Com eleição, ações podem reservar armadilhas para pequeno investidor – Jornal do Comércio

Há sete meses das eleições, o espectro político permanece indefinido para a disputa da presidência da República. Diante da incerteza, as casas de investimentos começam a preparar seus clientes para um momento que pode ser de sobe e desce nos preços das aplicações. Com os juros mais baixos da história e a bolsa em alta, o cenário, dizem, pode representar uma armadilha para o investidor.

Para quem pretende aproveitar a trajetória ascendente da bolsa – o Ibovespa, índice com as ações mais negociadas da B3, tem alta acumulada de 32,81% em 12 meses -, especialistas afirmam que empresas mais sensíveis à escolha do novo presidente, como estatais, podem ser boas para especular.

Já quem não busca emoção, mas não quer ficar de fora do rali do mercado, ações pouco expostas ao governo e mais ao cenário externo prometem menos sustos. O analista de investimentos da Modalmais Leandro Martins recomenda ao investidor de pequeno porte optar por empresas que não sejam tão afetadas por decisões políticas ou possíveis canetadas do novo governo, como são as companhias estatais, de capital misto e os bancos.

Na opinião de Martins, o investidor iniciante deve observar os papéis classificados pelo mercado como “defensivos”, como Ambev, Vale ou a própria B3 (BVMF). Esse tipo de ação sofre menos impacto da conjuntura política.

Já quem tem mais apetite ao risco pode optar por ações como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras. O futuro dessas empresas depende, diretamente, da nova gestão. Por isso, esses papéis tendem a reagir de imediato para cima ou para baixo, conforme o noticiário das eleições avança.

As ações ligadas ao consumo, como Magazine Luiza e Renner, também podem ser boas opções, na opinião do professor da Fecap Joelson Sampaio. Isso porque a retomada econômica e a melhora nos índices de desemprego favorecem esse setor. Sampaio indica algumas medidas de proteção para o investidor dentro da renda variável. Uma dica é estipular limites de perda e diversificação de papéis, ou seja, não colocar todas as fichas em uma única ação ou em um único setor.

A tensão nos mercados é marca registrada dos anos eleitorais. Só que, diferentemente dos eventos anteriores, em 2018, os investidores estão no escuro quanto aos nomes dos presidenciáveis. Na eleição passada, já estava definido, no início de 2014, que a disputa se daria entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). No mercado, toda vez que a petista crescia nas intenções de voto, a bolsa caía. Bastou Dilma colocar a faixa que o mau humor pôs o índice em queda.

Sem a mesma emoção da eleição anterior, em 2010, quando Dilma foi eleita pela primeira vez, o mercado não chegou a ver a decisão como uma surpresa. Mesmo assim, enquanto o jogo político se desdobrava, o gráfico da bolsa se mostrou mais nervoso, no jargão do mercado, do que em 2009 e 2011, anos final e inicial de mandatos – até mais do que nos anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a candidatura, o petista acalmou o mercado no âmbito doméstico após a divulgação da Carta ao Povo Brasileiro.

Nos últimos meses, a bolsa teve muitos soluços, retrato direto da instabilidade política pós-impeachment, da gravação do presidente da JBS, Joesley Batista, e das denúncias contra Michel Temer (PMDB). Mesmo assim, a trajetória levou o Ibovespa a patamares históricos.

Especialistas acreditam que o índice Ibovespa ainda tem potencial de dobrar os atuais 85 mil pontos. Se depender apenas de fatores de mercado, Marcio Appel, fundador da Adam Capital, diz que o valor justo para o índice é de 160,6 mil pontos.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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