Petróleo opera em queda, em reação a tensões comerciais entre EUA e China – Jornal do Comércio

Os contratos futuros de petróleo operam com sinal negativo na manhã desta sexta-feira (6), com uma escalada nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China pressionando os mercados.

Às 7h55min (de Brasília), o petróleo WTI para maio caía 0,58%, a US$ 63,17 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para junho tinha baixa de 0,51%, a US$ 67,98 o barril, na ICE.

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou na quinta-feira (4) impor tarifas a mais US$ 100 bilhões em produtos da China, o que elevou as preocupações sobre uma potencial guerra comercial. Por ora, o petróleo não foi incluído nas medidas retaliatórias da China, mas investidores temem diante desse risco. A China é a segunda maior importadora da commodity dos EUA.

“O impacto indireto será mais uma desaceleração no comércio global e no PIB, o que afeta o crescimento da demanda global”, afirmou Richard Mallinson, analista da consultoria Energy Aspects.

Até agora, os produtos do setor energético incluídos nas tarifas chinesas são propano e polietileno. Desde que os EUA retomaram as exportações de petróleo em 2016, o boom do óleo e gás de xisto ajudou o país a compensar seu déficit comercial com os chineses.

A balança comercial dos EUA em fevereiro, publicada na quinta-feira, mostrou que o déficit comercial total avançou ao maior patamar desde 2009. Caso se exclua o petróleo, esse déficit seria o maior da história, segundo nota da consultoria JBC Energy.

“É óbvio que esse impasse entre os EUA e a China é muito sério e navegar nestas águas será difícil para operadores, já que qualquer mudança significativa na percepção em relação a questões comerciais futuras irá provavelmente impulsionar efeitos potenciais de variações de curto prazo para os fundamentos do petróleo”, afirma a consultoria.

Outras questões geopolíticas seguem no radar, nesse caso com o potencial de elevar os preços. Há tensões crescentes no Oriente Médio entre dois grandes produtores, o Irã e a Arábia Saudita, além da possibilidade de que os EUA recuem do acordo nuclear internacional com Teerã, com o potencial de volta das sanções contra os iranianos e problemas para o setor de energia.

“O impacto dos fluxos de petróleo, caso a China atinja as exportações de petróleo dos EUA, será similar ao do esperado impacto nos fluxos do óleo se os EUA atacarem o acordo nuclear iraniano”, compara Olivier Jakob, diretor da consultoria do setor de energia Petromatrix. 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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