Dispositivo aumenta a performance de nadadores – Jornal do Comércio

O número de braçadas, o tempo gasto para fazer uma virada na piscina, a velocidade dos movimentos em cada estilo escolhido. Cada detalhe é fundamental para um nadador de elite, que depende de informações apuradas para melhorar a sua performance.

Pensando nisso, e na carência de tecnologias para essa área, quatro ex-nadadores da Universidade da Flórida (EUA), que durante anos treinaram sob a tutela do técnico Olímpico dos Estados Unidos, Gregg Troy, criaram o Phlex. O dispositivo é acoplado ao óculos, que é um produto usado por todos os nadadores, e fica bem preso na área perto dos olhos e da testa.

A cada treinamento, o sistema capta diferentes métricas e armazena tudo, possibilitando que o atleta reveja o seu desempenho posteriormente, no seu dispositivo móvel. Com o uso da tecnologia de machine learning, o produto aprende com cada nadador e oferece feedbacks. Se a pessoa está nadando crawl, por exemplo, o dispositivo compara o seu desempenho com o de outros nadadores do mesmo estilo, sexo, peso e idade. Algo como: outras mulheres com 1,6m e 30 anos costumam dar x braçadas. De repente, tente dar uma braçada mais alongada e, assim, ver se consegue puxar mais água.

Além disso, quando o nadador tem competições importantes, costuma fazer o polimento, que é quando treina menos nas semanas que antecedem as provas para preparar seu corpo para a competição. “Com o nosso produto, ele pode avaliar uma competição na qual teve bom desempenho e saber exatamente qual o seu período de polimento ideal”, conta o CEO da empresa, o nadador Luke Torres.

O Phlex já recebeu US$ 500 mil de investimentos. De acordo com o gestor, o dispositivo vai endereçar um nicho que é carente de soluções de tecnologia. Alguns nadadores até usam smartwatches para captar informações durante o treinamento, mas a falta de dados precisos acaba sendo um grande problema. “O relógio não foi feito para natação, foi adaptado para essa prática. Portanto tem a acuracidade necessária. Uma pessoa faz 400 metros, e ele diz que fez 200 metros”, critica.

Sem falar no fato de que o nadador não gosta de nada que crie atrito com a água – tanto que costuma raspar os pelos do corpo. “Queríamos precisão dos dados captados e ausência de atrito, e logo percebemos que o segredo seria criado algo para eles usarem na cabeça”, comenta o empreendedor, que é brasileiro, mas desde os 15 anos vive nos Estados Unidos. A posição do sensor traz vantagens em relação à captação mais precisa dos batimentos cardíacos, já que é uma área mais sensível. Além disso, o relógio se mexe no pulso, com o movimento das braçadas, o que reduz a precisão das informações coletadas.

O produto deve chegar ao mercado em novembro deste ano. Torres explica que a fase atual é de buscar as certificações necessárias, como as que assegurem que o produto é à prova dágua e resistente ao cloro; e conversar com as fábricas que farão a produção. “Já recebemos até contatos de companhias de seguro, que estudam oferecer descontos caso a pessoa prove, via dispositivo, que está nadando e, assim, cuidando da sua saúde”, conta. Os outros sócios da companhia são Marcin Cieslak (chief product officer e nadador olímpico da Polônia), Ryan Rosenbaum (chief marketing officer e nadador Masters e de Open Water) e Harrison Gibson (chief operating officer, técnico de natação) – estes dois últimos, norte-americanos.

 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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