Ciclo de queda de juros deve terminar com novo corte em maio, diz BC – Valor

BRASÍLIA E SÃO PAULO  –  (Atualizada às 8h53) Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) concluíram, em reunião nos dias 20 e 21 de março, “pela necessidade de tornar a política monetária um pouco mais estimulativa” e, por isso, sinalizaram um novo corte de juros para o seu próximo encontro, em maio. As informações constam de ata daquela reunião, divulgada nesta terça-feira.

Na discussão descrita na ata, o novo corte de juros em maio deve encerrar o ciclo de alívio monetário. O BC explica, primeiramente, que alterou a rota sinalizada no encontro de fevereiro e optou por fazer um ajuste adicional na Selic por causa da evolução da conjuntura e do balanço de riscos desde então: a inflação e seus núcleos voltaram a surpreender para baixo, elevando o risco de descumprimento da meta. Parte desse ajuste foi o corte de 0,25 ponto da taxa feito na reunião de março. E, sob a ótica atual, uma nova redução, em maio, parece adequada, reitera o documento, que faz questão de listar as condicionalidades para que esse movimento se concretize. 

Ao debater os próximos passos na condução da política monetária, os participantes do Copom chegaram ao consenso de que a evolução da conjuntura, do cenário básico e do balanço de riscos desde fevereiro “foi tornando clara, ao longo do tempo, a necessidade de um ajuste da política monetária em relação ao movimento que havia sido sinalizado como mais provável na reunião anterior”, de fevereiro.

Em fevereiro, o BC havia deixado uma porta aberta para cortar os juros na sua reunião de março, mas sem dar certeza disso. Também antecipou que pretendia parar de cortar os juros em maio.

Parte desse ajuste adicional, diz a ata, foi implementada com a redução dos juros básicos da economia decidida na semana passada, de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano.

“Entretanto, os membros do Copom concluíram pela necessidade de tornar a política monetária um pouco mais estimulativa”, diz o documento, para sinalizar mais um corte moderado na taxa no encontro marcado para maio. Essa conclusão, diz a ata, decorreu de dois fatores. “Primeiro, o Copom julgou que a dinâmica das diversas medidas de inflação subjacente sinalizava maior risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, afirma a ata. “Nesse contexto, um estímulo monetário adicional mitigaria esse risco.”

O segundo ponto ponderado pelo Copom é que, mesmo com trajetória para a taxa Selic que já incorporava redução para o patamar de 6,5% ao ano, as perspectivas para inflação – levando em conta expectativas, projeções e avaliação de amplo conjunto de informações – apresentaram recuo no horizonte relevante, principalmente para 2018.

“O Copom decidiu, portanto, sinalizar que, para a próxima reunião, uma flexibilização monetária moderada adicional se mostra adequada sob a ótica atual”, diz a ata.

O comitê ressaltou, porém, que pode haver mudanças, dependendo da evolução dos dados econômicos e dos riscos, 

“Tendo em vista o princípio que norteia sua condução da política monetária, de explicitar condicionalidades que julga relevantes, o Comitê decidiu também comunicar que essa visão para a próxima reunião poderá se alterar e levar à interrupção do processo de flexibilização monetária, no caso dessa mitigação de riscos se mostrar desnecessária”, afirma a ata.

A ata traz ainda sobre os próximos passos da política monetária, a partir de junho. E revela que o debate do Copom ficou concentrado sobre qual a melhor sinalização sobre esse tema. O documento chama a atenção para o fato de que, a partir de junho, as decisões de juros passam a ter efeito mais direto sobre 2019 – quando a meta de inflação é de 4,25%, e não mais de 4,5%. Uma parte dos diretores defendeu que o colegiado já deixasse claro que seria necessário interromper o ciclo e, durante alguns meses, avaliar o efeito defasado do corte da Selic já realizado. Mas outros membros consideraram mais adequado indicar que seria melhor evitar firmar um compromisso – ala que acabou prevalecendo.

Inflação

O Copom reiterou suas projeções para inflação na ata divulgada nesta terça-feira de sua última reunião, realizada nos dias 20 e 21 de março. Em relação a 2018, a estimativa para a inflação medida pelo IPCA caiu para 3,8%, ante 4,2% no encontro de fevereiro. Para 2019, a inflação esperada é de 4,1%, ante 4,2% na mesma base de comparação.

As estimativas estão dentro do modelo que contempla trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas do Boletim Focus. Os números são idênticos aos publicados no comunicado que acompanhou a decisão do Copom na semana passada. Na ocasião, o colegiado anunciou o corte da taxa em 0,25 ponto percentual, para 6,50%.

Fonte Oficial: Valor.

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