Sistema financeiro ainda não se adaptou ao novo cálculo de juro do Bndes – Jornal do Comércio

Será necessário tempo extra à adaptação do sistema bancário à nova taxa de juros que incide para empréstimos vinculados ao Bndes – que mudou, em janeiro deste ano, a taxa de TJLP (subsidiada pelo governo) para TLP (sem subsídio e mais próxima da Selic). Apesar de não ser mais permitido o fechamento de contratos de financiamento calculados com a TJLP, segundo o próprio presidente do Bndes, Paulo Rabello de Castro, ainda serão necessários entre 30 e 60 dias para que a TLP comece, efetivamente, a ser praticada.

O atraso no sistema poderia estar reduzindo o fechamento de contratos via Bndes, que teve queda acentuada na demanda por recursos no primeiro bimestre. Segundo Rabello – que esteve na Capital na sexta-feira para palestra na Fiergs -, houve um significativo recuo na demanda por créditos para pessoa jurídica neste ano. Antes do início da crise, em 2013, os valores correspondiam a 28% do PIB, e hoje não passam de 22%.

Para especialistas do mercado, como o presidente da Apimec Sul, José Oliveira, a queda é mais fruto da dúvida sobre o novo formato de cálculo e do que será pago posteriormente com TLP (o que não ocorria com a TJLP, prefixada). Esse, diz Oliveira, é o maior inibidor para novas tomadas de crédito. Basicamente, a TLP retira os subsídios do governo para empresas, aproximando a taxa cobrada das taxas de mercado. “Antes, enquanto a Selic estava em cerca de 14%, a TJLP chegava a ser de 7% ou menos. Agora, com a TLP, está praticamente igual (na sexta-feira, era de 6,76%, ante Selic de 6,5% a.a.)”, explica Oliveira.

Como o cálculo da TLP tem uma parte pós-fixada, diz o presidente da Apimec, a taxa vai flutuar ao longo do contrato. Empresários ainda tentam entender exatamente como funcionará o sistema. Para Débora Morsch, sócia da Zenith Asset Management, hoje, prevalece a demanda por crédito, especialmente para capital de giro, mais do que para investimento, já que muitas empresas contam com parte da capacidade ociosa e precisarão aplicar recursos diretamente no negócio. É nessa linha, disse o presidente do Bndes, que o banco deverá avançar em 2018.

“Sempre fomos voltados ao desenvolvimento, mas as empresas têm demandado recursos para capital de giro, necessário para sobreviver e depois entrar em novo ciclo de investimentos”, explicou.

Além dos temas econômicos, Rabello falou de seu futuro político. Candidato à corrida presidencial de 2018 pelo Partido Social Cristão (PSC), Rabello deve se desligar do banco até 7 de abril. Questionado se receberia apoio do Planalto nas eleições, desconversou. “Ainda não conversamos com o presidente da República como gostaríamos. Ainda não falei com quem decide e pode responder a essa pergunta, que mora em Brasília e chama-se Michel Temer”, disse Rabello. 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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