Dólar caminha para subir 1% na semana; Ibovespa cai – Valor

SÃO PAULO  –  Após registrar ontem (22) a maior alta em sete semanas, o dólar ensaia alguma estabilização nesta sexta-feira (23). Dessa forma, segue acima de R$ 3,30 e a caminho de ganho semanal de 1%.

Às 13h40, a moeda americana subia 0,20%, a R$ 3,3138. O dólar para abril cai 0,23%, para R$ 3,3095.

O real tem o quarto pior desempenho no acumulado da semana, atrás apenas de peso filipino, lira turca e won sul-coreano. A moeda brasileira repercutiu o acirramento de tensões comerciais entre Estados Unidos e China, mas também o imbróglio envolvendo a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perante a Justiça.

Ontem, o STF decidiu que o petista não poderá ser preso até que a Corte volte a julgar habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente. A conclusão do julgamento ficou marcada para o próximo dia 4.

No mercado, a sensação é que Lula segue a caminho de ser impedido de concorrer às eleições presidenciais de outubro – o que abre espaço para vitória de um candidato bem-visto pelo mercado financeiro. Porém, a falta de definição sobre o caso do petista gera desconforto e deixa a moeda doméstica mais suscetível a momentos de estresse no exterior.

Essa maior sensibilidade do câmbio local é padrão histórico. Ian Tomb, economista para mercados emergentes do Goldman Sachs, nota que à medida que as eleições se aproximam o real tem mostrado desempenho pior que seus pares.

Juros

Os juros futuros devolvem parte do bom desempenho dos últimos dias e voltam a operar em firme alta nesta sexta-feira. Os avanços são mais intensos em trechos longos, que vinham mostrando resiliência ao ambiente externo mais adverso.

A taxa projetada pelo DI janeiro de 2023 sobe para 9,070%, ante 8,990% no ajuste anterior, após duas sessões de baixa. Se mantido até o fechamento, o avanço de 9 pontos-base deve configurar como o mais acentuado desde o começo de janeiro.

O DI janeiro/2025, por sua vez, sobe a 9,530% (9,420% no ajuste anterior).

De acordo com operadores, o que se observa hoje é um efeito “atrasado” do nervosismo que tomou os mercados globais na véspera. A despeito das preocupações com uma guerra comercial no exterior, principalmente entre EUA e China, os juros recuaram na sessão passada quando as atenções se voltavam para a política monetária brasileira. Agora, entretanto, é verificado o impacto represado nos ativos.

Outros fatores técnicos também parecem entrar na conta. Agentes financeiros que participaram do leilão de títulos públicos preferiram esperar a sessão desta sexta-feira para fazer operações nos contratos DIs. Os juros futuros, neste caso, servem para “travar” a remuneração com os títulos. “Pode ter um saldo de fluxo comprador [de taxa] não desprezível”, diz um profissional.

Os juros mais curtos, por outro lado, têm movimentação mais contida. Os investidores aguardam agora a ata do Copom e o relatório trimestral de inflação (RTI) para ajustar suas expectativas para a trajetória da Selic, após o Copom sinalizar que pode cortar a Selic em maio.

Por volta das 13h40, o DI janeiro/2019 era negociado a 6,260% (6,240% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 marcava 7,170% (7,140% no ajuste anterior).

Ibovespa

Num dia sem uma tendência clara nos mercados internacionais, o Ibovespa opera também de forma hesitante, mostrando pequenas altas e quedas durante as primeiras horas do pregão. A cautela que se espalhou entre investidores, provocada pelos riscos de uma guerra comercial no mundo, limita uma recuperação firme das ações.

Por outro lado, os fundamentos domésticos ainda preservados – especialmente a perspectiva de mais queda de juros, num cenário de inflação sob controle – impedem uma queda adicional do índice.

Por volta das 13h40, o Ibovespa caía 0,62%, aos 84.240 pontos. Na mínima, registrada no começo do dia, chegou a 84.042 pontos e, na máxima, tocou os 85.010 pontos.

Petrobras PN é a mais negociada e sobe 0,46%. Já Vale vai na direção contrária e recua 0,43%.

Numa sessão bastante direcionada pelo exterior, as duas blue chips respondem ao comportamento das commodities, embora a intensidade da oscilação das ações seja bem mais comedida. Hoje, o minério de ferro caiu 3,9%, para US$ 64,58, no mercado chinês. Já o petróleo tem alta firme, de 1,83% (Brent), reagindo ao sinal de extensão do corte de produção pela Opep.

Os destaques negativos são ações das companhias de educação: Estácio (-4,19%) e Kroton (-4,39%). As ações recuam na esteira do fraco desempenho da Ser Educacional, que despenca 20,6% e já entrou em leilão várias vezes nesta manhã. O motivo que está provocando a queda das demais companhias foi a informação de que o processo de matrículas de calouros de cursos presenciais da Ser Educacional, neste primeiro semestre, foi 13,2% menor quando comparado ao mesmo processo seletivo de 2017. Além disso, a Ser informou que os problemas no processo de contratação do Fies impactaram a empresa que até o momento só conseguiu efetivar a matrícula de 200 alunos com Fies.

Já o destaque positivo volta a ser Suzano ON (2,98%). Segundo operadores, o mercado ainda opera sob a visão de que a empresa, que fechou acordo de aquisição da Fibria, tem bastante potencial de valorização, dada a perspectiva de crescimento que a operação oferecerá para a empresa.

Mas ressaltam que, neste momento, o papel tem oscilado ao sabor de movimentos de curto prazo, já que as dúvidas sobre as dúvidas sobre qual será o ganho de sinergia que a empresa vai ter e, consequentemente, sobre qual é o preço justo do papel agora.

Fonte Oficial: Valor.

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