Suzano vai adiar planos de expansão para manter ‘perfil de crédito’ – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 16h59) Após anunciar a compra integral da Fibria, a ser paga com uma junção de dinheiro e ações, a Suzano quer segurar quaisquer planos de expansão para evitar que seu perfil de crédito se deteriore muito, afirmou o presidente da Suzano, Walter Schalka, em teleconferência com analistas. Para a empresa, o “comprometimento firme” com a manutenção do grau de investimento em sua nota de crédito pelas agências de classificação de risco é considerado importante.

A união dos ativos deixará a nova companhia com uma alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, próxima a 3,5 vezes. A meta, no longo prazo, é manter esse índice mais confortável, entre 2 e 3 vezes. Mas, caso a alavancagem ultrapasse por mais tempo esse patamar de 3,5 vezes, a companhia poderá limitar a distribuição de dividendos e investimentos além daqueles necessários para a manutenção dos ativos.

“O nosso acordo diz que, caso a alavancagem passe das 3,5 vezes, devemos segurar os investimentos além de manutenção para 10% do que fizemos no ano anteriores”, contou Marcelo Bacci, diretor financeiro da produtora de papel e celulose. “Teremos de ser muito disciplinados financeiramente para pagar esse preço de compra, de R$ 29 bilhões”, acrescentou Schalka.

Sobre as sinergias anunciadas de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões, a diretoria explicou que as previsões não incluem ganhos que seriam possíveis no lado tributário pela combinação das operações. Será criada uma equipe interna em breve, para já discutir como integrar a Fibria como uma subsidiária da Suzano e começar a capturar as potenciais sinergias “desde o primeiro dia”.

Schalka explicou também que, pela fatia da nova empresa que ficará nas mãos do BNDESPar, braço de participações do banco de fomento, de 11%, a entidade poderá indicar um membro ao conselho de administração. Para que isso ocorra, é possível que a companhia eleve o número de cadeiras no colegiado, de nove para dez. Atualmente, há três representantes da família, dois ligados aos Feffer e quatro independentes.

O presidente da Suzano destacou ainda que, pelo acordo de combinação, não haverá o chamado “lock-up” das ações que ficarão com os atuais sócios da Fibria — ou seja, eles não terão qualquer impedimento para vender sua participação na hora que julgarem interessante.

Por sua vez, o diretor financeiro da Suzano afirmou que a fusão com a Fibria terá uma geração de valor, medida pelo fluxo de caixa aos acionistas, de R$ 4,59 por ação, ante R$ 3,20 hoje da Suzano — o que representa assim um ganho de 44%. A projeção foi realizada com base na média de seis bancos: Bank Of America Merrill Lynch, Bradesco BBI, BTG Pactual, J.P. Morgan e Morgan Stanley.

Bacci explicou que do fluxo de caixa por acionista hoje da Suzano, de R$ 3,20, haverá uma redução de R$ 0,61 com a diluição, diante da emissão de 255 milhões de ações, e R$ 1,19 com juros da nova dívida. A Fibria, contudo, acrescentará R$ 3,19. “Haverá geração de muito valor para o acionista”, afirmou o executivo.

Fonte Oficial: Valor.

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