Empreendedores da oportunidade e da necessidade – Jornal do Comércio

Empreendedorismo


Notícia da edição impressa de 12/03/2018.
Alterada em 11/03 às 22h38min

Empreendedores da oportunidade e da necessidade

Lykawka largou estabilidade da carreira no Judiciário para se dedicar a lojas de café

CLAITON DORNELLES /JC

Pedro Carrizo

Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), lançado em janeiro deste ano, prevê uma taxa de desemprego para 2018 quase igual a de 2017. Se considerada apenas a região latino-americana, no entanto, haverá uma redução no indicador, passando de 8,2% em 2017 para 7,7% até 2019. Neste cenário, empreender torna-se uma alternativa viável de produção de renda, mas nem sempre é o caminho mais fácil.

Segundo o gerente da Regional Metropolitana do Sebrae-RS (que integra 37 municípios, considerando Porto Alegre), Paulo Bruscatto, existem dois tipos de empreendedores: os por necessidade, fenômeno mais comum no Brasil, e os que olham uma oportunidade e se lançam a partir daí. De acordo com Bruscatto, o segundo modelo tende mais ao sucesso financeiro. “Os empreendedores por necessidade têm muito mais dificuldades porque a demanda não está no cliente e, sim, na sustentabilidade do empreendimento. Já os que encontram um nicho de negócio, possuem mais vantagens.”

Ainda de acordo com o especialista, os empreendimentos voltados para o setor de serviços seguem os mais procurados. “Especialmente, a busca por capacitação na base tecnológica de serviços é grande, mas o campo da alimentação, da estética e da moda também é vasto em oportunidades”, diz o gerente da Regional Metropolitana do Sebrae-RS.

O empresário Carlos Eduardo Lykawka, dono das cafeterias Tostare Café e Armazém do Café, é um entre os empreendedores que decidiu arriscar a carreira em uma nova visão de negócio. Lykawka trabalhou na área de informática e gestão de pessoas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul por 10 anos, até abrir a Tostare Café, localizada no Shopping Centerlar, na avenida Sertório 8.000. “Nunca foi um sonho, era mais uma visão de negócio. Conheci e me interessei pela franquia em um evento sobre empreendedorismo. Guardei dinheiro para abrir e para me manter no negócio e fui tocando o projeto”, diz o empresário.

A cafeteria foi inaugurada acompanhando a fundação do Center Lar, em 2009 – o que permitiu vantagens na negociação do aluguel. “A dificuldade inicial foi a escassez de lojas, na época éramos nós e outra cafetaria, além do Zaffari e da Cassol, que são as âncoras do empreendimento”, diz o proprietário. Ele afirma que demorou dois anos até a estabilidade da Tostare Café.

Como dica, Lykawka ressalta a importância de ter um capital reserva quando surgir a possibilidade de empreender. Também declara que o trabalho é muito maior, e que sentir-se realizado é fundamental. “Com a crise financeira no País não tenho conseguido arrecadar mais do que quando trabalhava no tribunal, na realidade eu nunca ganhei mais, mas eu gosto muito mais do que faço”, ressalta. A Tostare Café só está representada em Porto Alegre pelo empreendimento no Shopping Centerlar.

Após a consolidação de sua primeira cafeteria, Lykawka lançou-se para a segunda, esta com uma nova proposta. “Queria fazer outro conceito de loja, com a venda de artigos relacionados ao tema café”, conta o proprietário também do Armazém do Café, localizado no Lindoia Shopping.

Barba, cabelo e bigode

Trainee da Gerdau, Mateus Grazziotin  hoje é dono da Barbearia Velho Tranquilo

Trainee da Gerdau, Mateus Grazziotin hoje é dono da Barbearia Velho Tranquilo

/CLAITON DORNELLES /JC

Outro exemplo de empreendedores que largaram o emprego fixo em busca do negócio próprio é o de Mateus Grazziotin, que começou a carreira como estagiário na área de logística da Gerdau. Apesar de ter crescido na empresa, largou a comodidade e, poucos anos depois, inaugurou a barbearia Velho Tranquilo, hoje com duas sedes em Porto Alegre.

Formado em comércio exterior pela Unisinos em 2006, Grazziotin trabalhou de 2004 a 2013 na empresa siderúrgica. Como trainee, passou por diferentes filiais até pedir as contas por insatisfação na rotina de trabalho e por não se sentir mais realizado com a função. “Tentei vários projetos antes da barbearia, todos voltados para o serviço”, diz o empresário. Ele se interessou pelo segmento de estética quando conheceu a Barbearia Independência, de Passo Fundo, sua terra natal. “A Independência foi a primeira que investiu neste novo conceito de barbeira no Rio Grande do Sul. Me interessei pelo negócio e acabei entrando como sócio das proprietárias.”

A sociedade não durou muito tempo e Grazziotin buscou criar sua nova marca. Comprou a parte das duas outras sócias e investiu mais R$ 250 mil para abrir a primeira barbearia Velho Tranquilo, em 2016, localizada na rua da República, 494. “Deu supercerto na Cidade Baixa, e a marca ganhou estabilidade mesmo com a concorrência grande”, diz o empresário. Ele acrescenta que a marca também tem ligação com sua história: “Tranquilo é o nome do meu avô, que foi empresário em Passo Fundo. Estou levando o nome da minha família no negócio, acho isso muito motivador”.

A segunda sede no |Moinhos de Vento completará um ano e a marca se encaminha para virar franquia. “Atualmente, meu negócio é mais lucrativo do que meu antigo trabalho”, diz Grazziotin. 

 

Publicitária investe em viagens patrocinadas

Roberta tem rendimentos de várias fontes, mas hoje prioriza a qualidade de vida

Roberta tem rendimentos de várias fontes, mas hoje prioriza a qualidade de vida

/SITE TERRITÓRIOS/DIVULGAÇÃO/JC

Ganhar dinheiro para viajar. O que parece ser um sonho para muitos, é o sustento da publicitária Roberta Martins. Há seis anos ela abastece o site Territórios com dicas de turismo, guias e relatos de suas rotas pelo mundo. “O site veio do hábito de escrever sobre minhas viagens desde criança, criei o blog para a família me acompanhar, mas foi crescendo muito”, relata a blogueira.

Antes Roberta trabalhou como designer em agências de publicidade em Porto Alegre e São Paulo. Ela explica que durante a graduação pela Unisinos e em seus primeiros estágios foi o período em que começaram a surgir os blogs, então o contato com a web começou cedo. O site se manteve despretensiosamente até chegar os convites para patrocínio das viagens. “Nunca tive estabilidade, trabalhei muito como freelancer, então foi mais fácil aceitar a proposta”, conta a empreendedora. 

Roberta explica que as fontes de renda do negócio são variadas, desde comissões por divulgação de hotéis, passagens aéreas, campanhas e passeios turísticos e seguros viagens, até a venda de seus guias e os acessos que acumula nas redes sociais do Territórios. “Hoje em dia, eu trabalho muito mais do que em qualquer empresa convencional”, ressalta. Em 2017, e empreendedora recebeu o prêmio de melhor conteúdo em blogs de viagem na Feira Internacional de Turismo de Madri – Fitur 2017, o que lhe rendeu mais acessos, convites para palestras e a valorização do seu trabalho. “Mesmo não tendo equilíbrio financeiro, com meses bons e outros ruins, minha qualidade de vida é muito melhor”, conclui Roberta.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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