Recursos da China deixam oito países vulneráveis – Jornal do Comércio

A China está emergindo como um grande credor para seus aliados econômicos, assumindo projetos para atualizar estradas, portos e aeroportos, tornando-se uma influência financeira cada vez mais importante no cenário mundial. A China está financiando até US$ 8 trilhões em negócios como parte de sua iniciativa “Um cinturão, uma rota” em 68 países na Ásia, África e Europa.

Novos dados do Centro para o Desenvolvimento Global, um grupo de pesquisa internacional, estimam que o programa deixou oito países financeiramente vulneráveis: Djibuti, Quirguistão, Laos, Maldivas, Mongólia, Montenegro, Paquistão e Tajiquistão. Esses países representam posições no Sudeste Asiático (Laos), em uma cidade portuária africana (Djibuti), em um acesso para a Europa (Montenegro), em uma série de portos do Oceano Índico (Maldivas e Paquistão) e em uma rede de rotas rodoviárias e ferroviárias em toda a Ásia central conhecidas historicamente como a Estrada da Seda.

Montenegro está usando o financiamento chinês para construir uma super-rodovia que melhorará suas conexões com os vizinhos dos Balcãs. Tajiquistão e Quirguistão estão recebendo ferrovias, estradas, usinas hidrelétricas e um grande gasoduto. A Mongólia receberá financiamento para construir usinas hidrelétricas e uma rodovia do aeroporto para a capital.

No processo, os níveis de endividamento e a dependência desses países junto à China estão aumentando. A dívida do Quirguistão com projetos de infraestrutura deverá aumentar de 62% do Produto Interno Bruto (PIB) para 78%, e a participação da China nessa dívida passará de 37% para 71%. A participação da China na dívida do Djibuti, onde tem sua única base militar no exterior, aumentará de 82% para 91% do PIB como resultado do financiamento de infraestrutura, de acordo com os autores do estudo Scott Morris, John Hurley e Gailyn Portelance. Os dados foram reunidos a partir de relatórios públicos sobre projetos individuais.

Morris disse que essas tendências colocam as autoridades chinesas no centro das decisões financeiras se a dívida nesses países se tornar insustentável, suplantando o Fundo Monetário Internacional, os credores dos EUA ou privados em importância. “As regras são realmente que quem detiver a maior parte da dívida vai influenciar nas decisões”, disse Morris, que atuou como vice-secretário assistente de financiamento para o desenvolvimento no Tesouro norte-americano de 2009 a 2012.

Mais dois países – Camboja e Afeganistão – logo podem ter mais da metade de sua dívida externa associada à China – embora, ao contrário dos outros oito, o seu endividamento geral não tenha atingido níveis alarmantes.

 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!