Juros futuros revertem queda em meio a debate sobre Selic baixa – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado de juros futuros perdeu fôlego no período vespertino desta segunda-feira (12). No fim da sessão regular, as taxas mostravam variações apenas marginais, tendo revertido a queda do começo do dia. Os agentes financeiros ainda veem espaço para manter juros baixos por algum tempo, no entanto esta não é uma visão de consenso principalmente no que se refere a um futuro processo de normalização das condições monetárias.

As taxas projetadas pelos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) se aproximam da hipótese de Selic mais alta. O mercado precifica o juro básico perto de 9,35% no fim do ano que vem. No entanto, esse nível tem sido reduzido, aos poucos, conforme os investidores acompanham os sinais de inflação controlada e recuperação ainda gradual da atividade.

Nesta segunda-feira, foi o IPC-Fipe que traçou o cenário favorável de preços, ao marcar deflação de 0,42% na primeira leitura de março. O indicador mede os preços na cidade de São Paulo, servindo assim de termômetro ou de “proxy” no jargão do mercado, para os números correntes mais gerais.

Não é à toa que, faltando cerca de uma semana para a decisão do Copom, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reiterou que a trajetória de preços começou o ano abaixo do que era imaginado. Em evento durante esta manhã, o dirigente também comentou que o papel do BC hoje é sustentar a inflação e os juros baixos ao longo do tempo.

Esse equilíbrio – de juros e inflação baixa – pode ser pressionado ao longo do ano que vem quando já se espera o início de uma normalização das condições monetárias. Sinal das visões divergentes no mercado sobre esse processo, as expectativas coletadas pelo Boletim Focus contrastam com as projeções dos Top 5 de médio prazo. Na mediana das projeções, o grupo composto pelas cinco instituições mais acertam suas apostas trabalha com cenário de Selic a 9% em 2019. O resultado é um ponto percentual acima da leitura mais geral dos analistas.

Para Juan Jensen, sócio da consultoria 4E, o BC vai ter de apertar mais forte a política monetária porque o mercado de crédito vai ser destravado com a redução da incerteza eleitoral. A expectativa na 4E – que faz parte do restrito grupo – é de que a taxa básica de juros deve subir para 9%, num movimento que deve começar no primeiro trimestre do ano que vem. “A nossa visão é que o BC vai ter de apertar mais forte a política monetária porque o mercado de crédito vai ser destravado com a redução da incerteza eleitoral”, diz Juan Jensen, sócio da instituição.

Por outro lado, há fatores na economia que ainda podem inibir a alta de juros no ano que vem. O hiato do produto ainda elevado e o efeito da inflação baixa no reajuste de preços são frequentemente citados. Para o economista-chefe Cristiano Oliveira, está “muito longe” de acontecer um processo de alta de juros no Brasil. O economista aponta que boa parte da trajetória da Selic – que iniciou o atual ciclo em 14,25% – é estrutural. “A maior parte (do movimento) veio para ficar”, diz o especialista.

Em meio a essa discussão, os juros futuros chegam ao fim da sessão regular perto da estabilidade. O DI janeiro/2019 marcava 6,455% (6,450% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 apontava 7,280% (7,290% no ajuste anterior).

O DI janeiro/2021 cai a 8,240% (8,250% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 era negociado na estabilidade a 9,190% e o DI janeiro/2025 subia a 9,650% (9,630% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!