BNDES: Rabello de Castro ataca e Arida rebate – Valor

SÃO PAULO E RIO  –  Presidente do BNDES até sábado, quando será exonerado para se lançar pré-candidato à Presidência pelo PSC, Paulo Rabello de Castro deu contornos políticos ontem a uma coletiva na sede do banco ao rebater declarações de Persio Arida, coordenador do programa econômico do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB. Ele chamou Arida de “bruxo financista espoliador” e “liberaloide”, ao comentar ideias do economista ligado a Alckmin para o banco de fomento.

Em breve resposta aos ataques feitos pelo atual presidente do banco, Arida disse que Rabello de Castro “fez uma administração medíocre do BNDES porque usou o cargo público como escada para suas pretensões eleitorais”. E acrescentou: “Em respeito à Universidade de Chicago, onde há um bom tempo ele [Rabello de Castro] obteve seu Ph.D, só me resta concluir que o devaneio de se tornar presidente espanou sua mente e sua formação. Tenho pena dele.”

As críticas de Rabello de Castro foram feitas após a publicação ontem de uma entrevista de Arida no Valor. Ex-presidente do BNDES, Arida disse que o banco deve devolver rapidamente os recursos que lhe foram emprestados pelo Tesouro. Além disso, criticou a BNDESPar. Lembrou que, logo em seu discurso de posse no BNDES, defendeu que “se privatizasse a BNDESPar ou se vendessem todas as suas participações acionárias”.

Segundo Rabello de Castro, as declarações deixaram marcadas as diferenças entre “os que querem manter o financismo espoliador e os que querem de fato permitir o acesso do brasileiros ao mundo viável, com crédito de fácil acesso e juros módicos, impostos simplificados”, disse ele. “É o que é o que hoje o agronegócio já tem.”

No fim da tarde, em entrevista ao Valor, Rabello de Castro acrescentou que a sugestão de Arida de privatizar a BNDESPar seria “uma bobagem”. Para ele, Arida deu um “tirambaço no próprio pé” ao fazer uma “crítica completamente infundada ao BNDES, sendo ele próprio ex-presidente do banco”. Rabello de Castro defendeu o novo modelo de atuação da BNDESPar, como uma espécie de banco de investimento.

A carta com o pedido de exoneração foi entregue ontem pelo pré-candidato do PSC ao presidente do Conselho de Administração do BNDES, Esteves Colnago. Rabello de Castro disse que começará a pensar efetivamente em sua pré-candidatura a partir de hoje. Ele garantiu que não usou o cargo para lançar-se pré-candidato e que “nem pensou” nisso durante seus dez meses no banco.

“Até o presente momento tenho pensado 101% em BNDES. Eu só consigo fazer uma coisa de cada vez para o desespero do pastor Everaldo [presidente nacional do PSC]. A partir de quinta-feira vou começar a rezar e pensar em como comunicar ao povo brasileiro de que podemos ser uma nação segura, próspera, feliz, sem medo de andar na rua, com dinheiro no bolso e que tenha trabalho, dignidade e propriedade”, disse ele.

Escolha pessoal do presidente Michel Temer no BNDES, Rabello de Castro, 69 anos, deixa assim a instituição em que acumulou polêmicas — e muitas frases de efeito — durante dez meses de gestão. Rabello criticou desde a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) até a devolução de recursos do banco ao Tesouro. Perdeu a queda de braço nos dois casos — a TLP foi criada e os recursos devolvidos ao Tesouro.

Ontem, Rabello de Castro voltou a adotar um tom irônico ao comentar a devolução de recursos ao Tesouro. Segundo ele, o banco vai desembolsar R$ 210 bilhões neste ano, dos quais R$ 80 bilhões para atividades produtivas e mais R$ 130 bilhões para serem “esterilizados” pelo Tesouro.

O BNDES deixado por Rabello de Castro é menor do que ele encontrou em junho de 2017, quando substituiu a executiva Maria Silvia Bastos Marques na presidência da instituição. As consultas ao banco somaram

R$ 2,784 bilhões em fevereiro deste ano, o menor nível desde o início de 1995. Os desembolsos acumulados em 12 meses recuaram de R$ 84,5 bilhões em junho do ano passado para R$ 68,7 bilhões em fevereiro deste ano.

Fonte Oficial: Valor.

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