Dólar caminha para subir 1% na semana; Ibovespa tem alta – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 14h39) Após registrar a maior alta em sete semanas, o dólar ensaia alguma estabilização nesta sexta-feira. Dessa forma, a moeda segue acima de R$ 3,30 e caminha para ter ganho semanal de 1%.

Às 14h31, a moeda americana opera perto da estabilidade, com baixa de 0,06%, a R$ 3,3053. O dólar para abril perdia 0,26%, para R$ 3,3085.

A moeda brasileira repercutiu o acirramento de tensões comerciais entre Estados Unidos e China, mas também o imbróglio envolvendo a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perante a Justiça. Ontem, o STF decidiu que o petista não poderá ser preso até que a Corte volte a julgar habeas corpus impetrado pela defesa de Lula. A conclusão do julgamento ficou marcada para o próximo dia 4.

No mercado, a sensação é que Lula segue a caminho de ser impedido de concorrer às eleições presidenciais de outubro – o que abre espaço para vitória de um candidato bem-visto pelo mercado financeiro. Porém, a falta de definição sobre o caso do petista gera desconforto e deixa a moeda doméstica mais suscetível a momentos de estresse no exterior.

Juros

Os juros futuros devolvem parte do bom desempenho dos últimos dias e voltam a operar em firme alta nesta sexta-feira. Os avanços são mais intensos em trechos longos, que vinham mostrando resiliência ao ambiente externo mais adverso.

Ao redor de 14h30, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2023 subia para 9,080%, ante 8,990% no ajuste anterior, após duas sessões de baixa. O DI janeiro/2025, por sua vez, avançava para 9,540% (9,420% no ajuste anterior).

De acordo com operadores, o que se observa hoje é um efeito “atrasado” do nervosismo que tomou os mercados globais no dia anterior. A despeito das preocupações com uma guerra comercial no exterior, principalmente entre EUA e China, os juros recuaram na sessão passada quando as atenções se voltavam para a política monetária brasileira. Agora, entretanto, é verificado o impacto represado nos ativos.

Outros fatores técnicos também parecem entrar na conta. Agentes financeiros que participaram do leilão de títulos públicos preferiram esperar a sessão desta sexta-feira para fazer operações nos contratos DIs. Os juros futuros, neste caso, servem para “travar” a remuneração com os títulos. 

Os juros mais curtos, por outro lado, têm movimentação mais contida. Os investidores aguardam agora a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) para ajustar suas expectativas para a trajetória da Selic, após o Copom sinalizar que pode cortar a Selic em maio.

Às 14h34, o DI janeiro/2019 era negociado a 6,245% (6,240% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 marcava 7,170% (7,140% no ajuste anterior).

Bolsa

Num dia sem uma tendência clara nos mercados internacionais, o Ibovespa opera também de forma hesitante. A cautela que se espalhou entre investidores, provocada pelos riscos de uma guerra comercial no mundo, limita uma recuperação firme das ações.

Por outro lado, os fundamentos domésticos ainda preservados – especialmente a perspectiva de mais queda de juros, num cenário de inflação sob controle – impedem uma queda adicional do índice.

Pouco depois das 14h30, o Ibovespa subia 0,19%, aos 84.9333 pontos. Petrobras PN ganhava 0,97% e Vale ON aumentava 0,29%.

Os destaques negativos estavam com ações das companhias de educação: Estácio (-3,18%) e Kroton (-2,52%). As ações recuam na esteira do fraco desempenho da Ser Educacional, que despencava 20,6% e já entrou em leilão várias vezes nesta manhã. O motivo que está provocando a queda das demais companhias foi a informação de que o processo de matrículas de calouros de cursos presenciais da Ser Educacional, neste primeiro semestre, foi 13,2% menor quando comparado ao mesmo processo seletivo de 2017. Além disso, a Ser informou que os problemas no processo de contratação do Fies impactaram a empresa que até o momento só conseguiu efetivar a matrícula de 200 alunos com Fies.

Suzano ON ganhava 3,23%. Segundo operadores, o mercado ainda opera sob a visão de que a empresa, que fechou acordo de aquisição da Fibria, tem bastante potencial de valorização, dada a perspectiva de crescimento que a operação oferecerá para a empresa.

Fonte Oficial: Valor.

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