendo adquiridos em até oito meses, ainda é possível que saiam mais baratos. “Claro que também tem quem pague à vista, para aproveitar as promoções”, pontua a agente de turismo. Ela comenta que os consumidores que viajam de acordo com as ofertas chegam a trocar os destinos, para aproveitar os preços. “Atualmente, tem bastante gente trocando a ideia do Nordeste pelo Caribe, que está mais em conta.”

A sócia-proprietária da agência Vanilda Viagens (em Palmas/TO), Vanilda Rodrigues Leite Pacine, afirma que a compra por promoção cresceu muito. “Já faz pelo menos um ano que nosso público só viaja em promoção”, sinaliza. “Além disso, aproveitam ofertas de pacotes que possam ser pagos com antecedência.” A agente confirma que, até 2015, as vendas ocorriam mais próximas da data de embarque, mas que, desde então, com a crise e queda de demanda, o que tem salvo as vendas são, de fato, as promoções. “O que nos ajuda é que, por mais que tenha crise, os brasileiros continuam viajando.” Segundo ela, em apenas 15 dias de fevereiro, a empresa vendeu mais de 100 pacotes para a Oktoberfest 2018, em Blumenau (SC), com tarifa promocional. “Geralmente, os valores desse evento encarecem quando se aproxima a data da festa”, conta.

O decreto que regulamenta a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) da Pessoa com Deficiência foi publicado na sexta-feira no Diário Oficial da União, fruto de articulação do Ministério dos Direitos Humanos (MDH). O texto divide os estabelecimentos em três propostas – os já existentes, construídos até 29 de junho de 2004, antes da publicação das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); os já existentes, construídos entre 30 de junho de 2004 e 2 de janeiro de 2018; e os novos estabelecimentos, construídos a partir deste ano.

“A acessibilidade tem sido uma preocupação constante do Ministério do Turismo. A regulamentação da Lei Brasileira de Inclusão é um avanço para o País. Com o novo texto, conquistamos a garantia de que as pessoas com deficiência poderão ter uma experiência totalmente positiva em suas viagens pelo Brasil. O turismo deve ser acessível, inclusivo e para todos”, afirmou o ministro do Turismo, Marx Beltrão.

Para o primeiro grupo, o decreto prevê que os estabelecimentos devem atender, em no máximo quatro anos, ao percentual mínimo de 10% de dormitórios acessíveis, sendo 5% com as características construtivas, com obras estruturantes para atender às normas técnicas de acessibilidade da ABNT; e outros 5% com ajudas técnicas e os recursos de acessibilidade, como a instalação de barras de apoio no box do chuveiro e campainhas sonoras e ajuste da altura da ducha do chuveiro. Para o grupo dois, a regra estabelecida é a mesma.

De acordo com o texto, os novos estabelecimentos, construídos ou com projetos protocolados a partir de 3 de janeiro de 2018, deverão dispor de 5% dos dormitórios construídos seguindo todas as regras da ABNT, e os demais 95% devem dispor de recursos de acessibilidade.

Para Jairo Klepacz, representante da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), representante do setor nos debates a respeito do tema junto ao Ministério do Turismo e à Casa Civil, a regulamentação é um avanço para o turismo, uma vez que dá segurança jurídica ao setor. “O setor privado assume agora de forma definitiva as regras e conceitos da LBI, atraindo uma parcela significativa da população para o mercado de turismo. Além disso, o regulamento destrava uma série de investimentos previstos pela rede hoteleira, que aguardava apenas a definição das novas regras para iniciar construções”, afirmou.

O Decreto nº 9.296 detalha os recursos necessários para os estabelecimentos suprirem totalmente as necessidades das pessoas com deficiência. De acordo com o texto, “o atendimento aos princípios do desenho universal nos projetos arquitetônicos de hotéis, pousadas e estruturas similares pressupõe que o estabelecimento, como um todo, possa receber, na maior medida possível, o maior número de hóspedes, independentemente de sua condição física, sensorial, intelectual ou mental, e garantir que essas pessoas possam desfrutar de todas as comodidades oferecidas”.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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