Revogação da contribuição sindical obrigatória desafia as entidades – Jornal do Comércio

O presidente do Sindilojas-Porto Alegre, Paulo Kruse, que conduz a instituição desde 2014, projeta um bom ano para o varejo. Hoje, em seu segundo mandato, a atuação frente ao sindicato precisa ser reinventada em função da falta da contribuição sindical erradicada com a reforma trabalhista. No início do mês, o gestor foi reempossado e segue à frente da entidade de 2018 à 2022.

Com a experiência de ter conduzido a instituição durante a crise de 2015 e 2016, Kruse prevê crescimento do desempenho do varejo no próximo trimestre. Anteriormente, o empresário ocupou o cargo de diretor administrativo e a vice-diretoria da entidade por dois anos.

A trajetória de Kruse junto ao varejo teve início como representante comercial, posição que despertou seu interesse pelo segmento. Após montar uma pequena indústria no setor de moda, em 1994, abriu a primeira loja Patchwork, especializada no vestuário feminino. Hoje, a empresa está presente na Capital, em Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Jornal do Comércio – Qual era o cenário do segmento quando assumiu a presidência, em 2014?

Paulo Kruse – Não havia dificuldades naquele momento, foi uma época de muita venda e abertura de lojas: as pessoas investiam. A necessidade era de qualificação dos colaboradores, e nisso o Sindilojas se focou. Quando tivemos a crise, precisamos prestar mais consultorias e indicamos cursos do Sebrae-RS, o que ajudou na superação do período.

JC – Qual o desafio atual?

Kruse – O sindicalismo no Brasil passa por um momento de transformação com a nova legislação trabalhista. Com ela, houve a não obrigação da contribuição sindical anual, e isso faz com precisemos realizar ações que possam ser percebidas pelos lojistas, nossos associados, para que haja a manutenção das contribuições mantidas. Dentro dessas ações está a Feira Brasileira do Varejo, que, neste ano, acontece nos dias 18, 29 e 30 de maio. Ela deixou o espaço de 2,2 mil metros quadrados do BarraShoppingSul e passou a ser realizada na Fiergs, que tem 14 mil metros quadrados. É um evento nacional, que pretendemos, com isso, transformar em evento internacional.

JC – Ainda há reflexo da crise no segmento?

Kruse – Esperamos que, com o menor nível de endividamento e os juros mais baixos, haja um crescimento nas vendas – que, neste ano, ainda não ocorreu. No próximo trimestre, com certeza, ele chegará, até porque o acompanhamento meteorológico anuncia o inverno mais frio dos últimos 15 anos. Isso faz com que as pessoas precisem comprar produtos de maior valor agregado – o que não aconteceu no mesmo período do ano passado, devido à falta de um inverno rigoroso.

JC – O número nacional de fechamentos de lojas no ano passado foi de 226,5 mil no País, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Este cenário já foi superado?

Kruse – É um número significativo de lojas. A partir do momento em que a economia não teve crescimento, com um nível de desemprego elevado, as pessoas deixam de comprar. Assim, lojas sem uma gestão financeira apropriada fecham, foi o que vimos. Agora, o que acontece é que quem conseguiu se manter no mercado tem uma tendência de fortalecimento e está funcionando ativamente.

JC – Uma das bandeiras de sua gestão foi o combate ao comércio ilegal de mercadorias no Centro Histórico. Quais ações foram tomadas quanto à questão?

Kruse – Esta é uma questão importante. O Sindilojas tem, periodicamente, estado em contato com os órgãos municipais e de segurança pública exigindo que sejam tomadas medidas que eliminem esse problema, que afeta significativamente a arrecadação municipal. Afeta inclusive o nível de emprego formal da cidade.

JC – Qual a receptividade dos órgãos públicos sobre a questão?

Kruse – Com a troca de prefeitos, houve alguma dificuldade para observarem isso. Mas agora houve uma lei do Executivo aprovada que vai dar maior poder à Guarda Municipal. Isso promete modificar muito o cenário. Assim se aumenta a fiscalização, e esperamos que a questão se normalize.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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