Falta de investimento impede divulgação do Brasil no exterior – Jornal do Comércio

TURISMO


Notícia da edição impressa de 19/03/2018.
Alterada em 18/03 às 22h35min

Falta de investimento impede divulgação do Brasil no exterior

Belezas naturais brasileiras recebem baixo número de visitantes

/A. DUARTE/VISUALHUNT/DIVULGAÇÃO/JC

Apesar de seu grande potencial em recursos naturais e culturais, o Brasil não tem conseguido atrair tantos turistas estrangeiros quanto outros países. Além de problemas estruturais, a falta de investimento do governo federal na área prejudica a divulgação do País no exterior, apontam especialistas.

Para o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz, é essencial que haja uma compreensão e um planejamento estrutural do turismo no Brasil como uma área importante para o crescimento da economia, a exemplo de países vizinhos, como Colômbia, Peru e Argentina, que tiveram um avanço do setor maior do que o do Brasil nos últimos anos.

Segundo ele, o País divulga pouco até mesmo seu envolvimento em áreas em que é líder, como a exportação de suco para a Europa. Lummertz citou a falta de exploração de recursos naturais como uma oportunidade desperdiçada pelo Brasil: “66% do território nacional é ocupado por parques e reservas, mas eles recebem só 9 milhões de visitantes. Nos Estados Unidos, com uma área muito menor, 330 milhões de turistas vão a esses lugares todos os anos”, afirmou.

De acordo com o presidente da Embratur, no ano passado, o crescimento de Portugal foi de 4%, e teria sido de -1% se não houvesse o turismo. “É esse nível de compreensão da importância do setor para a economia que temos de buscar para o turismo do Brasil”, disse.

Lummertz também defendeu a possibilidade de transformação da Embratur em um organismo semelhante ao Sebrae, que preste apoio e incentivo às micro e pequenas empresas da área de turismo, em um projeto de lei que deverá ser votado no Congresso em breve.

A professora de pós-graduação em administração da Unigranrio Deborah Moraes Zouain destacou a importância de utilizar mecanismos que promovam a interatividade entre os cidadãos, como as redes sociais, para melhorar a imagem passada pelo País no exterior e também a comunicação com a população, diminuindo problemas de organização no caso de megaeventos, como as Olimpíadas do Rio de Janeiro.

“No Rio, as redes sociais explodem com o que tem de negativo, como a violência. Para melhorar isso, é preciso trabalhar a interação entre todos os atores da cadeia de turismo e atuar na revitalização de áreas da cidade. Esse é um gargalo que tem levado a dificuldades do desenvolvimento econômico”, disse.

O papel dos órgãos ligados ao turismo é o de interagir e cobrar recursos do governo para a área, segundo a presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Magda Nassar.

País precisa reduzir taxas e impostos para atrair turistas

Investimento em infraestrutura, redução de taxas fiscais e promoções com foco em países da América Latina são ações fundamentais para incentivar a vinda de turistas estrangeiros ao Brasil. Estas foram uma das conclusões dos especialistas que participaram do seminário Turismo e a Internacionalização do Brasil, realizado na semana passada em São Paulo.

Os turistas de países emergentes, principais consumidores em curto prazo, têm como prioridade visitar os Estados Unidos e a Europa, segundo Francisco Costa Neto, CEO do grupo Rio Quente. Para o empresário, o foco deveria ser voltado para visitantes de nações vizinhas, como Argentina, Chile e Colômbia. “Nós somos caros, com um custo de mão de obra caro e um problema de segurança evidente”, afirmou.

De acordo com dados da Embratur, o turismo representou 3,7% do PIB brasileiro do último ano, envolvendo 52 segmentos diferentes. Roberto Fantoni, sócio da consultoria McKinsey & Company Brasil, defendeu mais investimentos para a área de turismo ao citar a importância do setor e o potencial de crescimento. “É um setor importante em todas as economias do mundo. Além disso, é uma fonte de recursos externos, uma fonte relevante de atividade econômica e oportunidade de desenvolvimento social e econômico.”

Seja por via aérea ou marítima, o alto custo das taxas fiscais e cargas burocráticas são entraves que desestimulam a visita de estrangeiros ao País. Segundo José Mário Caprioli, presidente do comitê executivo da Azul Linhas Aéreas, um voo que parte de São Paulo para Recife é 25% mais oneroso à empresa, e, consequentemente, aos passageiros, do que um com destino a Buenos Aires.

O valor do ICMS sob o combustível também torna o roteiro dos cruzeiros nacionais mais caros do que os estrangeiros. Somando todas as despesas, operar no Brasil custa 50% a mais do que em qualquer outro lugar do mundo, segundo Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil (Cruise Lines International Association).

Agências de viagens, parques temáticos e apps cobram mudanças

O tamanho continental garante diferentes tipos de turismo dentro de um mesmo Brasil, mas exige, igualmente, múltiplos desafios. As agências de viagens corporativas buscam aquecer o negócio, mesmo com a crise econômica atingindo as empresas, que acabam por não priorizar as viagens dos profissionais ou por tentar baratear todos os custos.

“As organizações precisam entender as viagens como aliadas, uma necessidade na busca de novos negócios que, no fim, vai girar a economia, em um ciclo de crescimento natural”, disse Rubens Schwartzmann, presidente do conselho de administração da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas).

Já no segmento de parques temáticos, a cobrança é outra: a diminuição dos tributos para compra e instalação de equipamentos de grande porte, como montanhas-russas. “Sem isso, não dá para competir com outros parques no resto do mundo. Comprar uma montanha-russa no Brasil é três vezes mais caro do que nos Estados Unidos”, afirmou José David Xavier, presidente do Hopi Hari.

Outro segmento com grande potencial no País é o das hospedagens via aplicativos, como o Airbnb. A gerente de políticas públicas da empresa no Brasil, Flavia Matos, afirmou que um dos caminhos para aumentar a competitividade do setor é a digitalização da promoção turística e dos serviços turísticos.

Além disso, o País precisa oferecer um mix de produtos, que democratize as viagens, e estimular uma melhor distribuição entre os diferentes atores e locais, segundo ela. “No ano passado, 43% das pessoas disseram, na nossa pesquisa, que não teriam viajado ou não teriam ficado tanto tempo em um lugar se não fosse o Airbnb”, afirmou Flavia.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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