Com tensões comerciais, bolsas de Nova Iorque têm pior semana desde janeiro de 2016 – Jornal do Comércio

Em um cenário em que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China continuaram no foco, os mercados acionários americanos deram prosseguimento nesta sexta-feira (23) às baixas apresentadas na sessão anterior e encerraram o pregão no vermelho. A possibilidade de uma guerra comercial entre os dois países fez com que os principais índices apresentassem recuo superior a 4% na semana, configurando o pior desempenho semanal desde janeiro de 2016.

Após perder mais de 700 pontos na quinta-feira, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,77%, aos 23.533,20 pontos, deixando para trás mais de 400 pontos. O S&P 500 abandonou a marca dos 2.600 pontos ao recuar 2,10%, aos 2.588,26 pontos; enquanto o Nasdaq perdeu o nível dos 7 mil pontos, ao baixar 2,43%, aos 6.992,67 pontos.

Uma nova onda vendedora deu as caras em Nova Iorque no fim do pregão, onde as bolsas renovaram sucessivas mínimas e abandonaram por completo a tentativa de recuperação vista durante o pregão. As tensões comerciais continuaram a ser o motivo da cautela empregada pelos investidores. A China já havia alertado sobre retaliação caso os EUA mantivessem sobre a mesa a promessa de aplicar tarifas alegando roubo de propriedade intelectual. Com a investida do presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira, Pequim não titubeou e anunciou a imposição de barreiras de US$ 3 bilhões contra produtos americanos.

“O desenvolvimento das tensões entre EUA e China deve se intensificar neste ano, embora uma guerra comercial completa continue a ser algo pouco provável”, escreveram os economistas Wei Li e Shuang Ding, do Standard Chartered, em nota a clientes.

Também fazendo um alerta contra o protecionismo e contra os riscos de uma guerra comercial, o diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que ações tomadas fora dos processos coletivos da organização “aumentam muito o risco de escalada em um confronto que não terá vencedores”. Para ele, esses atos podem levar, rapidamente, a uma perturbação nos fluxos de comércio, “o que comprometerá a economia global em um momento em que a recuperação econômica, apesar de frágil, tem sido cada vez mais evidente em todo o mundo”.

A recuperação econômica, por sua vez, foi vista em dados da própria economia americana. De acordo com o Departamento do Comércio, as encomendas de bens duráveis cresceram 3,1% na passagem de janeiro para fevereiro, em um resultado bastante superior ao esperado (+1,5%). O indicador chegou a fazer com que as bolsas em Nova Iorque operassem em alta no início do pregão.

Além disso, Trump sancionou o projeto orçamentário aprovado no Congresso que impede uma nova paralisação do governo e garante o financiamento à administração federal até setembro. O aumento dos gastos com defesa fez com que esse setor divergisse da maré baixista: a Boeing subiu 0,43%, a Lockheed Martin avançou 2,80% e a Raytheon ganhou 2,61%.

As perdas, por sua vez, foram generalizadas. Todos os segmentos do S&P 500 terminaram no vermelho. O subíndice financeiro caiu 2,99% e o de tecnologia recuou 2,73%. Entre os bancos, o Morgan Stanley despencou 4,70% e o Bank of America teve baixa de 4,52%. Nas ações de tecnologia, o Facebook perdeu 3,34% e a Amazon cedeu 3,19%.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!