Opinião econômica: Perto da vitória! – Jornal do Comércio

Rotineira e periodicamente, os jornais publicam os dados sobre desemprego no País. As informações sobre o ano fechado de 2017 são medonhas. A despeito da recente e suave recuperação da atividade econômica, há, ainda, no País, 26,4 milhões de pessoas subutilizadas.

Isso mesmo, os dados do IBGE trouxeram à luz essa categoria, dos subutilizados, que inclui muito mais gente do que os 12,3 milhões de desempregados. Nesse grupo estão também: 1) 4,3 milhões de desalentados, aqueles que desanimaram e desistiram de procurar trabalho; 2) 6,5 milhões de subocupados, os que trabalham menos horas do que gostariam; e 3) 3,3 milhões de integrantes da força de trabalho potencial, definição que engloba pessoas que não estão ocupadas nem desocupadas, mas têm potencial para se transformar em força de trabalho.

Esses são, com toda a certeza, os números mais importantes da realidade brasileira de 2017, ano que terminou com um crescimento modesto do PIB, de 1%. Saímos da recessão, contivemos a inflação abaixo da meta de 4,5%, mas nossa foto é, repito, medonha. Ninguém se escandalizou com ela, como se fosse uma sequela inevitável do combate à inflação.

Agora, houve uma novidade nesse contexto. Derrotado em sua batalha pela reforma da Previdência e sem possibilidade de propor mudanças na Constituição por causa da intervenção na segurança do Rio, o presidente Michel Temer lançou uma agenda com 15 medidas prioritárias para aprovação do Congresso. Entre elas, surpresa, está a proposta de autonomia do Banco Central (BC).

A novidade foi comemorada no mundo neoliberal, mas não por muito tempo. Logo se soube que o governo pretende dar autonomia ao Banco Central – com mandato fixo para o presidente, sem coincidência com o do presidente da República -, mas quer algo mais. Pretende exigir dele mais responsabilidades, um duplo mandato: perseguir uma meta de inflação e, ao mesmo tempo, manter uma taxa de emprego razoável.

“Esse mandato duplo funciona nos Estados Unidos, mas aqui, não”, apressaram-se a dizer os críticos do mercado. Ou seja, apelaram para a velha teoria da jabuticaba brasileira: “Aqui, as coisas são diferentes”. E são mesmo. Nos EUA, quando veio a crise de 2008, o BC adotou uma política heterodoxa, baixou os juros quase a zero e cuidou para que o desemprego não aumentasse muito. Logo, o BCE (Banco Central Europeu) foi convencido a adotar a mesma política e, juntos, os dois grandes blocos econômicos tiraram o mundo da recessão.

Os EUA praticamente desfrutam, hoje, do pleno emprego, com taxa de desocupação de 4%. Aqui, a autoridade monetária, pouco se lixando para o desemprego, manteve os juros no nível mais alto do mundo durante toda a recessão. Deu no que deu, 26,4 milhões de subutilizados, dos quais 12,3 milhões efetivamente desempregados.

O Brasil precisa das reformas, da Previdência e outras. Com ou sem elas, porém, não pode haver irresponsabilidade monetária. Ninguém está autorizado, em nenhum país civilizado, a destruir empregos e desagregar famílias para manter a inflação na meta. Seria como autorizar o médico a matar o doente para reduzir sua febre.

Vem aí a eleição. E ela está na mão de um candidato, político profissional ou não, que demonstre sensibilidade para essa chaga nacional. Quem der um alento a esses 26,4 milhões de subutilizados, seja de esquerda ou de direita, estará muitíssimo perto da vitória.

Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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