Parente diz que resultado da Petrobras é ‘bastante positivo’ – Jornal do Comércio

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, iniciou nesta quinta-feira (15), a entrevista coletiva para apresentar o resultado financeiro de 2017. A empresa registrou prejuízo de R$ 446 milhões no ano passado, uma melhora de 97% ante a perda de R$ 14,824 bilhões do exercício de 2016. “O resultado é bastante positivo. Estamos muito satisfeitos. Somos uma empresa previsível, que está dando mais condição de previsão dos resultados”, disse.

Segundo o executivo, o resultado foi diretamente influenciado pelo acordo firmado com investidores nos Estados Unidos para encerrar ação coletiva (Class action) contra a empresa na Justiça. O impacto foi de R$ 11,198 bilhões.

Outros fatores também afetaram o resultado, como a baixa contábil (impairment) de R$ 1,3 bilhão no setor de fertilizantes e o programa de regularização de débitos federais de R$ 10,43 bilhões. Todos esses fatores influenciaram a alavancagem, que aumentou do terceiro para o quarto trimestre. “Não fosse a class action, a alavancagem estaria praticamente inalterada”, disse Parente. A alavancagem da Petrobras medida pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido encerrou 2017 em 51%, abaixo da marca de 55% verificada ao término de 2016. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado atingiu 3,67 vezes, ante 3,54 vezes ao término de 2016.

“A solução da class action foi muito importante por eliminar o impacto que (uma possível derrota na Justiça dos EUA) teria no resultado, que poderia ser um múltiplo do valor pago”, afirmou Parente.

Segundo Parente, as medidas tomadas até agora fazem parte de um trabalho contínuo de garantir confiabilidade e previsibilidade ao desempenho da empresa. Por isso, afirma que os “efeitos qualitativos do resultado de 2017 são superiores aos numéricos”.

Ele ainda ressaltou a redução dos custos gerais negociáveis de 10%. E acrescentou que, pela primeira vez, a Petrobras publica um relatório integrado de sustentabilidade e relatório anual.

Questionado sobre a possibilidade de mudanças na política de preços de combustíveis, o presidente da Petrobra afirmou que “a atual política de preços está definida e continuará como está”. Ele evitou comentar falas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sobre possíveis alterações na cobrança dos tributos que incidem na gasolina e óleo diesel.

“A política de preços (dos combustíveis) traz os efeitos esperados”, disse Parente, acrescentando ainda que a empresa passou por um prazo de aprendizagem, que levou a um aumento da concorrência com importações, mas que, agora, a política está adequada.

Em coletiva de imprensa para apresentar o resultado financeiro de 2017, o diretor de Estratégia da empresa, Nelson Silva, reiterou ainda o investimento de US$ 17 bilhões neste ano.

O presidente da Petrobras disse acreditar que é possível a realização do leilão do excedente da cessão onerosa ainda este ano, como quer o governo. Ele afirmou que as negociações da comissão interministerial criada para discutir o acordo sobre a cessão onerosa com a Petrobras “estão avançando”.

“Estamos bastante positivos com o andamento das negociações da cessão onerosa”, disse Parente durante coletiva para comentar o balanço da companhia no quarto trimestre do ano passado.

O fechamento de um acordo sobre o preço do petróleo da cessão onerosa entre a Petrobras e o governo federal é fundamental para a realização do leilão da área excedente da cessão onerosa, já que é preciso definir o volume que seria vendido no certame e o que fica com a Petrobras.

Mais cedo, a diretora de Exploração e Produção da empresa, Solange Guedes, havia informado que as negociações da comissão, previstas para serem encerradas na segunda quinzena de março, serão prorrogadas até maio.

O prazo inicial estabelecido para o fim das negociações era a segunda quinzena de março, mas a estatal e o governo ainda não chegaram a um acordo sobre o preço de petróleo que será utilizado no encontro de contas entre as partes.

Em 2010, o governo capitalizou a Petrobras em troca de ações da empresa, em uma operação indireta que envolveu a cessão de blocos de petróleo no pré-sal da bacia de Santos.

O presidente da Petrobras afirmou que tudo que a empresa poderia fazer em relação à ação coletiva (class action) movida por investidores nos Estados Unidos foi feito. Por isso, em sua opinião, o tema “está resolvido”.

O pagamento de R$ 11,19 bilhões como compensação por prejuízos causados pela corrupção faz parte de um trabalho da Petrobras de reduzir passivos, o que, segundo Parente, melhora a previsibilidade dos próximos resultados da companhia. “Todo o trabalho relacionado à solução de passivos contingentes melhora a previsibilidade dos próximos resultados”, afirmou, em entrevista para comentar os resultados de 2017.

Além do acordo firmado nos Estados Unidos, a empresa registrou baixas contábeis no segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), de R$ 1,5 bilhão, e de mais R$ 1,3 bilhão em duas unidades de fertilizantes, na Bahia e Sergipe. Mas, daqui para frente, a expectativa é de que as baixas contábeis diminuam, disse o diretor financeiro, Ivan Monteiro.

O diretor financeiro, Ivan Monteiro, afirmou em coletiva sobre o resultado da empresa que o aumento da produção no ano passado, aliado ao aumento do preço de petróleo, compensou a redução da produção da empresa na área de refino. Ele ressaltou também que a gestão ativa da dívida da estatal está reduzindo o gasto com juros.

“A boa notícia fruto dos pré-pagamentos é que as despesas com juros começam a se reduzir, e vai continuar ao longo de 2018”, disse Monteiro. Ele destacou que a empresa vem realizando com sucesso o seu programa de desinvestimentos e que, de 2015 a 2017, recebeu US$ 11,5 bilhões, sendo em 2017 o maior volume de ganhos, US$ 6,4 bilhões. Para 2018, a expectativa é de vendas da ordem de US$ 2,2 bilhões, informou Monteiro.

O diretor informou que a perda de market share na venda de derivados começa a mostrar sinais de recuperação no início de 2018 e prevê para este ano o aumento nas vendas, tanto de gasolina como de diesel, mas não citou números.

Ele chamou a atenção para a redução do endividamento líquido da companhia, que passou de US$ 100,4 bilhões em 2015 para US$ 84,9 bilhões no ano passado. Para o final de 2018, a previsão é que a dívida esteja no patamar de US$ 77 bilhões. “Vamos continuar ativos na gestão da dívida, buscando oportunidades ao longo de 2018”, finalizou.

A Petrobras avalia duas alternativas para a Liquigás, após a proibição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) à venda para o Grupo Ultra, segundo Monteiro. Além de uma nova operação de fusão e aquisição, a estatal avalia venda por meio do mercado de capitais.

“O que posso dizer é que o ativo continua no programa (de desinvestimento) e ele será objeto de desinvestimento”, afirmou o executivo. “Qual a melhor forma que a gente vai perseguir é, dado aprendizado com o que ocorreu no Cade, se uma nova operação de fusão e aquisição normal ou operação via mercado de capital. Duas alternativas estão sendo estudadas.”

A Petrobras incorpora a receita com desinvestimentos em suas demonstrações contábeis de diferentes maneiras, dependendo do tipo da transação executada, segundo o diretor Financeiro. “Como na BR vendemos uma participação e continuamos como controladores, o resultado não vai para a linha de lucro, vai para o patrimônio líquido. Diferentemente do que acontece quando a gente se desfaz de 100% do ativo”, disse o executivo.

No caso da BR, o IPO não contribuiu para gerar lucro e, portanto, para o pagamento de dividendos. Monteiro negou, no entanto, que os acionistas tenham sido prejudicados. “Uma coisa é a contabilidade, a outra é o benefício para o investidor. A valorização da ação mostra que foi um grande benefício para o investidor. A companhia se valorizou mais de 50% desde o período do IPO (da BR, em dezembro)”, afirmou.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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