Brasil perderia R$ 1,1 bilhão com taxa ao aço, aponta estudo do Ipea – Jornal do Comércio

A aplicação pelos norte-americanos de uma sobretaxa ao aço importado do Brasil afetaria pelo menos 13% das vendas externas do insumo brasileiro e causaria perdas de US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) em relação ao volume exportado em 2017. Os dados são de estudo inédito do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada).

A medida anunciada pelo presidente Donald Trump levaria ainda a uma queda de 1,2% no nível de atividade no setor brasileiro e afetaria em especial a produção do aço semimanufaturado – as chapas usadas pela indústria automotiva, por exemplo.

O estudo considera os efeitos integrais da medida anunciada pelos EUA no início de março, que determina tarifa de 25% sobre as importações norte-americanas do produto.

Após divulgar a medida, o governo Trump suspendeu seus efeitos até 30 de abril para negociações com um grupo de países, entre os quais o Brasil. Hoje a taxa é de 0,9%.

Além do Brasil, os mais afetados são Japão, China e países da União Europeia, como a Alemanha. Canadá e México ficaram livres e a Coreia do Sul caminha para chegar a um acordo com os EUA.

Para calcular o impacto da sobretaxa para o Brasil, o autor da nota técnica e coordenador de Relações Econômicas Internacionais do Ipea, Fernando Ribeiro, levou em conta não apenas o total de aço exportado pelo Brasil aos norte-americanos, mas também o quanto essas vendas representam na produção doméstica, além do mix de produtos exportados.

As exportações de aço do Brasil aos norte-americanos somaram US$ 2,63 bilhões em 2017. O valor representou 33% de todo o aço exportado pelo Brasil no mesmo ano.

O pico das vendas aos norte-americanos, no entanto, foi registrado em 2014. Naquele ano, US$ 2,98 bilhões foram vendidos aos EUA, ou 44% das vendas totais do produto.

No valor da produção doméstica, diz Ribeiro, as exportações de aço para os EUA tinham participação de quase 10%. Como medida de comparação, toda a exportação de aço brasileira corresponde a 22% da produção local do produto.

Outro ponto destacado pelo estudo se refere ao mix de produtos exportados pelo Brasil. A medida norte-americana afeta laminados planos, barras, fios e perfis, tubos, semimanufaturados e aço inoxidável. Os semimanufaturados têm destaque absoluto em tudo aquilo que vai para os americanos.

Do total vendido pelo Brasil para os EUA, 70% são de aço semimanufaturado, usado em especial pela indústria automotiva. Nas vendas externas totais de aço, essa fatia é um pouco menor (50%).

Concretizada a sobretaxa anunciada pelos EUA, diz Ribeiro, a medida pode ter um impacto significativo sobretudo nas indústrias locais produtoras de semimanufaturados de aço.

O efeito da sobretaxa norte-americana sobre as exportações brasileiras poderia, no entanto, ser duas vezes maior.

Isso ocorreria num cenário de estresse, no qual outros países relevantes para as importações de aço norte-americanas conseguiriam, via acordos bilaterais, ficar de fora das medidas.

Único atingido, o Brasil perderia mercado para os outros concorrentes, como Japão e Alemanha – além de Canadá e México, hoje já excluídos da sobretaxa.

Nesse caso, a queda das exportações do setor de aço brasileiro poderia chegar a 26% ou o equivalente a US$ 700 milhões (R$ 2,3 bilhões), tendo como base o que foi exportado em 2017, diz Ribeiro. Já a atividade industrial no setor teria queda de 2,6%.

 

Melhor opção é acordo conjunto com outros países, diz pesquisador do Ipea

Em meio à decisão do governo norte-americano de elevar as tarifas do aço, a melhor opção para o Brasil seria aderir à negociação conjunta com outros países, ainda que fora dos domínios da OMC (Organização Mundial do Comércio). Para Fernando Ribeiro, pesquisador do Ipea, a estratégia norte-americana é enfraquecer a OMC, forçando acordos bilaterais.

Por isso, o governo suspendeu a sobretaxa de 25% até o dia 30 de abril para alguns países como o Brasil.

O Brasil vai ter de fazer concessões, a mais óbvia no setor de etanol. Mas uma abertura maior do setor automotivo não estaria excluída. “A OMC não é opção no momento. A China é o principal alvo, mas a estratégia é mais ampla”, diz Ribeiro, que antevê chances de guerra comercial global.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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