BNDES vai devolver R$ 130 bi ao Tesouro este ano, diz Rabello – Valor

RIO DE JANEIRO  –  O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse, nesta quarta-feira (28), em tom de ironia, que o banco vai desembolsar R$ 210 bilhões neste ano, dos quais R$ 80 bilhões para atividades produtivas e mais R$ 130 bilhões para serem “esterilizados” pelo Tesouro Nacional.

Rabello de Castro entregou oficialmente nesta quarta-feira sua carta de demissão ao Ministério do Planejamento com o objetivo de concorrer à Presidência da República pelo Partido Social Cristão (PSC). Ele será exonerado da presidência do banco, que ocupou por dez meses, no próximo sábado (31).

No ano passado, o BNDES devolveu R$ 50 bilhões ao Tesouro Nacional, a pedido da equipe econômica. O objetivo do governo é cumprir a regra de ouro, que impede a emissão de dívidas para financiar despesas correntes. Neste ano, o BNDES devolveu mais R$ 30 bilhões em março e programou mais R$ 100 bilhões para agosto.

A previsão de desembolsar R$ 80 bilhões para atividades produtivas é menor, contudo, do que vinha sendo trabalhada pela diretoria do banco, de R$ 90 bilhões. Com os fracos resultados dos desembolsos de janeiro e fevereiro, a previsão vinha sendo considerada cada vez mais irrealista de ser atingida.

Persio Arida

Rabello criticou os comentários de Persio Arida, coordenador do programa econômico do governador Geraldo Alckmin — também pré-candidato à Presidência, pelo PSDB –, em relação à devolução de recursos pelo banco ao Tesouro Nacional. Em entrevista ao Valor publicada nesta quarta-feira, o economista disse que o BNDES deveria devolver rapidamente os recursos que lhe foram emprestados pelo Tesouro Nacional. Arida disse que a devolução seria “mais do que ir devolvendo o excesso de caixa, é necessário vender ativos de crédito ou participações societárias para repagar aceleradamente o Tesouro”.

Na coletiva desta quarta, na qual fez um balanço de seus dez meses no BNDES, Rabello de Castro disse que as declarações deixam marcadas as diferenças entre “os que querem manter o financismo espoliador e os que querem de fato permitir o acesso dos brasileiros ao mundo viável, com crédito de fácil acesso, juros módicos e impostos simplificados”. “É o que, hoje, o agronegócio já tem”, disse Rabello de Castro.

O presidente do BNDES gerou polêmica ao longo de sua gestão ao sinalizar ao governo que o banco não teria recursos suficientes para repagar os empréstimos do Tesouro Nacional na velocidade demandada pela equipe econômica, de forma a permitir que o governo cumpra a chamada “regra de ouro” das contas públicas.

‘Tropeço’ em desembolsos de janeiro e fevereiro

Paulo Rabello de Castro também disse que o resultado do banco no primeiro bimestre deste ano, quando registrou o menor nível de desembolsos desde 2000, foi um “tropeço” e está “sendo superado”.

Segundo ele, a troca da Taxa de Longo Prazo (TLP) em 1º de janeiro provocou uma antecipação de protocolos e antecipação de desembolsos em dezembro do ano passado, de forma a aproveitar a antiga Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A TJLP é uma taxa mais vantajosa para empresários.

“Houve uma antecipação para dezembro e quando se chegou a janeiro tudo que tinha sido antecipado deixou de ocorrer no mês seguinte”, disse. O presidente do BNDES acrescentou, ainda, que houve problemas de reformatação de sistemas de informática, de bancos públicos e privados, para adequação de empréstimos ligados à TLP.

Só em fevereiro os desembolsos do BNDES somaram R$ 2,997 bilhões, uma queda de 22,4% frente aos R$ 3,867 bilhões de janeiro deste ano e um recuo de 44,9% na comparação aos R$ 5,447 bilhões do mesmo mês do ano passado. Esse patamar de desembolsos foi o menor desde abril de 2000.

Rabello reconheceu que a meta de desembolsos de R$ 90 bilhões traçada para este ano tornou-se inviável. 

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!