Banco Central quer ver queda mais rápida dos juros bancários – Valor

BRASÍLIA  –  As taxas de juros de mercado e o spread bancário (diferença entre o que o banco paga pelo dinheiro e o quanto cobra para emprestá-lo) estão numa tendência de queda, mas o ritmo dessa baixa não agrada o Banco Central, afirmou seu presidente, Ilan Goldfajn. ” Queremos que a redução seja mais rápida, para que tenhamos logo crédito mais barato para famílias e empresas.” Ele participa de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE).

Para Ilan, a ação dos bancos acompanha a redução do juro básico Selic promovida pelo BC, mas com velocidade insatisfatória. Ele mencionou que as taxas de juros bancárias, medidas pelo Indicador de Custo de Crédito (ICC), seguem em queda e, em fevereiro de 2018, se encontravam em 27,3% ao ano para as famílias e 15,5% para as empresas. “Temos observado queda dos juros bancários desde o fim de 2016. Nós gostaríamos que ela continuasse e ficasse abaixo do nível de 2013 e 2014 [ICC]”, destacou. “Está havendo queda, mas gostaríamos que ela fosse mais rápida desta vez”, ressaltou.

Ilan contou que parte da redução dos juros bancários deve acontecer não só pela queda da taxa Selic, que está no menor nível da história, mas pela adoção de medidas estruturais, muitas delas aprovadas pelo Congresso Nacional. Mas ressaltou que não se deve atuar nesse sentido “de forma voluntariosa”, citando  como exemplo a experiência do governo Dilma Rousseff de usar os bancos públicos para induzir uma queda nos juros.

“A única coisa que se conseguiu foi prejuízo para os bancos públicos”, disse aos senadores. Segundo Ilan, essa experiência chega a atrapalhar o momento atual, no qual o BC toma medidas estruturais para acelerar o repasse da queda da Selic para o consumidor final. 

“Agora vamos precisar que todos os bancos entrem nesse processo”, continuou. “O objetivo é atacar, de forma estrutural, não voluntariosa, todas as causas que tornam o custo de crédito alto no Brasil: o alto custo operacional e regulatório, a falta de boas garantias, a necessidade de mais informação no sistema, os subsídios cruzados, os altos compulsórios, a necessidade de estimular a concorrência, entre outros. Trabalhando com serenidade num ambiente de inflação e juros básicos baixos, tenho certeza que vamos avançar consideravelmente”, destacou.

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!