Mudança na regra do cheque especial é marco importante, avaliam bancos – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 15h12) A mudança nas regras do cheque especial é um marco importante e um esforço do setor bancário na conscientização dos clientes. A afirmação é do presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher. 

O executivo afirmou que ainda não é possível saber se a medida terá algum impacto nas margens do banco. “A taxa menor pode reduzir a receita, mas a inadimplência também deve cair”, afirmou a jornalistas, após participar de evento promovido pelo Itaú BBA.

Bracher disse que o saldo da linha do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito representa menos de 2% da carteira de crédito do Itaú. Ele atribuiu as altas taxas de juros dessas linhas a custos administrativos maiores.

“No caso do cartão, o spread tem que pagar a inadimplência da carteira de R$ 50 bilhões do crédito à vista e parcelado sem juros”, afirmou.

O presidente do Itaú disse que o spread da carteira do banco como um todo é da ordem de 10,5%. Questionado por que os spreads não caíram na mesma velocidade da Selic, ele disse que a taxa que precisa recuar é a do crédito ao consumidor na ponta, não necessariamente o spread. “A queda de spread bancário deve ser buscada de forma que seja sustentável”, afirmou.

A agenda do Banco Central (BC) para a redução do custo do crédito, como a dimunuição dos compulsórios, é positiva, segundo Bracher. No caso específico da queda das alíquotas para os depósitos à vista, ele disse que o efeito foi pequeno na liquidez, porque os bancos não podem mais deduzir os recursos que ficam em caixas eletrônicos.

Sobre o desempenho do crédito, Bracher afirmou que a demanda das grandes empresas ainda não se recuperou, mas nas demais linhas vem subindo “lentamente mais consistentemente”.

Na mesma linha que Bracher, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que a medida sobre o cheque especial é “mais um passo importante em apoio à construção de um mercado financeiro mais eficiente e moderno”.. Ele acrescentou ainda que “o tempo do juro alto já passou”.

 

Em comunicado, o executivo afirmou que o banco é “parte integrante do esforço de promover os ajustes necessários para que o custo monetário do País se ajuste ao novo padrão da Selic”. A taxa básica de juros, hoje em 6,5% ao ano, atingiu sua mínima histórica, mas os juros cobrados pelas instituições financeiras das pessoas físicas têm caído em um ritmo inferior.

Na nota, Lazari afirma que o cheque especial “tem características específicas de conveniência e ajuda emergencial que não pode ser subestimado”, mas que deve ser usado somente em situações de emergência e “por um curtíssimo espaço de tempo”.

A mudança, na visão do executivo, é “o melhor caminho para o uso adequado do crédito e educação financeira”, que ajuda a dar “estabilidade às contas domésticas.”

Para Lazari, ao longo do tempo a mudança vai ser “mais uma influência positiva na redução do juro ao tomador final”, assim como outras medidas do BC para ajudar a diminuir o spread bancário, como o cadastro positivo, a redução dos compulsórios e o novo modelo do rotativo do cartão de crédito.

Fonte Oficial: Valor.

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