Salão do Estudante apresenta oportunidades fora do Brasil – Jornal do Comércio

TURISMO


Notícia da edição impressa de 12/03/2018.
Alterada em 11/03 às 20h52min

Salão do Estudante apresenta oportunidades fora do Brasil

Escolas de idioma e universidades internacionais orientarão estudantes sobre opções

SALÃO DO ESTUDANTE/DIVULGAÇÃO/JC

Pedro Carrizo

Na próxima quinta-feira, acontece o Salão do Estudante em Porto Alegre, feira de intercâmbio realizada em várias cidades. Para o evento, que ocorrerá na Associação Leopoldina Juvenil, são esperadas cerca de 2,5 mil pessoas. No local estarão reunidos representantes de escolas de idioma e de universidades internacionais, além de informações pertinentes para quem busca viajar à estudos.

De acordo com o gerente de Marketing e de Operações Internacionais do Salão do Estudante, Leandro Reis, a maior vantagem é poder pegar todas as informações em um só lugar. “O estudante irá encontrar tudo sobre passagens aéreas, vistos, acomodações, seguros saúde, além de conversar com alunos brasileiros que já estudaram fora do País”, diz Reis.

Neste ano, a edição do evento tem Portugal como País de Honra, devido ao grande contingente brasileiro que tem buscado oportunidades na terra lusitana. Segundo dados do Consulado-geral de Portugal em São Paulo, as solicitações de visto para estudar no país europeu subiram 35% em comparação a 2016. Um dos motivos para o expressivo crescimento é que Portugal passou a aceitar o Enem para ingresso em suas universidades e o custo da graduação é similar a do Brasil, em algumas situações é até mais em conta.

O Salão do Estudante terá a presença do Consulado Português para orientar os visitantes sobre vistos e requisitos necessários para estudar em Portugal. Representantes da Universidade de Coimbra, da Universidade de Lisboa e outras 33 universidades portuguesas também marcarão presença no pavilhão dedicado à informações sobre como estudar no país.

“Uma viagem internacional abre a mente das pessoas, faz pensar de uma forma mais global e ensina a lidar com as diferenças”, ressalta o gerente de Marketing e de Operações Internacionais do evento. Ele reitera que o Salão do Estudante é gratuito, mediante inscrição no site www.salaodoestudante.com.br, e que os stands ofertam desde intercâmbios para alunos do Ensino Médio até intercâmbios em família. 

Impressões da Terra dos desbravadores

Bernardes destaca o preço acessível para cursar mestrado no país

Bernardes destaca o preço acessível para cursar mestrado no país

/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC

O estudante de Arquitetura e Urbanismo pela Pucrs Guilherme de Oliveira Carlos, 22 anos, escolheu a tradicional Faculdade de Arquitetura, da Universidade de Lisboa, para estudar durante o segundo semestre de 2017. Carlos enaltece a qualidade de ensino em Lisboa e também explica que o custo de vida é muito parecido com o do Brasil. “No mercado, o pão, ovo, leite e outros produtos básicos são até mais baratos, mesmo com a conversão da moeda. O salário-mínimo deles é suficiente para o custo de vida lá”, conta.

Carlos não buscou trabalhar em Portugal para dar foco nos estudos, e também porque seu programa de intercâmbio, conveniado com a Pucrs, não permitia empregos formais durante a graduação. Porém, ele afirma que é difícil para o brasileiro conseguir uma vaga formal de emprego. “Conheci muitos que trabalhavam em festas, como garçom e outros trabalhos informais e temporários. Estes têm muito. Mas para funções formais existe um pouco de preconceito.”

O destino português escolhido por Pedro Cera, estudante de administração pela Mackenzie de São Paulo, foi a Cidade da Guarda – a mais alta de Portugal. Cera, de 20 anos, ficou de fevereiro de 2017 a fevereiro de 2018 estudando administração no Instituto Politécnico da Guarda, através da parceria do Instituto com a Mackenzie. “Quando concluir a minha universidade em São Paulo, vou poder retirar dupla diplomação, o que será muito bom para meu currículo”, afirma.

Cera ressalta que o custo de vida em Portugal é pequeno em comparação com a Europa, e o custo de vida em Guarda é ainda menor. “Eu conseguia viver com € 300 por mês”, diz. O estudante trabalhou em estágio curricular com a mediação do próprio Instituto Politécnico, sem remuneração. Bolsista pela Mackenzie, não precisou arcar com a matrícula no Instituto de Guarda, o que permitiu conforto financeiro para arcar com demais custos da vida fora do País. “Recomendo a todos que façam intercâmbio, a experiência é muito boa”, conclui Cera.

Também há quem busque o mestrado na terra lusitana, como é o caso de Guilherme Bernardes, de 28 anos, que saiu do Rio do Janeiro rumo ao Mestrado em Ciências Jurídicas pela Universidade de Lisboa. “Escolhi Portugal pelo preço do mestrado, que foi bastante acessível. Eu queria estudar seguros e o país tem uma boa legislação de seguros”, diz. Bernardes considera que o preço para habitação está muito alto em comparação com a qualidade dos apartamentos, mas que isso não chega a atrapalhar. “O povo é educado e a segurança é fenomenal. Você anda com o celular e mexe na carteira no meio da rua”, conta o mestrando. 

Cresce procura por intercâmbio em Portugal

A facilidade da língua é um dos fatores que tem levado Portugal a liderar a procura por intercâmbio pelos universitários gaúchos. Entre as mais cobiçadas, estão a Universidade de Coimbra e a de Lisboa, principalmente por serem campus tradicionais na Europa e não precisar da prova de proficiência em inglês.

Segundo o coordenador do International Office, setor de Intercâmbios da Uniritter, Rodrigo Rodembusch, o aumento de alunos inscritos no intercâmbio da faculdade para Portugal é de 200%, de 2016 para 2017. Considerando a mesma comparação, o aumento de inscrições para todos os destinos foi de 62%. A Uniritter oferece intercâmbio para 15 países e 22 instituições.

Rodembusch ressalta que por a Uniritter fazer parte de rede Laureate, o diálogo acadêmico fica mais fácil e as vantagens de intercâmbio são grandes. O coordenador lembra que existem muitas ofertas para os alunos da Uniritter. “Qualquer experiência de intercâmbio é válida, porque o amadurecimento do ser humano é o mais importante neste tipo de viagem. A jornada interna que o estudante construiu é o que mercado leva em consideração,” diz Rodembusch.

Entre os alunos da Pucrs que se candidatam para fazer intercâmbio, 80% é com destino à Portugal, segundo a Assessoria para Assuntos Internacionais e Interinstitucionais da instituição. Na terra lusitana, a Pontifícia Católica mantém convênio com 15 universidades diferentes contemplando todas as áreas de ensino. Ao todo, são 22 países ofertados pela universidade.

Os alunos da Pucrs que procuram viajar à estudo têm que cumprir uma série de requisitos. Entre eles, os principais são atender a um mínimo ou máximo de tempo cursado, ter média de notas compatível com o aceito pela universidade do outro país, além de fazer a prova de proficiência em inglês (se necessário), entrevistas em grupo e individual.

Dos 82 alunos da Ufrgs que fizeram intercâmbio neste semestre, 23 foram para Portugal, representando 28% do total de alunos que viajaram para o exterior. A universidade oferece intercâmbio, através de editais e processo seletivo, para 16 países. Segundo a Técnica em Assuntos Educacionais do Departamento de Mobilidade da Ufrgs, Fernanda Cardozo, o número só não é maior porque as principais universidades portuguesas têm vagas limitadas. “Temos diversos convênios com outras universidades de cidades menores mas a grande maioria dos alunos quer ir para Coimbra, Lisboa ou Minho. As universidades mais concorridas são a Universidade de Coimbra, de Lisboa e a do Porto”, diz Fernanda. 

Novas formas de viajar para Portugal

Fundada no período pós-Segunda Guerra Mundial por estudantes de seis países diferentes com a intenção de fortalecer as relações entre territórios e jovens cidadãos, a Aiesec promove modalidades de intercâmbio que proporcionam experiência variadas. A associação está no Brasil desde a década de 1980, com sedes em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis, Santos, Belo Horizonte, Curitiba, Brasilia, Vitória e Salvador.

De acordo com diretor de Intercâmbios Profissionais no Exterior da entidade, Eduardo Martins, a maior procura por parte dos brasileiros é para Portugal, principalmente Lisboa e Porto, na modalidade de Intercâmbio Voluntário.

Três tipos de intercâmbio da Aiesec:

  • Social: voltado para o trabalho em ONGs e escolas. Tem duração de seis a oito semanas e taxa entre R$ 1,5 mil e R$ 1,7 mil, além das passagens e assistência médica. Em 90% dos destinos já está incluída a alimentação e residência.
  • Empreendedor: para pessoas que buscam conhecer empresas inovadoras, voltado para imersão em startups e congressos de empreendedorismo. Tem duração de seis a 12 semanas e taxa entre R$ 1,5 mil e R$ 1,7 mil, além das passagens e assistência médica. Em 90% dos destinos, já estão incluídas alimentação e residência.
  • Profissional: destinado para quem busca desenvolver uma atividade profissional em empresas pequenas ou multinacionais no exterior. Tem duração de seis meses a um ano e é remunerado. Nesta modalidade, os custos como alimentação e residência são responsabilidade do viajante. A taxa nesta modalidade é de R$ 2,3 mil.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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