Exterior dita a alta dos juros futuros de longo prazo – Valor

SÃO PAULO  –  O debate sobre política monetária do Brasil foi deixado de lado nesta quarta-feira (28), enquanto os investidores acompanhavam o vaivém dos mercados internacionais, que, nos últimos dias, voltaram a pesar nos preços dos ativos financeiros. Na quinta-feira (29), entretanto, as atenções devem se dividir com as avaliações do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

O recrudescimento dos temores com uma guerra comercial lá fora tem feito com que os agentes financeiros exijam rendimentos mais elevados por suas aplicações. Apesar dos relatos de uma possível aproximação entre os governos dos Estados Unidos e da China, não foi percebido avanço concreto para um acordo. Por ora, os governos das duas maiores economias do mundo seguem na intenção de aplicar medidas protecionistas.

E, se não bastasse a disputa entre os dois países, também há preocupação com endurecimento de regras para o segmento de tecnologia dos Estados Unidos, o que tem desencadeado uma onda de venda de ações do setor em Wall Street. Para alguns profissionais de mercado, as perdas do segmento podem ser temporárias, numa aparente correção de ganhos excessivos. No entanto, os players não se arriscam a dar um prazo para uma melhora do ambiente de negócios.

O quadro externo mais negativo afetou as taxas dos contratos de DI com vencimento mais longo. Esse é o caso do DI janeiro de 2023, que no fim da sessão regular de hoje subiu 5 pontos-base para 9,020%.

Juros de curto prazo

Os juros futuros de curto prazo, entretanto, tiveram variações mais contidas, à espera do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). O documento vem dois dias após a ata da última reunião do Copom reforçar a leitura de que a Selic cai mais uma vez em maio, antes do ciclo de flexibilização monetária ser interrompido. Por causa de proximidade de datas, não se espera grandes mudanças no discurso da autoridade monetária.

As atenções se voltam para as projeções de inflação dos dirigentes do Banco Central. As estimativas do RTI podem indicar o espaço para cenários alternativos, como uma queda adicional da Selic. Além disso, servem para mensurar o ritmo de uma futura alta da Selic quando as condições monetárias forem normalizadas. Se a inflação esperada ficar abaixo de sua respectiva meta, seria maior o espaço para a Selic ficar baixa ou, pelo menos, não subir tanto.

Inflação 

Conforme a própria autoridade monetária já apontou, é crescente o peso das expectativas para 2019 no cenário da política monetária. Para o ano que vem, a meta de inflação cai para 4,25%, ante o alvo atual de 4,50%. E, no período seguinte, recua mais um pouco, a 4,00%.

Com a iminência do fim do ciclo, volta a ganhar relevância o chamado cenário de referência, que se baliza por câmbio e Selic estáveis. De acordo com cálculos do Itaú que buscam replicar os modelos do BC, o IPCA esperado deve ficar em 3,8% em 2018 e  em 4,0% em 2019, subindo para 4,3% em 2020. No RTI de dezembro, o caminho projetado para inflação era de: 4,0%, 4,1% e 4,2%, respectivamente.

“Pode ser uma mensagem de que a necessidade de alta de juros, nos modelos do BC, é baixa”, diz o sócio e gestor da Rosenberg Investimentos, Marcos Mollica.

Já no cenário de mercado, que considera as estimativas de câmbio e juros do Boletim Focus, as estimativas do BC para inflação devem ficar em 3,8% e 4,1% para os respectivos anos de 2018 e 2019, mesmos níveis já mostrados na ata do Copom. Em relação a 2020, a inflação esperada deve ficar em 4,1%, o mesmo patamar observado no último relatório trimestral de inflação, ainda de acordo com o Itaú.

“A inflação para 2018 e 2019 deve ficar dentro da meta, isso já está meio dado”, diz o estrategista Paulo Nepomuceno, da Coinvalores. Por outro lado, a eleição presidencial deste ano e o futuro da agenda de reformas torna o cenário mais complexo para 2020. Até por isso, a coletiva de imprensa do presidente do BC, Ilan Goldfajn, nesta quinta, pode dar mais informações sobre cenários alternativos. 

No fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 apontava 6,250% (ante 6,240% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 marcava 7,090% (7,070% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 registrava 8,000% (7,970% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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