Mercado trata saída de Lula “maneira simplista”, diz Eurasia a jornal – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado financeiro está reagindo de “maneira simplista” à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia. Para ele, a saída de Lula da disputa abre espaço para candidaturas que podem ser negativas para o mercado, como a do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) e do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

As declarações de Garman foram dadas ao jornal “Folha de S. Paulo” na edição deste domingo. “O mercado financeiro não está vendo que aumentou a possibilidade de votos mais unidos em torno da esquerda, o que favoreceria um segundo turno entre Bolsonaro e Ciro Gomes”, diz.

Garman afirma que a prisão de Lula reduz “a potência do candidato do PT” e aumenta as chances de Ciro ir ao segundo turno.

Já Bolsonaro, ao contrário do que tem sido defendido por diversos cientistas políticos, não teria a sua candidatura esvaziada com a prisão. “A base de apoio de Bolsonaro é sólida. Mais do que um candidato que construiu sua candidatura com um discurso anti-PT, Bolsonaro é antiestablishment. Ele canaliza essa raiva contra a corrupção e toda essa desilusão com a política. Eu não vejo a candidatura dele minguando sem o Lula na campanha. Com todo esse desencanto, na verdade, ele deve sair fortalecido. Acho que ele tem mais chance de ir para o segundo turno”, diz

Para Garman, há “uma certa complacência” do mercado com Bolsonaro em função de ele ter escolhido o economista Paulo Guedes, de viés fortemente liberal, para compor a sua equipe. “Bolsonaro vai dar carta-branca a Paulo Guedes? E, se der, vai conseguir reunir uma base consistente no Congresso Nacional para aprovar as reformas necessárias? Na minha avaliação, são dois riscos importantes dessas eleições”, afirma.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), “poderia ser um nome”, em função do grande tempo de TV que deve ter. Mesmo assim, a tendência é que Ciro seja mais beneficiado com a saída de Lula, segundo Garman.

Ele também destaca a possível presença do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (PSB) na disputa. “[Barbosa] pode pescar em várias áreas: pode ser visto como um candidato anticorrupção. É um candidato negro e, por ter origem humilde, pode atrair um eleitorado mais à esquerda, pode atrair o Nordeste. Ele tem um tipo de perfil que coloca medo em várias candidaturas”, diz. “Mas ainda não foi testado.”

O consultor admite ainda que “a tensão social aumentou” nos últimos dias com as declarações do general Eduardo Villas Bôas a respeito do o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas acredita que “a instabilidade tende a passar”. “Os nervos estão à flor da pele, mas não estamos em um quadro de crise institucional, e acho que os investidores veem assim”, diz.

Fonte Oficial: Valor.

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