Recessão fez Idese ter queda de 0,8% em 2015 – Jornal do Comércio

Auge da crise econômica no Brasil, 2015 foi, também, um ano de redução no desenvolvimento socioeconômico do Rio Grande do Sul. A constatação é do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese), que caiu de 0,757, em 2014, para 0,751 no ano seguinte, diminuição de 0,8%. É a primeira queda na atual série histórica do índice, iniciada em 2007, e não há dúvidas quanto ao seu motivo: mesmo com os eixos Educação e Saúde apresentando melhorias ( 0,2% e 0,5%, respectivamente), o eixo Renda, com forte queda de 3,1%, mais do que compensou os efeitos.

Calculado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Idese é mensurado de acordo com os três blocos, cada um respondendo por um terço do peso do índice geral. Ao todo, são levados em conta 19 indicadores, entre eles a escolarização entre adultos, os resultados dos estudantes de Ensino Fundamental na Prova Brasil, a longevidade e a mortalidade infantil, por exemplo, com o objetivo de entender a situação geral do Estado e permitir a comparação entre os municípios e regiões gaúchas.

Segundo o coordenador do Núcleo de Indicadores Sociais da FEE, Rafael Bernardini, o fato de ser restrito ao Rio Grande do Sul permite que o Idese leve em conta indicadores específicos à realidade gaúcha, sendo, portanto, um retrato mais fiel do que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), por exemplo.

No bloco Renda, por exemplo, são utilizados a renda per capita e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O resultado encontrado para a Renda em 2015, de 0,739, é praticamente o mesmo de 2012 – e, apenas no item que leva em conta o PIB, o recuo é ainda maior, para os patamares de 2011. “Houve grande queda, entretanto, também na apropriação da renda (-4%), ou seja, os salários, pois foi em 2015 que o desemprego começou a estourar no Rio Grande do Sul”, acrescenta Bernardini.

Já sobre os outros blocos, o pesquisador argumenta, ainda, que a Educação poderia ter contribuído mais para amenizar os efeitos da queda na renda dos gaúchos. O motivo é que, embora quatro dos cinco indicadores utilizados tenha registrado aumento, um deles, o que mede o percentual de jovens matriculados no Ensino Médio, registrou queda, de 4,44%. A redução, ainda que venha acontecendo repetidamente nos últimos anos, chama a atenção dos pesquisadores, que não identificaram as causas. “Temos hipóteses, como a própria recessão e as repetências no Ensino Fundamental, que atrasam a chegada no Ensino Médio”, comenta Bernardini.

Por fim, no eixo Saúde, que é historicamente onde o Rio Grande do Sul tem os seus melhores resultados, a tendência teve continuidade, com crescimento em todos os quesitos (saúde materno-infantil, condições gerais de saúde e longevidade).

Entre os municípios, melhores indicadores estão na Metade Norte; Carlos Barbosa lidera

Na avaliação dos índices municipais e regionais, não houve novidade em 2015 quanto à série histórica do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese). Na liderança do ranking, pelo sexto ano seguido, está Carlos Barbosa, na Serra, com um índice de 0,879. Além disso, todos os outros municípios que integram a lista dos 10 primeiros (Água Santa, Nova Araçá, Aratiba, Nova Bassano, Veranópolis, Ipiranga do Sul, Garibaldi, Paraí e Bozano) estão nas regiões Norte, Nordeste e Noroeste.

“Todos os municípios no topo do ranking seguem a lógica da Serra e do Planalto, de pequenos municípios com a economia baseada em pequenas propriedades”, analisa o coordenador do Núcleo de Indicadores Sociais da FEE, Rafael Bernardini. O pesquisador lembra, entretanto, que é difícil comparar cidades pequenas com as maiores, que enfrentam, geralmente, desafios mais complexos. Mesmo entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, porém, o melhor Idese é o de Bento Gonçalves, com 0,831, seguido por Porto Alegre, Erechim, Santa Cruz do Sul e Caxias do Sul. Entre os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), o melhor indicador é o do Noroeste Colonial, com 0,816.

Já o pior resultado em 2015, entre as cidades gaúchas, foi o de Dom Feliciano, com índice de 0,567. O município do Centro Sul (região que é também a pior avaliada, com índice de 0,680) é seguido por Alvorada, Jaquirana, Capão do Leão e Redentora. A Região Metropolitana de Porto Alegre também está representada na parte de baixo da tabela com Viamão, o sexto pior índice.

Segundo Bernardini, a queda vista no Estado como um todo se espalhou de maneira generalizada entre as cidades. Dos 497 municípios gaúchos, 341 registraram queda no Idese. Além disso, quase todos, 439, caíram no eixo Renda. O pesquisador defende, ainda, a importância de estudos que levem em conta múltiplos indicadores para avaliação do desenvolvimento regional, ao contrário de rankings que levem em conta apenas um. “Picada Café, por exemplo, é apenas o 58º em Renda, mas é o melhor em Educação, o que permite uma compreensão melhor da situação”, afirma Bernardini.

Criado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) em 2003, por demanda do governo Germano Rigotto, o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) é inspirado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ao contrário do último, porém, cujos resultados municipais no Brasil dependem do Censo e, portanto, são divulgados apenas a cada 10 anos, o Idese é publicado todos os anos.

A escala dos resultados vai de 0 (equivalente ao pior país no ranking do IDH) a 1 (equivalente ao melhor país no IDH). O Idese é composto por 12 indicadores, divididos em três blocos: Educação, Renda e Saúde. Os indicadores são divididos entre desenvolvimento baixo (abaixo de 0,5), médio (de 0,5 a 0,8) e alto (acima de 0,8). Os resultados são usados na formulação de políticas públicas, desde programas de fomento até repasses aos municípios em algumas áreas, além de embasar a Consulta Popular. Os pesquisadores da FEE afirmam que, com a extinção da fundação, prevista para abril, não há definição quanto à continuidade do cálculo.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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