Pescadores comemoram boa safra de pescados – Jornal do Comércio

Os produtos de alimentação típicos da Sexta-Feira Santa tiveram aumento das vendas ainda na semana passada. Lojistas do Mercado Público da Capital sentiram aumento de cerca de 50% na demanda em relação à semana anterior. Para os próximos dias, a expectativa é de que as vendas dobrem, na comparação com a semana anterior. A estimativa da Emater-RS é de que o volume comercializado seja de 3,8 mil toneladas de peixe no Estado, o que movimentaria aproximadamente R$ 55 milhões.

O número é aproximadamente 10% inferior ao comercializado no ano passado, quando o volume chegou a 4,3 mil toneladas. Isso porque o número de escritórios que participaram nesta edição da pesquisa diminuiu 16%. Na comparação de preços médios, a alta foi de 7%, já que o quilo de pescado passou de R$ 13,06, no ano passado, para
R$ 14,01 neste ano. O assistente técnico estadual em Piscicultura da Emater-RS-Ascar, Henrique Bartels, lembra que, historicamente, esta é a alta de preços. “Isso ocorre já que a demanda do produto aumenta e a produção não se expande na mesma medida”, explica.

A grande estrela de vendas da banca 63, ligada à Cooperativa de Pescadores da Colônia Z5, localizada na Capital, é a corvina, que, na semana passada, custava R$ 11,90 o quilo. A qualidade do peixe, neste ano, segundo ele, é um diferencial. O alerta de Gonçalves, por outro lado, é que os preços tendem a aumentar conforme a data se aproxima.

O camarão, que, em 2017, praticamente não existiu na Lagoa dos Patos pela falta de entrada de água do mar, neste ano, foi encontrado em abundância na região. “Se não tem camarão na lagoa, compra-se de cativeiros, só que o produto é menos saboroso”, argumenta Gonçalves. Na banca da Coopeixe, o quilo do produto com casca está sendo comercializado por
R$ 29,90.

Pelo Interior, onde a produção é extensiva, já houve a despesca, e novos alevinos devem ser encomendados em abril. Na região de Santa Rosa, os pescadores relatam baixa disponibilidade de peixes de escama, mas a pesca de peixes de couro, como pintados, armados e cascudos, tem garantido a renda das famílias. Com a proximidade da Semana Santa e a diminuição da oferta de peixes, ocorre inflação nos preços, sendo que a piava chega a ser comercializada pelos pescadores a R$ 17,00/kg.

A Emater/RS-Ascar planeja e executa várias atividades nas áreas de piscicultura durante o ano junto aos agricultores. Os extensionistas elaboram projetos de viveiros e orientam os produtores na construção, na calagem e na adubação, na introdução dos alevinos, no manejo e controle da qualidade da água, na alimentação dos peixes, no controle das doenças, na despesca, na comercialização da produção e nas formas de consumo.

“O Rio Grande do Sul é embrionário na produção e no consumo de peixes”, afirma Henrique Bartels ao analisar que, enquanto no Brasil a produção ultrapassa as 500 mil toneladas, no Rio Grande do Sul é de em torno de 20 mil toneladas, “mas temos notado uma melhora na produção”, diz. O levantamento desse trabalho no Estado é feito desde 2009, quando a Emater/RS-Ascar passou a coletar informações e estimativas municipais sobre a comercialização de peixe durante a Semana Santa, tradicional período em que o consumo de pescados aumenta bastante.

O Mercado Público espera grande fluxo de consumidores nesta semana. Peixes e chocolate estão entre os itens obrigatórios de quem recorre ao local.

O bacalhau está presente em algumas bancas mais tradicionais. Sérgio Lourenço, proprietário da Banca 38, revela porque os gaúchos recorrem ao Mercado Público. “Aqui, o bacalhau é vendido por especialistas no assunto, são atendentes treinados, que sabem auxiliar os clientes em todos os sentidos. Isso é uma coisa que faz muita diferença para que a pessoa fique satisfeita com esse produto e tenha prazer em degustá-lo”, diz.

Segundo Lourenço, o produto comercializado é de excelente qualidade. “No Mercado Público, os clientes encontram o melhor bacalhau do mundo, como os comercializados na Noruega e em Portugal, por exemplo. O corte pode ser feito de acordo com a escolha do consumidor, dependendo da receita que ele deseja fazer”, explica.

As bancas também disponibilizam chocolates dos mais variados tipos para que as pessoas possam produzir os ovos em casa. Adriana Kauer, proprietária da Comercial Martini, revela que, com a compra dos ingredientes e a confecção caseira, o produto pode custar 20% do valor cobrado nas lojas e nos supermercados. “É uma grande oportunidade para quem busca uma renda extra nesta época, além de ser uma maneira econômica de presentear”, destaca.

Durante a Semana Santa, mais de 5 mil pontos estarão vendendo pescados no Estado, segundo a Emater-RS. As tradicionais Feiras do Peixe oferecem uma boa oportunidade para quem busca os produtos típicos da data. A região com maior concentração de feiras é a Metropolitana, com 74 pontos, e, na capital gaúcha, são três feiras.

Em sua 238ª edição, a Feira do Peixe de Porto Alegre começa hoje, a partir das 10h, no largo Glênio Peres. O espaço, de 45 mil m2 em frente ao Mercado Público, vai abrigar 54 bancas de pescado e quatro de alimentação, onde serão servidos bolinhos, espetinhos de peixe e a tradicional tainha na taquara. A banca com peixes vivos é outra atração que agrada ao público.

Assim como no ano passado, não foram utilizados recursos públicos no evento, e a organização fica por parte dos feirantes da Colônia Z5 de Pescadores e da Associação de Pescadores (Appesul) com o apoio da Divisão de Fomento Agropecuário da Diretoria de Indústria e Comércio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE).

Na quarta-feira, também às 10h, começam as Feiras do Peixe dos bairros Restinga e Belém Novo, que têm término às 12h da Sexta-Feira da Paixão. No Litoral Norte, a grande atração é a Feira de Tramandaí, que acontece dos dias 28 a 30 de março, no Módulo Esportivo, com 14 feirantes atendendo na quarta-feira, das 14h às 20h; na quinta-feira, das 8h às 20h; e, na sexta-feira, das 8h às 14h. Em 2017, o evento vendeu mais de uma tonelada de pescado.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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