Brasil espera publicação das tarifas do aço para pedir recurso aos EUA – Jornal do Comércio

O ministro interino da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Jorge, afirmou nesta quinta-feira que o governo brasileiro está aguardando a publicação das regras da sobretaxa para a importação do aço e de alumínio pelos Estados Unidos para, em seguida, encaminhar o recurso contra a medida a Washington.

“Estamos aguardando a publicação pelo governo norte-americano. Estamos falando ainda de anúncios, não tivemos acesso a papel publicado”, disse o ministro a jornalistas durante o Fórum Econômico Mundial na capital paulista. “É preciso ter acesso ao inteiro teor.” O prazo para o recurso começa a valer somente após a publicação das normas.

Marcos Jorge e o ministro das relações exteriores, Aloysio Nunes, devem ir novamente aos EUA para tentar entender de que forma vai funcionar o recurso. O ministro disse que o governo brasileiro já vem mantendo conversas com a Casa Branca sobre o caso e o próprio Jorge se reuniu recentemente com o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross. Além disso, a embaixada brasileira em Washington está em contato direto com técnicos do governo norte-americano. “Estamos atuando no âmbito bilateral junto aos EUA para tentarmos no âmbito do recurso convencê-los da não aplicação para o Brasil da tarifa”, disse ele.

A decisão de Donald Trump de elevar a taxa cobrada na importação de aço para 25% e do alumínio para 10% terá impacto muito forte tanto para o Brasil como para os norte-americanos, avalia o ministro. “Há uma complementariedade no setor siderúrgico”, disse ele, destacando que 80% do aço exportado daqui para os EUA é de produto semiacabado.

Esse produto semiacabado, explicou Jorge, é usado pela própria indústria siderúrgica dos EUA para a transformação. Assim, a sobretaxa terá impacto nos preços dentro do mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, boa parte do carvão usado na siderurgia brasileira vem do mercado norte-americano. “Somos o principal importador desse produto”, disse ele.

No caso brasileiro, a decisão de Trump pode trazer prejuízos como o desligamento de fornos das siderúrgicas e também de perda de postos de trabalho. Por ter essa relação de complementariedade, o ministro disse que o Brasil não representa riscos para a indústria dos EUA e, além disso, os norte-americanos têm superávit na balança comercial com o Brasil. “Nos últimos 10 anos, a balança comercial foi favorável para os americanos.”

O ministro disse que a estratégia inicial do Brasil será a negociação bilateral, mas o Planalto não descarta nenhuma hipótese. Na quarta-feira, o presidente Michel Temer disse que o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as negociações com a Casa Branca não avancem. “Temos a convicção que pela boa relação que temos com os EUA e com o anúncio da Casa Branca de que haverá possibilidade de exclusão de países que se enquadram como na relação que o Brasil tem, vamos poder retirar o País dessa situação”, afirmou Marcos Jorge.

 

Depois de três anos de queda, o consumo de produtos importados cresceu em 2017 no Brasil. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), de cada 100 produtos vendidos no Brasil no ano passado, 17 eram importados.

Em 2013, 18,2% dos produtos vendidos no mercado interno eram estrangeiros. Desde então, esse percentual caiu, chegando a 16,4% em 2016. Em 2017, subiu para 17%. Os importados também voltaram a ganhar participação no total de insumos utilizados pela indústria. Em 2013, a participação desses produtos era de 26,1%. Em 2014 começou a cair, chegando a 22,5% em 2016. Em 2017, foi de 23,5%.

Além do aumento de importados, a participação dos produtos exportados manteve-se praticamente constante, interrompendo uma sequência de altas que vinha desde 2015. O coeficiente de exportação da indústria de transformação passou de 15,7% em 2016 para 15,6% em 2017.

O coeficiente mede a importância das vendas externas para o setor. Em 2017, a indústria de transformação cresceu 3,6% do volume produzido, seguido de aumento menor do volume exportado (2,3%). Com isso, o coeficiente caiu 0,1 ponto percentual, o que corresponde ao recuo de 1,2%.

A economista da CNI Samantha Cunha defendeu que o aumento da participação dos importados no mercado nacional e a perda da importância das exportações na produção da indústria decorrem da recuperação do consumo interno e da valorização do real diante do dólar. Segundo a CNI, o crescimento da demanda repercute nas importações e na produção para o mercado doméstico, aumentando sua importância relativa para a indústria. A apreciação do real estimula as importações e desestimula as exportações. Entre 2015 e 2017, o real valorizou 13,4% frente à cesta de moeda de seus principais parceiros comerciais.

O estudo apresenta os resultados de quatro coeficientes: o de exportação, que mede a participação das vendas externas no valor da produção da indústria de transformação; o de penetração de importações, que acompanha a participação dos produtos importados no consumo brasileiro; o de insumos industriais importados, que aponta a participação dos insumos industriais importados no total de insumos industriais adquiridos pela indústria de transformação; e o de exportações líquidas, que mostra a diferença entre as receitas obtidas com as exportações e as despesas com a importação de insumos industriais, ambas medidas em relação ao valor da produção.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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