Ilan vê perspectiva de a Selic permanecer mais baixa por mais tempo – Valor

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 10h51) Para o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, há perspectiva de a taxa de juro permanecer mais baixa por mais tempo e que a redução da Selic, para 6,75% ao ano, leve a reduções de juros para o tomador final. A queda da Selic passa para o tomador final, disse, “mas queremos que passe mais”. Ilan deu entrevista à rádio “CBN” e respondia aos questionamentos sobre a diferença entre o juro básico e o cobrado dos clientes nas agências bancárias. 

Segundo o presidente do BC, a instituição tem diversas medidas visando ampliar esse repasse, como a limitação da permanência do cliente no rotativo do cartão de crédito, e iniciativas para redução da taxa de juros do cheque especial. “Estamos aguardando autorregulação da Febraban sobre cheque especial”, afirmou.

Ilan também citou a criação do cadastro positivo, medida já aprovada no Senado e que agora será apreciada pelo Congresso. O presidente também citou as fintechs de crédito, que tendem a baratear o custo do dinheiro. “E estamos dando força para pequenos e médios bancos e para cooperativas. Isso vai aumentar a concorrência”, disse.

De acordo com ele, há uma defasagem entre as ações do BC e a queda das taxas para o tomador final. Ilan lembrou que quando, a instituição começou a reduzir a Selic em outubro de 2016, a incerteza na economia ainda estava elevada, “mas com a redução da incerteza o custo Brasil vai diminuir e as taxas, ao longo do tempo, vão cair”.

Ilan afirmou que o comportamento recente da inflação e das expectativas surpreendeu a todos, inclusive o BC. “As últimas taxas vieram mais baixas do que estávamos esperando. A inflação continua baixa e favorável”, disse. Ele respondia ao questionamento de ouvinte se essa queda da inflação e das expectativas permitiria nova redução na Selic, atualmente em 6,75% ao ano. O presidente do BC disse que gostaria que a taxa atual virasse uma taxa natural.

O Comitê de Política Monetária (Copom) vai decidir sobre eventual corte adicional na sua próxima reunião, marcada para os dias 20 e 21 de março.O BC comunicou uma possibilidade básica, que é de fim de ciclo, e uma alternativa, de nova redução no juro básico. “Vamos avaliar na próxima reunião”, disse Ilan.

O boletim Focus, divulgado nesta manhã, mostra Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,7% no fim de 2018, contra uma meta de 4,5% e uma projeção do BC de 4,2%. Para 2019, a mediana do mercado é de IPCA em 4,24%.

Ilan disse também que não ficou frustrado com saída da reforma da Previdência da pauta de votações do Congresso deste ano. Segundo ele, esse tipo de votação é muito difícil, mas percebeu uma melhora no debate. “Se entende a necessidade de isso acontecer para manter a inflação e os juros baixos”, afirmou.

Segundo ele, as contas públicas precisam também ficar em ordem para a taxa de juros permanecer baixa e as reformas têm de acontecer para a Selic permanecer baixa. “Acredito que os ajustes e a reforma da Previdência vão ter de acontecer. Pode não acontecer agora, mas tem de acontecer”.

Metas

Para Ilan, é um equívoco o BC ter meta de inflação e de crescimento. “Vamos ser bem claros. Meta de inflação leva a crescimento melhor”, disse na entrevista. Segundo ele, meta de inflação e crescimento é uma meta do governo como um todo, pois crescimento depende de produtividade e outros vetores que são observados por outras áreas do governo. “O BC nunca deixa de olhar o crescimento. Quando se estabiliza a inflação e os juros caem, você tem benefício. O BC, na sua função básica, já contribui para o crescimento”, afirmou.

De acordo com ele, ter duas metas simultâneas pode confundir. “E sabe como é no Brasil, pode acabar judicializando”, disse, comentando que o BC poderia ser cobrado por cumprir uma meta e não outra e que em ano eleitoral, poderia ser instado a olhar mais a meta de crescimento em detrimento da meta de inflação.

A discussão sobre duplo mandato ao BC ressurgiu junto com a proposta de autonomia formal para a autoridade monetária, medida que está em lista de ações prioritárias do governo após a saída de pauta da reforma da Previdência.

Sobre a autonomia da instituição, Ilan disse que a prática atual já é de “certa autonomia”. “O BC tem responsabilidade de baixar a inflação, mas se isso for colocado em lei, torna mudanças mais suaves, quando há troca de governo. Em outros países não tem mudança simultânea no BC [com a Presidência da República], e isso gera continuidade. Cai o prêmio de risco e o risco na economia como um todo também”, afirmou.

Ilan explicou que a escolha do comandante do BC continua sendo feita pelo presidente da República, mas há mandato fixo, não coincidente com a do presidente, e que isso permitiria à insituição “focar no que precisa, que é baixa a inflação e tornar o sistema financeiro estável”. Missão que fica facilitada pelo mandato fixo.

Durante a entrevista à CBN, o presidente do BC também foi questionando sobre a elevação de tarifas comerciais feitas pelos Estados Unidos no mercado de aço. Segundo Ilan, a ação é prejudicial, pois tende a deixar os preços mais altos, mas que a possível retaliação da China e outros países pode levar os EUA a voltarem atrás. “A questão, agora, é ter paciência e olhar.”

Fazenda

O presidente do BC disse ainda que, por dever de ofício, não comenta questões políticas. Ele disse que não foi convidado para assumir o Ministério da Fazenda, caso Henrique Meirelles deixe o cargo para concorrer às eleições presidenciais. “Ninguém bateu em porta nenhuma”, disse, ao ser questionado se teria sido sondado. “Estou bem no BC. Isso é uma tarefa inacabada e que gostaria de continuar fazendo.” Questionado sobre sua avaliação sobre Meirelles candidato afirmou: “Isso eu deixo para ele decidir”.

Fonte Oficial: Valor.

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