Barbearias investem muito além de barba, cabelo e bigode – Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 09/04/2018.
Alterada em 08/04 às 21h38min

Barbearias investem muito além de barba, cabelo e bigode

Locais se destacam por oferecer experiência além da tradicional

VISUALHUNT/DIVULGAÇÃO/JC

Eduardo Lesina

De tempos em tempos, algum modelo de negócio se sobressai dentro do mercado. Com características específicas, público-alvo bem definido e de duração determinada, utiliza-se do modismo para atrair seus clientes. Foi assim com pet shops, temakerias, paletas mexicanas. Hoje, as barbearias “gourmet” são o expoente das lojas desse tipo.

Definida como loja Pop Up, essa estratégia de negócio tem prazo de duração específica. O gerente de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae-RS, Fábio Krieger, aponta o planejamento dos empresários como fator característico para esse tipo de negócio: “as lojas se moldam para esse comportamento, visando aproveitar a oportunidade de lucro no tempo determinado”. Entretanto o que faz um negócio virar moda? No caso das barbearias – que estavam a beira da extinção -, o responsável pelo retorno foi, por óbvio, o retorno da barba como moda entre os homens.

Nos últimos cinco anos, as barber shops ressurgiram com a força necessária para modificar a ordem das empresas com pé no modismo. Nomes fortes, como o Seu Elias, original de Belo Horizonte, que ficou famoso por atender jogadores da seleção brasileira, e Eduardo Muller, barbeiro e palestrante de cursos para barbearias, o estilo de negócio foi se formando até se estabilizar nos conceitos de hoje.

O aspecto vintage desses novos estabelecimentos é o que reforça a moda entre os homens. A identidade visual serve como atrativo aos clientes que buscam um tratamento diferente do que era oferecido há algum tempo. “Consumidor está sempre buscando experiência”, explica Krieger. Segundo ele, com os avanços da compra on-line, o consumidor passou a não se envolver mais com a compra física com a mesma frequência – ou com a mesma forma -, mas, sim, a selecionar experiências que podem ser adquiridas e fazer uso delas pelo bom gerenciamento do tempo. É nesse contexto que as novas barbearias se inserem, trazendo novidades, como mesas de sinuca, cervejas e videogames, a fim de se destacar.

Nessa ideia de otimização de tempo, Krieger analisa a funcionalidade dos atrativos desses novos negócios. “Cortar o cabelo ou a barba não precisa ser uma atividade desgastante, e pode ser uma experiência na qual se pode jogar, beber uma cerveja, assistir a um jogo de futebol, ler uma revista ou conversar com pessoas.”

Longe do Centro, perto da comunidade

Na Black Chic, Oliveira transformou o sonho de menino em realidade

Na Black Chic, Oliveira transformou o sonho de menino em realidade

Fredy Veira/JC

As novas barber shops não estão localizadas apenas no centro da cidade. Há mais de 22 anos trabalhando no ramo, Christian Oliveira é proprietário da Black Chic Barber Shop. A empresa conta com três filiais: duas no bairro Restinga e uma na Hípica. Na Restinga, a primeira unidade já tem 15 anos de existência – e hoje é gerenciada pela filha de Oliveira, Liége Oliveira.

Filho de cabeleireira, o sonho de trabalhar com barbearia sempre esteve presente na carreira de Oliveira, que começou a cortar cabelo aos 17 anos. “Quando eu entrei no ramo, minha ideia de negócio era basicamente o que temos hoje, com o visual retrô e masculino, mas a gente sempre ouvia que mulher é que ‘dava dinheiro'”, comenta.

No bairro Itú-Sabará, a AndBoy Barber Shop é uma das alternativas para a moda masculina. Desde de 2014, André Herlin comanda a barbearia, que, segundo ele, é uma soma do estilo clássico com a modernidade. Esse estilo combinado representa bem o público frequentador do salão, que é bem representado na faixa de 19 a 40 anos. No entanto essa faixa de público não exclui idades menores, visto que o ambiente conta com um espaço para crianças no seu interior.

Afastadas do centro da cidade, ambas barbearias não estão isoladas nos seus respectivos bairros. A concorrência nos arredores é expressiva, e isso força os empresários a se reinventar dentro de suas paredes. Para vencer a concorrência, uma das apostas de Herlin é justamente na questão etária: “eu tenho mais de 40 anos, e o Lucas (barbeiro na AndBoy e sobrinho de Herlin) tem 18. Por trabalharmos com crianças de colo até os pais com maior idade, conseguimos ‘falar a mesma língua’ do cliente”, comenta.

Na parte estética, ambos os ambientes foram decorados pelos próprios proprietários, tanto para criar uma identidade como para controlar gastos. “Na comunidade, a gente vai de pouquinho em pouquinho, sempre contando com a ajuda dos parceiros aqui da Black Chic”, conta Oliveira.

Cortes, produtos, cerveja e até sinuca

Parcerias são importantes para reforçar a identidade do negócio. “A partir da experiência e da conexão entre várias empresas, muitas vezes, esses modelos têm uma série de parcerias, viáveis a esse tipo de proposta”, explica o gerente de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae-RS, Fábio Krieger. Nesse sentido, as novas barbearias são frutos primários desse sistema, uma vez que agregam diferentes atividades e produtos.

Desde itens ligados à estética masculina, como gel fixador, ceras e xampus; até cervejas e chopps, tanto comerciais, quanto artesanais, a ligação entre as barbearias e outras empresas sustenta o ideal de experiência que elas oferecem.

A Black Chic Barber Shop apresenta os conceitos de um barber club, com uma área de lazer que conta com uma mesa de sinuca e uma de pebolim – ambas alugadas dentro de uma parceria. Outra característica das novas barbearias é a presença de um tatuador, não necessariamente em tempo integral no local.

Segundo Krieger, as parcerias e os serviços oferecidos, no entanto, não são suficientes para se firmar no mercado. O que define o sucesso e a diferenciação entre as empresas é, principalmente, pelo atendimento prestado. “É possível copiar um posicionamento, um layout ou até um mesmo um produto. O que não se pode copiar é o atendimento. Quem consegue gerir essa questão de relacionamento tem tendência a se destacar.” Fator importante para a saúde financeira, dentro da lógica do modismo, o planejamento interno da empresa assegura a continuidade do negócio. A falta de uma estratégia adequada pode ser um risco para o futuro, mas Krieger diz que os custos na ponta do lápis podem contornar o problema: “o principal é ter o plano de quanto se pode investir versus o quanto vai ser duradoura a oportunidade”. “Aqui não é um laboratório”, diz André Herlin sobre como ele trata a gestão na AndBoy.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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