EUA enviam à China ações para reduzir déficit comercial – Jornal do Comércio

Os Estados Unidos pediram à China em uma carta na semana passada que reduza a tarifa sobre os carros americanos, compre mais semicondutores feitos nos EUA e dê às empresas americanas maior acesso ao setor financeiro chinês, noticiou o jornal The Wall Street Journal ontem citando pessoas familiarizadas com o assunto. A preocupação com uma possível guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo agitou os mercados financeiros, com os investidores prevendo desastrosas consequências se surgirem barreiras comerciais da tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de reduzir o déficit dos EUA com a China.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, listaram medidas que Washington quer que a China adote em uma carta a Liu He, recém-indicado vice-primeiro-ministro que supervisiona a economia da China, disse o WSJ. O jornal informou que Mnuchin estava avaliando uma visita a Pequim para tentar negociações.

Temores de uma guerra comercial aumentaram neste mês depois que Trump adotou tarifas sobre as importações de aço e alumínio, e depois mirou especificamente a China no dia 22, ao anunciar planos de tarifas de até US$ 60 bilhões sobre bens chineses. No dia 23, a China respondeu com um tiro de alerta ao declarar planos de cobrar impostos adicionais sobre até US$ 3 bilhões de importações dos EUA. A lista de bens não faz menção a soja ou aeronaves, os dois maiores itens de importação dos EUA pela China.

A terceira maior categoria de importação dos EUA pela China – veículos motorizados – totalizou US$ 10,6 bilhões em 2017, cerca de 8% das importações totais do país junto aos EUA por valor, segundo dados da China, que tem atualmente uma tarifa de 25% sobre os carros norte-americanos.

A China comprou US$ 2,6 bilhões em semicondutores dos EUA no ano passado, ou 1% das importações totais de semicondutores da China, segundo dados da alfândega chinesa. De acordo com o jornal Financial Times, a China ofereceu comprar mais semicondutores dos EUA redirecionando algumas compras da Coreia do Sul e de Taiwan, para ajudar a reduzir o superávit comercial da China com os EUA. Citando pessoas familiarizas com o assunto, o jornal informou ainda que as autoridades chinesas estão correndo para finalizar novas regulações até maio que permitirão que grupos financeiros internacionais assumam participações majoritárias em suas empresas do setor financeiro.

 

A China sinalizou que não tem planos no curto prazo para afrouxar as regras que limitam a participação das companhias estrangeiras ao máximo de 50% nas operações de fabricação de veículos no país. Os Estados Unidos têm pedido maior acesso a esse mercado. O ministro da Indústria chinês, Miao Wei, disse a executivos no Fórum de Desenvolvimento da China que a retirada do limite ocorreria apenas de maneira gradual. Miao não falou sobre prazos específicos.

Na China, as companhias do setor devem formar joint ventures com parceiras locais, sendo que as estrangeiras podem ter no máximo 50% de participação nesses negócios. Excetuando-se o caso da fabricação de veículos elétricos e de certos veículos que causam menos impacto ambiental, cada uma das estrangeiras pode estabelecer apenas duas joint ventures no país.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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