BC da China segue Fed e eleva juro curto, mas intenção não é de aperto – Valor

SÃO PAULO  –  O banco central da China (PBoC) aumentou a taxa de juros de curto prazo poucas horas depois de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) ter anunciado seu primeiro aumento nos custo do dinheiro para 2018. Esse movimento, ocorrido na quinta-feira, não é novo. Em 2017, o PBoC seguiu dois dos três aumentos de juros do Fed, em março e dezembro. No entanto, mantém as taxas de referência sobre empréstimos e depósitos com prazo de um ano inalteradas desde outubro de 2015.

A alteração foi feita na taxa de recompra reversa de sete dias (repos, usadas em operações de mercado aberto para controlar a liquidez no sistema financeiro) de 2,50% para 2,55%, na primeira reunião comandada Yi Gang, que assumiu a presidência do banco central na segunda-feira. 

Em comunicado separado, o BC chinês disse que a mudança de taxa foi, sim, resposta ao último aperto do Fed e que a medida poderia restringir os empréstimos irracionais e estabilizar a alavancagem geral na segunda maior economia do mundo.

Analistas dizem que, assim como nas economias desenvolvidas, as taxas de juros de curto prazo estão se tornando uma ferramenta de política monetária mais confiável e eficaz na China. As taxas de empréstimo e de depósito de um ano estão gradualmente perdendo sua relevância no país devido a um mercado financeiro em rápida expansão e à aceleração dos ciclos econômicos.

A decisão do PBoC ficou em linha com as expectativas do mercado, que vem ponderando que esta ação é uma forma de impedir que o diferencial de juros entre os Estados Unidos e a China se amplie de forma a elevar o risco de um ressurgimento das saídas de capital e uma pressão descendente sobre o renminbi.

O PBoC ainda não anunciou alterações de taxas para suas operações de repos em outros vencimentos, entretanto. Para Capital Economics, com base no precedente, parece provável que estas aumentem em cinco pontos base também, juntamente com possíveis aumentos nas taxas oferecidas nas outras modalidades de empréstimos.

“Contraintuitivamente, não interpretamos isso como um movimento para apertar as condições monetárias. O Banco do Povo raciona atualmente o montante de liquidez que fornece através de suas operações de empréstimo; as taxas interbancárias de mercado – que determinam os custos de financiamento para a maioria dos bancos – são, portanto, amplamente dependentes do montante dos fundos fornecidos, em vez de quaisquer pequenas alterações nos juros”, diz a consultoria canadense em análise. “De fato, não há nada que impeça que o PBoC aumente suas injeções e reduza as taxas de mercado, mesmo que a taxa repo suba”. E isso é exatamente o que o banco central chinês tem feito, vide o caso da alta desta mesma taxa em dezembro, que, ao contrário do que se esperava, não apertou as condições monetárias.

Mas, se o objetivo não é apertar a política, por que elevar a taxa repo? A Capital vê duas motivações. Primeiro, o PBoC elevou as taxas de recompra do mercado durante o primeiro semestre do ano passado, mas procurou evitar a visão de que haveria aumentos equivalentes na taxa repo. “Isso faz sentido porque assim há maior clareza sobre as intenções políticas do banco central e a direção de curto prazo das taxas interbancárias se as duas [taxas] estiverem melhor alinhadas”. Em segundo lugar, a consultoria comenta que a lacuna atual distorce o jogo, favorecendo os grandes bancos, que têm acesso às operações do PBoC, às custas das instituições menores que não o fazem.

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!