Sociedade tem que assumir país como seu, afirma Luiza Trajano – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 15h38) Qualquer candidato à presidência que seja eleito neste ano não será o responsável por resolver a situação do Brasil, segundo a empresária e fundadora da Magazine Luiza, Luiza Trajano. “A eleição não vai fazer milagre”, disse, nesta quinta-feira a jornalistas após participação em um dos painéis do Fórum Econômico Mundial da América Latina, em São Paulo. “É importante que a sociedade civil assuma o país como seu.”

Para ela, “a luz no fim do túnel” é que a própria sociedade civil tem hoje maior consciência de que “precisa ser protagonista e não pode terceirizar” a administração do país. “Não dá para esperar tudo dos políticos. É isso que está me animando”, afirmou. Luiza evitou traçar qualquer cenário para a eleição. “Eu não sei o que pode acontecer. Se alguém souber, me ensine”, disse.

Durante sua participação no painel, a executiva cobrou que o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (Psol), cometido na noite de quarta-feira, seja investigado e os responsáveis, punidos. Aos jornalistas, reforçou a sua posição. “A sociedade não pode aceitar em um país democrático, onde a gente fala tudo o que quer, uma morte porque alguém falou que a polícia invadiu”, disse, citando as denúncias de violência policial feitas por Marielle. “Não estou falando que é a polícia [a responsável pelo crime], não quero julgar. Mas tem que descobrir quem fez isso. Não pode ficar impune.”

Luiza, que hoje é presidente do conselho de administração da Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo do país, afirmou também que o consumo terá papel importante na recuperação econômica. “O Brasil precisa construir 23 milhões de casas próprias em dez anos para ter um nível de igualdade social. As pessoas têm direito de ter a sua casa própria, a sua geladeira, a sua televisão”, disse.

Preocupação com o eleitor

Para presidente do banco Itaú, Candido Bracher, assim como as empresas estão cada vez mais voltadas a desenvolver atividades preocupadas com seus clientes, as lideranças políticas deveriam fazer o mesmo com os eleitores, afirmou , presidente do Itaú Unibanco. “As boas lideranças são aquelas capazes de ouvir os seus eleitores”, disse o executivo, durante participação no fórum.

Segundo ele, há um grande paralelo entre a gestão de uma empresa e a atividade política. “Existem aprendizados que podem ser extraídos para gestão pública”, afirmou. O avanço da tecnologia permite hoje aos governantes ouvirem as necessidades dos cidadãos, disse Bracher.

Ao falar sobre liderança, ele lamentou o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e afirmou desejar que o caso seja esclarecido com a maior rapidez possível.

Questionado se os bancos podem ser amados por seus clientes, Bracher afirmou ser difícil. “Sempre estaremos sujeitos a frustrar os clientes em alguma medida. Nosso trabalho é ter humildade para reconhecer que o esforço de melhora contínua é necessário”, acrescentou.

Para o presidente do Itaú Unibanco, uma das funções fundamentais do setor bancário na promoção do crescimento é se manter saudável. “Não se tem notícia de economia crescendo sem um sistema financeiro saudável”. Ele também defendeu que as instituições tenham uma visão de país mais ampla do que o negócio bancário. “É preciso saber que alavancamos o crescimento ao permitir que as pessoas satisfaçam suas necessidades de consumo e grandes empresas possam financiar seus projetos”, disse.

Fonte Oficial: Valor.

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