Suzano crê ter maioria de votos de minoritários para aprovar operação – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 17h13) O presidente da Suzano papel e celulose, Walter Schalka, disse nesta sexta-feira que a companhia não teme uma eventual rejeição da operação por parte dos acionistas minoritários da Fibria. “Dos dois lados (Fibria e Suzano) há maioria para aprovação”, disse o executivo. Segundo Schalka, a companhia está “absolutamente tranquila em dizer que a operação cria valor a todos os acionistas”. As sinergias, estimadas em até R$ 10 bilhões, são a principal fonte dessa geração de valor.

Questionado sobre a queda das ações da Fibria após o anúncio do acordo para fusão, que poderia indicar que a proposta foi mal recebida por esses acionistas, o executivo afirmou que não podia julgar se o papel está caro ou barato. Mas o comportamento na sessão de hoje, segundo ele, poderia refletir um ajuste de preços, uma vez que as ações da Fibria podem ter subido nos últimos dias em decorrência da especulação de valores envolvidos na transação. “É preciso olhar para o que aconteceu com a ação atrás, não hoje”, disse Schalka.

Já com a aposta na aprovação pelos acionistas, a Suzano informou também que vai segurar quaisquer planos de expansão para evitar que seu perfil de crédito se deteriore muito, informou o presidente da Suzano. Para a empresa, o “comprometimento firme” com a manutenção do grau de investimento em sua nota de crédito pelas agências de classificação de risco é considerado importante.

A união com a Fibria deixará a nova companhia com uma alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, próxima a 3,5 vezes. A meta, no longo prazo, é manter esse índice mais confortável, entre 2 e 3 vezes. Mas, caso a alavancagem ultrapasse por mais tempo esse patamar de 3,5 vezes, a companhia poderá limitar a distribuição de dividendos e investimentos além daqueles necessários para a manutenção dos ativos.

“O nosso acordo diz que, caso a alavancagem passe das 3,5 vezes, devemos segurar os investimentos além de manutenção para 10% do que fizemos no ano anteriores”, contou Marcelo Bacci, diretor financeiro da produtora de papel e celulose. “Teremos de ser muito disciplinados financeiramente para pagar esse preço de compra, de R$ 29 bilhões”, acrescentou Schalka.

Sobre as sinergias anunciadas de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões, a diretoria explicou que as previsões não incluem ganhos que seriam possíveis no lado tributário pela combinação das operações. Será criada uma equipe interna em breve, para já discutir como integrar a Fibria como uma subsidiária da Suzano e começar a capturar as potenciais sinergias “desde o primeiro dia”.

Schalka explicou também que, pela fatia da nova empresa que ficará nas mãos do BNDESPar, braço de participações do banco de fomento, de 11%, a entidade poderá indicar um membro ao conselho de administração. Para que isso ocorra, é possível que a companhia eleve o número de cadeiras no colegiado, de nove para dez. Atualmente, há três representantes da família, dois ligados aos Feffer e quatro independentes.

O presidente da Suzano destacou ainda que, pelo acordo de combinação, não haverá o chamado “lock-up” das ações que ficarão com os atuais sócios da Fibria — ou seja, eles não terão qualquer impedimento para vender sua participação na hora que julgarem interessante.

Por sua vez, o diretor financeiro da Suzano afirmou que a fusão com a Fibria terá uma geração de valor, medida pelo fluxo de caixa aos acionistas, de R$ 4,59 por ação, ante R$ 3,20 hoje da Suzano — o que representa assim um ganho de 44%. A projeção foi realizada com base na média de seis bancos: Bank Of America Merrill Lynch, Bradesco BBI, BTG Pactual, J.P. Morgan e Morgan Stanley.

Bacci explicou que do fluxo de caixa por acionista hoje da Suzano, de R$ 3,20, haverá uma redução de R$ 0,61 com a diluição, diante da emissão de 255 milhões de ações, e R$ 1,19 com juros da nova dívida. A Fibria, contudo, acrescentará R$ 3,19. “Haverá geração de muito valor para o acionista”, afirmou o executivo.

Fonte Oficial: Valor.

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