Juros futuros:Mesmo com surpresa no IPCA, apostas para Selic não mudam – Valor

SÃO PAULO  –  A nova surpresa com a inflação não foi suficiente para animar as apostas para quedas adicionais da Selic. Na avaliação de profissionais de mercado, está cada vez mais claro que o ciclo de flexibilização monetária deve ser encerrado com um corte final da taxa, na próxima decisão do Copom, em maio.

A probabilidade de recuo de 0,25 ponto percentual da Selic em maio, a 6,25% ao ano, estacionou em 65% nos últimos dias, conforme apontam os juros futuros. Já a chance precificada no mercado de um movimento adicional, na decisão de junho, é apenas residual. 

A ansiedade com a disputa eleitoral e a piora do quadro externo reforçam o sentimento de cautela. Dentro deste contexto, a disparada recente do dólar começa a colocar em dúvida a expectativa de inflação para 2019, que aos poucos se torna o principal balizador da política monetária. De acordo com o Boletim Focus, o IPCA esperado para o ano que vem está em 4,09%, mas a inflação esperada tende a subir no caso de uma alta mais intensa da moeda americana.

“O balanço de riscos — com ruído político, piora do cenário internacional e desvalorização da moeda — indica que não devemos ter corte em junho”, afirma o economista sênior do banco Haitong, Flavio Serrano. Seria necessária uma clara mudança da conjuntura econômica para a continuidade dos cortes da taxa básica, o que não parece provável neste momento.

O plano de voo para a Selic também foi reiterado nesta terça-feira (10) pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o dirigente reiterou que vê como apropriada uma flexibilização monetária em maio e a interrupção do ciclo de cortes nas suas reuniões posteriores do Copom.

Por ora, a trajetória da inflação ainda prescreve corte da Selic em maio. Conforme informado nesta terça, o IPCA desacelerou para 0,09% em março, menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.

Para o economista-chefe do Rabobank Brasil, Mauricio Oreng, o cenário de inflação permanece construtivo o suficiente para o Banco Central manter seu plano de cortar a Selic em maio. “No máximo, [a instabilidade no câmbio] reforça a expectativa de pausa em junho, como já indicado na comunicação do Banco Central”, afirma.

Ainda assim, não se descarta o risco de piora da cena local. Para a consultoria Capital Economics, a política pode ganhar relevância nas decisões do Copom a despeito da inflação fraca no país.

“A inflação brasileira voltou a cair em março, mas nossa sensação é que os formuladores de políticas começarão a se concentrar menos nos dados de inflação e mais nos riscos políticos crescentes e a consequente queda do real”, diz o economista para América Latina, Edward Glossop.

A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, afirma que uma desvalorização mais expressiva do câmbio poderia evitar o corte em maio. Mas teria de ser intensa, rápida e específica, indo para R$ 3,60 em pouco espaço de tempo.

A fragmentação das candidaturas de centro-direita, sem qualquer nome que desponte nas pesquisas, eleva a preocupação com a continuidade da agenda de reformas num próximo governo. O mercado, que parecia estar “complacente” com o risco político nos últimos meses, agora parece exigir uma movimentação mais intensa dos reformistas, afirma o trader Matheus Gallina, da Quantitas. E fica a impressão de que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter sido o último evento mais positivo para os mercados nos próximos meses.

O pano de fundo fica ainda mais adverso por causa da insegurança jurídica. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda pode avaliar uma mudança de regras sobre prisões de condenados em segunda instância. O ministro Marco Aurélio Mello teria intenção de colocar a questão na mesa nesta quarta (11). O tema, entretanto, traz a objeção da Procuradoria-Geral da República.

Por volta das 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 marcava 6,280% (6,275% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 apontava 7,100% (7,100% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 registrava 8,130% (8,130% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 projetava 9,220% (9,190% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 marcava 9,730% (9,700% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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