Ibovespa se recupera sustentado por NY e dólar bate R$ 3,42 – Valor

SÃO PAULO  –  A recuperação observada nas bolsas americanas hoje sustenta o Ibovespa, após a forte queda do dia anterior. Mas os ganhos no Brasil seguem limitados, mostrando que há uma cerca cautela dos agentes. As incertezas eleitorais, a percepção de que o ritmo de crescimento será mais lento do que se previa e a postura mais seletiva dos investidores estrangeiros, em meio ao vaivém que se vê nos mercados globais nas últimas semanas, limitam a recuperação.

Ao redor de 13h30, o Ibovespa subia 0,82%, aos 83.918 pontos. Na máxima, alcançada no começo do dia, atingiu 84.280 pontos e, na mínima, recuou a 83.312 pontos. Em Nova York, os índices acionários operavam em alta.

No Brasil, os preços baixos acabaram atraindo compradores. A alta das commodities no exterior ajuda especialmente as blue chips Vale (3,12%) e Petrobras (PN: +2,78% e ON: 2,97%). 

A maior queda do Ibovespa estava com Hypera ON (-4,72%), reagindo à notícia de que o escritório da empresa é alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF).

Marfrig ON subia 14,48%, com a decisão da companhia de comprar a americana National Beef. Embraer ON avançava 5,15%.

Câmbio

O dólar demorou dois meses para subir da faixa de R$ 3,20 para R$ 3,30, mas precisou de pouco mais de 15 dias para avançar mais R$ 0,10 e furar a barreira dos R$ 3,40, feito realizado na segunda-feira. A velocidade da alta emite pelo menos dois recados: o mercado foi pego de surpresa pela deterioração do cenário e agora prefere se proteger por enxergar riscos piora adicional que levem a moeda a níveis ainda mais altos. 

No mercado futuro, o dólar chegou a se afastar das máximas após a agência de classificação de risco Moody’s melhorar a perspectiva da nota de crédito do Brasil, de “negativa” para “estável”. Mas o alívio durou pouco e, perto das 18h, a cotação já estava perto dos picos do dia.

O ambiente externo é um dos fatores pesando sobre o câmbio. Sinal da instabilidade que também afeta as praças no exterior, o dólar abandonou a queda do começo do dia e chegou ao fim da tarde em alta ante moedas como o peso mexicano, enquanto acelerou os ganhos frente ao rand sul-africano e à lira turca. Mas o real tem desempenho pior, o que para analistas está associado ao noticiário local – sobretudo político – e também à queda do diferencial de juros às mínimas históricas.

Ganha mais espaço a percepção de que a campanha eleitoral corre o risco de ficar ainda mais fragmentada, cenário que dilui votos e torna mais imprevisível o desempenho de candidatos de centro-direita, vistos como pró-reformas. E, mesmo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso, os desdobramentos de pedidos de liminar ao STF ainda são um ponto de atenção, já que uma decisão favorável da Corte beneficiaria o petista.

Às 13h37, o dólar comercial estava a R$ 3,4210, alta de 0,06%. No fechamento do dia anterior, a moeda subiu 1,54%, a R$ 3,4188. É a maior valorização desde 7 de dezembro de 2017 (1,74%) e para o maior patamar desde 5 de dezembro de 2016 (R$ 3,4298).

A forte alta se deu a despeito de o Banco Central (BC) ter iniciado nesta segunda-feira as rolagens de contratos de swap cambial com vencimento em maio. O BC colocou todos os 3.400 contratos ofertados, ritmo que, se mantido, permitirá a rolagem integral dos US$ 2,565 bilhões nesses ativos com expiração em maio.

 

Juros

O mercado de juros futuros tem um dia de intensa movimentação nesta terça-feira. Os agentes financeiros partem dos números do IPCA e do discurso adotado no BC para reforçar a aposta num corte adicional da Selic, a despeito da pressão do câmbio. No entanto, as incertezas do quadro político deixam, cada vez mais claro, que o fim do ciclo de flexibilização monetária é iminente.

Em sessão na CAE do Senado, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reiterou que vê como apropriada uma flexibilização monetária adicional em maio, mas também destacou o ciclo deve ser interropido em seguida.

Os comentários foram feitos num momento em que o dólar bate os R$ 3,40, o que trouxe alguma preocupação no mercado sobre a trajetória da Selic, já que a taxa de câmbio estaria acima dos R$ 3,30 que foram considerados no modelo do BC para projeção do IPCA neste ano.

Para a decisão de maio, a sinalização de Ilan vem na mesma direção que a trajetória benéfica da inflação, mantendo a aposta de redução da taxa de 6,50% para 6,25% na próxima decisão do Copom. Conforme informado hoje, o IPCA desacelerou para 0,09% em março, menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.

Por outro lado, também foi reforçada a visão de que a queda da Selic deve ser interrompida. “O balanço de riscos – com ruído político, piora do cenário internacional e desvalorização da moeda – indica que não devemos ter corte em junho”, diz o economista sênior do banco Haitong, Flavio Serrano.

Com isso, os juros mais curtos se ajustam com variações um pouco mais contidas, de olho na política monetária.

No entanto, a cena política alimenta, mais uma vez, um ambiente propício para venda de ativos de risco e zeragem de apostas mais otimistas. E o impacto maior veio nos juros mais longos, que subiram durante boa parte da manhã. Evidência do deslocamento de posições, o giro por minuto no mercado é o mais elevado em três semanas.

A fragmentação das candidaturas de centro-direita, sem qualquer nome que desponte as pesquisas, eleva a preocupação com a continuidade da agenda de reformas num próximo governo.

O mercado, que parecia estar “complacente” com o risco político nos últimos meses, agora exige uma movimentação mais intensa dos reformistas, afirma o trader Matheus Gallina, da Quantitas. E fica a impressão de que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter sido o último evento mais positivo para os mercados nos próximos meses.

O pano de fundo fica ainda mais adverso por causa da insegurança jurídica. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda pode avaliar uma mudança de regras sobre prisões de condenados em segunda instância. O ministro Marco Aurélio Mello teria intenção de colocar a questão na mesa já amanhã. O tema, entretanto, traz a objeção da Procuradoria Geral da República.

Por volta das 13h39, o DI janeiro/2019 marcava 6,275%, estável ante o ajuste passado, o DI janeiro/2020 apontava 7,120% (7,100% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 subia a 8,160% (8,130% no ajuste anterior).

Entre vencimentos ainda mais longos, o DI janeiro/2023 avançava a 9,240% (9,190% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 apontava 9,760% (9,700% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!