IPCA de março é o menor para o mês desde 1994 – Jornal do Comércio

A inflação ao consumidor subiu 0,09% em março, frente ao mês anterior, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa mensal desde junho do ano passado, quando os preços haviam caído 0,23%, e a menor inflação já registrada para um mês de março desde o início do Plano Real, em 1994.

O resultado do IPCA em março veio abaixo do previsto. Na média, os analistas do mercado esperavam uma alta de 0,12% na inflação de março. Nos últimos 12 meses, os preços avançaram 2,68%, novamente abaixo de 3%. Em fevereiro, o IPCA tinha subido 0,32%, acumulando variação de 2,84% em 12 meses.

Com isso, a inflação completou uma sequência de nove resultados abaixo de 3%, quando se considera o índice acumulado em 12 meses. “É a maior sequência abaixo de 3% da série histórica de 12 meses”, destacou Fernando Gonçalves, coordenador do índice de preços do IPCA.

Segundo ele, a manutenção da taxa de inflação em 12 meses em patamares historicamente baixos sinaliza o impacto da demanda mais fraca sobre os preços na economia. “A sensação que a gente tem olhando isso aqui é justamente de demanda. Há certa insegurança quanto aos caminhos que economia vai tomar, há indefinição política ainda, estamos num ano de eleição. Esses fatores levam a retardar talvez um pouco o investimento em algumas áreas da economia. E as famílias tendem a se resguardar. Ainda tem um desemprego elevado. As famílias tendem a guardar seu dinheiro para uma situação futura, para uma eventualidade”, justificou Gonçalves.

Embora exista consenso entre os economistas de que parte importante da baixa inflação se deva à lentidão da recuperação da economia, no Twitter, o presidente Michel Temer celebrou os números divulgados como uma conquista de sua política econômica: a meta do governo para este ano é alcançar uma inflação de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, a inflação acumulada nos últimos 12 meses está abaixo do piso da meta, que é 3%.

Os setores de transportes e comunicação foram os que mais contribuíram para conter o IPCA, registrando, respectivamente, deflação de -0,25% e -0,33%. No caso dos transportes, o motivo foi a queda das passagens aéreas e o barateamento dos combustíveis.

As tarifas de avião caíram 3,26% em fevereiro, após queda de 15,42% em março; e, no ano, acumulam redução de 19,28%. Mas, nos últimos 12 meses, subiram 13,33%. A gasolina ficou 0,19% mais barata em março. Mas, nos últimos 12 meses, subiu 15,59%.

Em relação ao grupo comunicação, a deflação foi motivada pela redução nas tarifas das ligações locais e interurbanas, de fixo para móvel.

O aumento dos planos de saúde e o reajuste nas tarifas de energia elétrica do Rio de Janeiro também participaram significativamente na composição da inflação de março. O grupo saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação no mês (0,48%), com os planos de saúde subindo 1,06%. No grupo habitação, a alta de 0,19% foi impulsionada pela energia elétrica (0,67%), devido à apropriação dos reajustes de 9,09% e 21,46% nas tarifas das concessionárias do Rio de Janeiro, em vigor desde 15 de março.

Antes mesmo do resultado do IPCA, analistas do mercado ouvidos pelo Boletim Focus, do Banco Central, já haviam cortado sua projeção para a inflação deste ano. Foi a 10ª semana seguida que a previsão foi reduzida.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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