Cresce número de agências na Costa Doce do Rio Grande do Sul – Jornal do Comércio

Quem chega à Região da Costa Doce, no Rio Grande do Sul, encontra um cenário bastante distinto ao de 15 anos atrás, quando a promoção do destino ficava a cargo de apenas uma agência de viagens. Na época, a região sequer era reconhecida como de potencial turístico, lembra a gestora de Turismo da Regional Sul do Sebrae-RS, Jussara Cruz Argoud, responsável pela coordenação do Projeto Costa Doce Natureza, que vem impulsionando o setor na região. Implementado em 2017, o trabalho já rendeu a abertura de dez novas pequenas empresas voltadas ao receptivo de turistas. “Aos poucos, os resultados transformadores começam a surgir”, comemora a gestora. Empenhadas em comercializar mais de 15 produtos formatados especificamente de acordo com as atrações dos destinos – incluindo gastronomia, eventos, paisagens, passeios e até aventuras -, essas empresas têm atuado em parceria com meios de hospedagem localizados nas cidades inseridas no projeto.

“A intenção do Costa Doce Natureza é justamente incrementar o turismo e, consequentemente, toda a cadeia produtiva envolvida”, explica Jussara. Ela afirma que a expectativa é de aumentar o número de empresas de receptivo de visitantes até dezembro deste ano, com pelo menos mais uma agência atuando no ramo. “A qualidade dos serviços prestados aos turistas é o diferencial competitivo do projeto”, destaca a gestora.

“Comecei a trabalhar com turismo rural em 2004 e agora atuo como microempreendedora individual”, comenta a proprietária da empresa Andréa Chies Viagens & Agriturismo, Andrea Chies. A agência foi aberta recentemente em Pelotas, e já integra o time de empresas que aderiram ao Projeto Costa Doce Natureza. “Sempre fiz questão de ter o Sebrae-RS ao meu lado, pois sei do poder mobilizador que ele tem. Esta é a melhor oportunidade para não estar isolada neste ramo”, reconhece.

Jussara explica que, a partir do trabalho do Sebrae-RS, além de ser estimulada a integração dos meios de hospedagens e agências receptivas para divulgação e comercialização das rotas e dos roteiros locais, ocorre constantemente a implementação de boas práticas de desenvolvimento sustentável e a qualificação do processo de gestão do trade, entre outros.

“Estamos formatando um novo tipo de turismo, para preservar a natureza e fomentar o segmento ecológico em Arambaré”, comenta o proprietário da agência Eco 360° – Ecoturismo e Aventura, Leandro dos Santos Pereira. Com mais de 15 anos de experiência no mercado, ele abriu as portas da empresa naquele município em 2017 e, desde então, trabalha em parceria com o Sebrae-RS e com a Emater.

No caso de Pereira, o contato partiu do próprio Sebrae-RS. “Fui procurado para explicar como pretendia oferecer meus serviços, e me convidaram para integrar o projeto, que consiste em fomentar o turismo de natureza em toda a cidade e na Região da Costa Doce”, recorda. O proprietário da Eco 360° destaca que aderiu ao projeto por acreditar que o que estava faltando em Arambaré era unir os empreendedores do meio turístico fomentando a inclusão do local, “para cada vez mais tornar a cidade atrativa e oferecer turismo sustentável, trazendo benefício para a economia”.

Passeios temáticos são destaques entre as atrações oferecidas no Sul do Estado

Criada em 2015 a partir de uma demanda do Sebrae-RS para pequenos eventos e locação de veículos, a agência Laguna Sul Turismo oferece passeios pela Laguna dos Patos, com observação de leões e lobos marinhos; pelas dunas das praias do Mar Grosso e do Barranco; e um roteiro histórico, que passa pelo Farol da Barra, pela antiga Torre de Observação Atalaia, pela Igreja da Nossa Senhora da Boa Viagem e pelos Moles da Barra. Localizada em São José do Norte, no Sul do Estado, também está apta a receber grupos de turistas chineses. Toda a estrutura, erguida em pouco tempo, foi possível graças às ideias que surgiram com a consultoria.

“Antigamente, eu tinha uma empresa de embalagens, mas, por acaso, começaram a me pedir ajuda com locação de veículos para descolamento de pessoal para eventos e para montar itinerários de viagens. Foi assim que mudei meu negócio para uma agência de viagens e, com o auxílio do Sebrae-RS, fui me organizando e formatando meu novo empreendimento”, descreve o proprietário da agência Laguna Sul Turismo, Alex Sandro Souza. Para ele, a vida mudou drasticamente em dois anos, graças à entidade.

Também a proprietária da Andréa Chies Viagens & Agriturismo, Andrea Chies, ressalta a importância do Projeto Costa Doce Natureza, ao promover a aproximação das várias empresas de turismo. “Os pequenos empreendedores se veem como parceiros, e não concorrentes; e isso nos torna mais fortes. Aí entra a entidade e faz a roda girar acionando as prefeituras, os comércios e agitando o turismo com a força que tem”, avalia.

Conhecida anteriormente apenas pelo turismo de praia (água doce), Arambaré hoje oferece diversas oportunidades de trilhas ecológicas e outras atividades. Tudo isso sob a promoção de empresas como a agência Eco 360° – Ecoturismo e Aventura. “Temos ampla área disponível para o ecoturismo”, conta o proprietário da agência, Leandro dos Santos Pereira, destacando que a cidade já superou a carência de turistas em baixa temporada.

“Um de nossos produtos lançados recentemente, que são os passeios safáris dentro de fazendas e propriedades rurais às margens da Laguna dos Patos, tem tido grande procura”, diz. Segundo Pereira, a agência oferece cerca de 15 roteiros diferentes, sendo que três incluem passeios no caminhão safári, inclusive por praias desertas e com visitação em áreas repletas de figueiras com duração de dois dias – e hospedagem em propriedades rurais.

Já Angélica dos Santos, proprietária da Morro de Amores Receptivo, tem uma história diferente com o turismo. Ela e a irmã Letícia trabalhavam de forma voluntária como guias no Roteiro Morro de Amores, em Morro Redondo. Por incentivo do Sebrae-RS, as irmãs decidiram formalizar a atividade e criaram a empresa. “Nós vimos que, do jeito que a gente estava, era impossível oferecer um serviço de qualidade, e não tínhamos nem como cobrar de um fornecedor se algo desse errado, já que era totalmente informal”, comenta.

As empreendedoras estão em atividade desde o final de 2017 e agora oferecem passeios temáticos pela região. “Embora não seja nossa principal fonte de renda, temos incentivo para nos capacitar e atender cada vez melhor o turista que nos procura e, assim, movimentar a cidade.”

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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