Pressão sobre o câmbio pode ameaçar inflação, diz economista-chefe do Itaú – Jornal do Comércio

A inflação continua surpreendendo positivamente e a trajetória corrobora a expectativa de mais um corte na taxa básica de juros em maio, mas as pressões sobre o câmbio podem levar a revisões da inflação para cima, disse nesta terça-feira (10) o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita. “O IPCA veio bem hoje. Mas as pressões no câmbio poderiam ensejar revisões para cima nas projeções de inflação se forem mantidas”, afirmou.

Mesquita ponderou, no entanto, que o nível preocupante para o dólar a ponto de abrir espaço para rever projeções de inflação estaria mais perto de R$ 3,60 ou R$ 3,70. “O câmbio vinha ajudando e agora vai ajudar menos ou até atrapalhar, mas não é que ele decrete que a gente vai ter trajetória de inflação mais elevada”, declarou.

Divulgado nesta terça, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu apenas 0,09% em março, índice mais baixo para o mês desde o começo do Plano Real, em 1994. Em 12 meses, a inflação subiu 2,68%, próximo do piso de 2,5% estabelecido para a meta de inflação.

Conforme Mesquita, o banco continua com projeção de R$ 3,25 para o dólar no fim do ano, tendo como premissa a continuidade da política econômica após as eleições.

A pressão sobre o real, segundo ele, vem de uma conjunção de fatores: o ambiente externo, incertezas com relação à política econômica no pós-eleições e também a estratégia de alguns investidores locais, que apostam na alta da bolsa, mas fazem uma espécie de seguro (hedge), apostando também na queda do real.

Para o economista do Itaú, no entanto, o mercado mundial segue favorável, o que mantém o otimismo permanece. “Por aqui, a estratégia de ignorar a incerteza sobre a continuidade da política econômica está passando, daí a volatilidade maior”.

Mesquita disse ainda que a decisão da Moody’s de melhorar a perspectiva do Brasil de negativa para estável mostra que o país avançou com medidas como a reforma trabalhista ou o teto de gastos. Para ele, se a reforma da Previdência for aprovada em 2019, isso deve se refletir em um rating (classificação de risco) melhor do Brasil.

O economista prevê que a dívida pública deve encerrar 2018 em 74% do Produto Interno Bruto (PIB), em razão de aumento receitas e da devolução de recursos do Bndes para o Tesouro. “Por ora, a gente tem essa trégua fiscal que pode ter contribuído para esse movimento da agência (Moody’s)”, disse.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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