Cometemos erros, admite presidente do Facebook – Jornal do Comércio

O cofundador e presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, rompeu ontem o silêncio sobre o escândalo de vazamento de dados de usuários que foram usados para influenciar na eleição de Donald Trump. “Cometemos erros”, disse Zuckerberg, em publicação na rede social.

“Temos responsabilidade em proteger seus dados, e, se não conseguimos, não merecemos servir a você”, escreveu. “Estou tentando compreender exatamente o que aconteceu e o que fazer para que não ocorra de novo”, disse Zuckerberg.

No sábado, o jornal The New York Times revelou que a Cambridge Analytica, que participou da campanha de Trump, obteve dados sigilosos de 50 milhões de usuários do Facebook e usou as informações para ajudar a eleger o presidente norte-americano em 2016.

Segundo o jornal, o roubo dos dados foi feito por meio do aplicativo thisisyourdigitallife, da empresa GSR (Global Science Research), que pagava usuários para responderem uma série de perguntas e, em troca, a pessoa consentia que o programa tivesse acesso às suas informações no Facebook, como localização e “likes”.

O aplicativo, porém, não avisava que, além dos dados dos usuários, também captava as informações de todos os amigos, chegando ao total de 50 milhões de pessoas. Esses dados foram vendidos, então, pela GSR para a Cambridge Analytica.

Na terça-feira, a Comissão Federal do Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos anunciou que está investigando o Facebook sobre o suposto uso ilegal de dados pessoais.

Ontem, o cofundador do aplicativo de mensagens WhatsApp Brian Acton incentivou os usuários do Facebook a deletarem suas contas na plataforma, em meio à pior crise vivida pela rede social desde sua criação.

Em postagem no Twitter na terça-feira, Acton escreveu: “It is time. #deletefacebook” (“É hora. #deletefacebook”).

A manifestação de Acton tem peso porque ele e Jan Koum, fundador do WhatsApp, venderam o aplicativo para o Facebook em 2014 por cerca de US$ 20 bilhões. Mesmo depois da venda, Acton trabalhou até 2017 no WhatsApp.

 

O Ministério Público do Distrito Federal abriu inquérito para apurar se as suspeitas de uso ilegal de dados de usuários do Facebook pela consultoria britânica Cambridge Analytica atingiram os brasileiros com contas na rede social.

O Inquérito Civil Público (ICP) foi instaurado por meio da Comissão de Proteção dos Dados Pessoais, da 2ª Promotoria de Justiça Criminal e da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, “considerando que existem suspeitas de que a Cambridge Analytica pode estar fazendo uso, de forma ilegal, dos dados pessoais de milhões de brasileiros, usuários do Facebook ou não, para fins da construção de perfis psicográficos em escala nacional e regional”.

Para a abertura do inquérito, o ministério diz ter considerado “a gravidade dos fatos, o risco de prejuízos relevantes aos consumidores e a quantidade de possíveis titulares dos dados pessoais afetados. “Além disso, cita que foram abertas diversas frentes de investigação para apurar o caso pelo mundo, como a da Comissão Federal de Comércio dos EUA.

Segundo os promotores Frederico Meinberg Ceroy e Paulo Roberto Binicheski, deve ser intimado para depor André Torretta, presidente da Ponte Estratégia, que anunciou, em 2017, um acordo operacional com a Cambridge Analytica no Brasil.

Torretta disse ter sido surpreendido pelo noticiário envolvendo a Cambridge. “Tomei um susto”, declarou o empresário. “Não tive nunca acesso aos dados que estão dizendo por aí.”

Em nota no sábado, a Ponte Estratégia havia anunciado a suspensão do acordo com a Cambridge “até que tudo seja esclarecido”. O presidente da empresa deu a entender que não há perspectiva de retomada: “difícil a galinha voltar para o ovo”.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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