Exterior impõe nova rodada de perdas ao Ibovespa; dólar vai a R$ 3,34 – Valor

SÃO PAULO  –  O exterior volta a definir um dia negativo para a bolsa brasileira nesta quarta-feira (28). O receio de que uma guerra comercial traga riscos de inflação nos Estados Unidos e afete a expectativa de crescimento global explica o clima de aversão a risco, que pressiona o dólar e coloca as bolsas mais uma vez em terreno negativo. Quadro que conta com o agravante do desempenho negativo das empresas americanas de tecnologia. “Todos os investidores, não apenas os estrangeiros, estão respondendo a esse novo cenário”, diz um gestor.

Às 13h39, o Ibovespa caía 0,50%, aos 83.388 pontos. Na mínima, escorregou para baixo dos 83 mil pontos e tocou os 82.889 pontos. Com esse resultado, a bolsa passa a acumular perda de 2,53% no mês e reduz o ganho no ano para 8,86%.

A leitura ainda é de que há fundamentos positivos que podem impulsionar a bolsa brasileira. Mas, por ora, com tantas incertezas no horizonte, esses agentes optam por reduzir exposição a risco. E isso afeta mais diretamente papéis de grande liquidez na bolsa e também aqueles que acumulam ganhos expressivos no ano.

Vale ON é o papel mais negociado até o momento, com giro de R$ 364 milhões e baixa de 1,2%. Já Petrobras PN movimenta R$ 363 milhões e recua 1,65%, enquanto Itaú, terceiro maior giro do dia (R$ 167 milhões) perde 0,06%. Ambev, também com grande peso sobre o Ibovespa, tem volume de R$ 121 milhões e cede 0,13%.

Na ponta positiva, o destaque é Klabin, com alta de 3,42%. A ação é uma das que se beneficia da alta do dólar. CPFL Energia (1,32%), também está entre as que resistem no terreno positivo, em reação ao balanço divulgado relativo ao quarto trimestre. A empresa teve lucro líquido de R$ 498 milhões no quarto trimestre, crescimento de 262,6%.

Já Marfrig avança 3,02%, após teleconferência do  CEO da companhia, Martín Secco. Ele afirmou que a meta de reduzir a alavancagem é “inegociável” e que não descarta a venda integral da subsidiária Keystone.

Dólar

O dólar segue em alta frente ao real nesta quarta-feira, aproximando-se da máxima registrada no mês de dezembro. O rompimento dessa marca pode levar a moeda a picos em torno de R$ 3,40 alcançados nos dias seguintes ao estouro da delação da JBS, em maio passado.

A moeda bateu R$ 3,3443 nesta quarta-feira, flertando com a taxa de R$ 3,3467 de 14 de dezembro do ano passado. Às 13h43, a cotação desacelerava a alta para R$ 3,3366, em alta de 0,23%.

De forma geral, o dia é de ganhos para o dólar no mundo. A moeda sobe contra 25 dos 33 principais pares. Dados mostrando que a economia americana desacelerou no quarto trimestre menos que o esperado, amparada pelo forte crescimento do consumo, mantiveram viva a possibilidade de a retomada da economia se traduzir em inflação mais elevada, potencialmente ditando mais altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, BC americano).

No caso do real, a queda das commodities pesa adicionalmente, em meio a um ambiente ainda sensível nos mercados de ações, sob pressão do setor de tecnologia. O índice CRB de matérias-primas recuava 0,7%.

Analistas têm chamado atenção para a contínua alta dos custos de financiamento em dólar medidos pela Libor. Estrategistas do banco Brown Brothers Harriman dizem que a taxa sobe em linha reta há praticamente um mês, nas máximas em quase uma década. De acordo com eles, se a pressão nos custos estiver relacionada às mudanças tributárias recentes aprovadas pelo governo Trump – que estimulam repatriação de recursos aos EUA e apontadas como um dos suportes ao dólar -, a alta da Libor em dólar persistirá.

Enquanto isso, o dólar aqui já acumula alta de quase 3% em março, mês no qual o fluxo cambial está negativo em US$ 4,6 bilhões.

Juros 

O mau humor nos mercados globais direciona a alta dos juros futuros nesta quarta-feira. O recrudescimento dos temores com uma guerra comercial lá fora faz com que o investidor exija rendimentos mais elevados por suas aplicações. E o quadro é agravado pela onda de venda de ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos.

Apesar dos relatos de uma possível aproximação entre os governos dos Estados Unidos e da China, não foi percebido avanço concreto para um acordo comercial. Pelo contrário, os governos das duas maiores economias do mundo seguem firmes na intenção de aplicar medidas protecionistas. Dentre as iniciativas mais recentes, a Casa Branca deve aumentar as tarifas em produtos chineses de alta tecnologia por causa do suposto roubo de propriedade intelectual.

A aversão ao risco no exterior afeta, de forma mais direta, as taxas dos contratos de DI com vencimento mais longo. Este é o caso do DI janeiro de 2021, o contrato mais negociado do dia, que subia a 7,990%, às 13h47. Com isso, aumenta a distância para os juros mais curtos, que serve de medida da percepção de risco no mercado.

Tampouco ajuda o mercado a proximidade do julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma a sessão na próxima semana, depois de conceder um salvo conduto para que o petista não seja preso até sua decisão. De acordo com profissionais de mercado, aumenta a cautela com uma posição favorável a Lula no Supremo. A principal preocupação, entretanto, é de que a presença do ex-presidente na disputa eleitoral dificulte a eleição de um candidato mais alinhado à atual política econômica.

“O salvo-conduto do STF fez o mercado questionar a possibilidade de Lula se manter como candidato à presidência”, diz um gestor. Por causa da Lei da Ficha Limpa, o cenário para ser improvável. “Mas o clima para a política fica mais negativo”, acrescenta.

A despeito do ambiente de negócios mais duro, os juros futuros de curto prazo operam com variações mais contidas, à espera do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) na quinta (29). O DI janeiro/2019 opera a 6,250% (6,240% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 marca 7,080% (7,070% no ajuste anterior).

A atualização de projeções do Banco Central deve indicar que a inflação se direciona, gradualmente, às metas nos próximos anos. No entanto, as estimativas da autoridade monetária em seus diferentes cenários podem dar pistas para o ritmo de uma futura alta da Selic quando as condições monetárias forem normalizadas. Se a inflação esperada ficar abaixo de sua respectiva meta, haveria maior espaço para a Selic se manter baixa ou, pelo menos, não subir tanto.

Fonte Oficial: Valor.

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